{"id":7144,"date":"2022-05-18T16:01:42","date_gmt":"2022-05-18T19:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=7144"},"modified":"2022-05-18T18:04:13","modified_gmt":"2022-05-18T21:04:13","slug":"quem-nunca-imaginou-pegar-onda-no-guaiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/quem-nunca-imaginou-pegar-onda-no-guaiba\/","title":{"rendered":"Quem nunca imaginou pegar onda no Gua\u00edba?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Certas mudan\u00e7as s\u00e3o f\u00e1ceis de reparar: um corte de cabelo, uma nova tatuagem, um ambiente reformado ou at\u00e9 mesmo o c\u00e9u anunciando a chuva. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aquelas mudan\u00e7as mais sorrateiras, que atravessam gera\u00e7\u00f5es e nem sempre s\u00e3o percept\u00edveis por um simples olhar. O mundo est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, o avan\u00e7o da tecnologia n\u00e3o nos deixa mentir. O que, por exemplo, as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o entender por disquete, m\u00e1quina de escrever e fita cassete? Provavelmente pouco, ou quase nada. Mas, para al\u00e9m da tecnologia e do que os nossos pr\u00f3prios olhos podem perceber, como notar, por exemplo, a gradual polui\u00e7\u00e3o dos rios? Ou a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que fogem dos biomas que conhecemos? E como cuidar e proteger aquilo que j\u00e1 foi esquecido por toda uma popula\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>AMN\u00c9SIA GERACIONAL<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Foi diante dessas observa\u00e7\u00f5es que nem sempre s\u00e3o notadas em instantes que o bi\u00f3logo marinho Daniel Pauly descreveu, em 1995, o fen\u00f4meno chamado <a href=\"https:\/\/citeseerx.ist.psu.edu\/viewdoc\/download?doi=10.1.1.737.5584&amp;rep=rep1&amp;type=pdf\">S\u00edndrome de Deslocamento da Linha da Refer\u00eancia<\/a> (Shifting Baseline Syndrome \u2013 SBS). De acordo com o pesquisador, a s\u00edndrome pode ser descrita como uma mudan\u00e7a gradual nas normas de aceita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente devido \u00e0 falta de mem\u00f3ria ou conhecimento do passado.&nbsp; Atrav\u00e9s da an\u00e1lise da fauna marinha, Pauly observou que muito cientistas n\u00e3o conseguiam contabilizar o desaparecimento gradual das esp\u00e9cies, pois cada gera\u00e7\u00e3o aceitava como sua base &#8220;normal&#8221; a composi\u00e7\u00e3o e a biodiversidade do oceano que conheciam desde o in\u00edcio de suas pesquisas, e essa base ia mudando de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/daniel-pauly.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7188\" width=\"300\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/daniel-pauly.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/daniel-pauly-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Pauly \u00e9 professor e l\u00edder do projeto &#8220;Sea Around Us&#8221; no Instituto para os Oceanos e Pescas da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica | Foto: Sea Around Us Project\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, \u00e9 poss\u00edvel enxergar o fen\u00f4meno tamb\u00e9m como um tipo de &#8220;amn\u00e9sia geracional&#8221;, pois, com o passar do tempo, acontece o apagamento na mem\u00f3ria de pessoas de diferentes gera\u00e7\u00f5es. Como indiv\u00edduos, recordamos da maneira como um meio ambiente era formado quando \u00e9ramos mais jovens, mas, para o coletivo e geracionalmente, \u00e9 natural que essas lembran\u00e7as da diversidade que havia em um determinado ambiente caiam no esquecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira mais pr\u00e1tica, ao inv\u00e9s de pensar na biodiversidade marinha, que \u00e9 uma \u00e1rea mais espec\u00edfica de estudo, podemos refletir sobre algumas mudan\u00e7as ambientais que acontecem pr\u00f3ximas de n\u00f3s e que aceitamos, dentro da nossa percep\u00e7\u00e3o, como condi\u00e7\u00f5es naturais. A temperatura m\u00e9dia global tende a aumentar 1,5\u00baC nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2021\/08\/1097362\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC)<\/a>. Na cidade de Porto Alegre, por exemplo, foi registrada a temperatura de 40,1\u00baC numa tarde de domingo de janeiro de 2022, a quinta maior j\u00e1 registrada em todo estado do Rio Grande do Sul, de acordo com o <a href=\"https:\/\/portal.inmet.gov.br\/noticias\/onda-de-calor-atinge-seu-auge-e-m%C3%A1ximas-passam-dos-40-c-no-rio-grande-do-sul\">Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)<\/a>. A \u00faltima vez que a Capital atingiu temperatura semelhante em janeiro foi no ano de 1943, com 40,7\u00baC. O que para as gera\u00e7\u00f5es atuais pode ser um novo recorde ou um evento espor\u00e1dico, para as pr\u00f3ximas possivelmente ser\u00e1 o novo referencial, considerando as cont\u00ednuas devasta\u00e7\u00f5es ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta-7_Paula_Sophia-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7171\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta-7_Paula_Sophia-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta-7_Paula_Sophia-1-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta-7_Paula_Sophia-1-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta-7_Paula_Sophia-1.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Paula Sophia Rosa<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2><strong>QUAL \u00c9 A SUA PRAIA?&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das temperaturas, temos tamb\u00e9m em Porto Alegre uma grande mudan\u00e7a ambiental que perpassa gera\u00e7\u00f5es e mudou a rela\u00e7\u00e3o das pessoas com a cidade: a situa\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba, que, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, \u00e9 um lago, e n\u00e3o um rio. Para quem vivia na Capital nas d\u00e9cadas de 1950 e 60, a rela\u00e7\u00e3o com o Gua\u00edba era outra: \u00e1reas balneares enchiam de banhistas no ver\u00e3o e garantiam a divers\u00e3o dos finais de semana. E, se voc\u00ea nasceu depois dos anos 1980, qual a sua rela\u00e7\u00e3o com o Gua\u00edba? Ele representa para voc\u00ea algo al\u00e9m de um cart\u00e3o postal da cidade?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na d\u00e9cada de 60, a nossa praia comum de todos os dias era a Pedra Redonda, ou Ipanema e, algumas vezes, a gente ia na Alegria&#8221;, relembra a professora aposentada Cleonice Penha, de 73 anos. No que ela declara como \u201cauge da sua juventude\u201d, era comum na primavera e, principalmente, no ver\u00e3o, curtir as \u00e1reas balneares do Lago Gua\u00edba. &#8220;Aos domingos de ver\u00e3o, quando os pais n\u00e3o trabalhavam, a praia ficava mais lotada ainda, iam fam\u00edlias inteiras pras praias. A gente levava cesto com sandu\u00edche, frutas e nossas toalhas e faz\u00edamos os nossos piqueniques. E para n\u00f3s era uma coisa que n\u00e3o teria fim.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas teve. As praias do Gua\u00edba, que foram muito frequentadas por banhistas da d\u00e9cada de 1940 at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 70, foram abandonadas aos poucos com o aumento da polui\u00e7\u00e3o do lago a partir da d\u00e9cada de 1950. A \u00e1rea da Pedra Redonda, a praia da Alegria e a praia de Ipanema, citadas por Cleonice, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais banh\u00e1veis por conta da polui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-columns alignfull\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Guaiba-Familia-Alegria-1932-museu-guaiba-1-4.jpg\" alt=\"\" data-id=\"7183\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Guaiba-Familia-Alegria-1932-museu-guaiba-1-4.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=7183\" class=\"wp-image-7183\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Guaiba-Familia-Alegria-1932-museu-guaiba-1-4.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Guaiba-Familia-Alegria-1932-museu-guaiba-1-4-300x176.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Guaiba-Familia-Alegria-1932-museu-guaiba-1-4-768x450.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"700\" height=\"466\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/praia-da-pedra-redonda-joaquim-felizardo-1-4.jpg\" alt=\"\" data-id=\"7184\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/praia-da-pedra-redonda-joaquim-felizardo-1-4.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=7184\" class=\"wp-image-7184\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/praia-da-pedra-redonda-joaquim-felizardo-1-4.jpg 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/praia-da-pedra-redonda-joaquim-felizardo-1-4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">A Praia da Alegria, onde uma fam\u00edlia se banhava em 1932, hoje s\u00f3 ocorrem atividades como remo e canoagem  | Foto: Acervo Museu Gua\u00edba \/  J\u00e1 a Pedra Redonda era uma das mais famosas da Capital | Foto: Museu Joaquim Felizardo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>E de onde vem toda essa polui\u00e7\u00e3o? Leonardo Capeleto de Andrade \u00e9 engenheiro ambiental e tem experi\u00eancia nas \u00e1reas de polui\u00e7\u00e3o e sedimentos. De acordo com ele, a resposta para essa quest\u00e3o \u00e9 mais complexa do que parece. Segundo os dados da sua tese, defendida em 2018 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e das pesquisas mais recentes que desenvolveu com o seu grupo de estudos, a principal polui\u00e7\u00e3o vem da popula\u00e7\u00e3o urbana. Nas amostras do lago s\u00e3o encontrados metais, como o zinco e o cobre, por exemplo, micronutrientes presentes na nossa alimenta\u00e7\u00e3o e, consequentemente, nos dejetos que expelimos atrav\u00e9s das fezes. Quando n\u00e3o h\u00e1 tratamento, esses metais se acumulam nos sedimentos do lago e l\u00e1 permanecem por anos. Sedimentos, de uma forma simplificada, s\u00e3o peda\u00e7os de solo ou de rochas deteriorados em pequenas partes depositados na superf\u00edcie da Terra ou nos corpos h\u00eddricos. \u201cH\u00e1 tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas rurais, h\u00e1 tra\u00e7os de subprodutos da polui\u00e7\u00e3o rural, principalmente de defensivos&#8221;, afirma Leonardo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"532\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/reportagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7151\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/reportagem.jpg 595w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/reportagem-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Um dos grandes problemas do Gua\u00edba \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias e minerais poluentes que ficam nos sedimentos do lago. Conforme explica o engenheiro ambiental, mesmo que fosse poss\u00edvel proibir e controlar toda e qualquer entrada de poluentes no Gua\u00edba, o resultado poderia temporariamente ser uma \u00e1gua limpa, mas a polui\u00e7\u00e3o e os componentes qu\u00edmicos seguiriam represados nos sedimentos e levariam anos para se degradarem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por n\u00e3o ser um rio e sim um lago,&nbsp;o Gua\u00edba n\u00e3o tem corrente que flui continuamente. Por esse motivo, apesar das suas aberturas e do alto fluxo de \u00e1gua, ele tamb\u00e9m segura essas \u00e1guas por muito tempo. &#8220;A estimativa \u00e9 de que, se consegu\u00edssemos fazer o rastreamento de uma gotinha de \u00e1gua, ela ficaria ali por cerca de 14 dias em m\u00e9dia&#8221;, explica Leonardo, &#8220;mas ao mesmo tempo ele faz essa troca de \u00e1gua, se n\u00e3o fizesse ou se fosse um lago fechado, n\u00e3o seria poss\u00edvel Porto Alegre tirar \u00e1gua dali&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m a complexidade e o tamanho do Gua\u00edba. \u201cUma polui\u00e7\u00e3o que foi lan\u00e7ada numa posi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se degrade l\u00e1 em Passo Fundo pode chegar no Gua\u00edba, digamos assim, ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil a gente delimitar onde que est\u00e1 a polui\u00e7\u00e3o, porque no fim tudo chega e se concentra l\u00e1\u201d, reitera Leonardo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Gua\u00edba possui 84.751,48 quil\u00f4metros quadrados, abrangendo 251 munic\u00edpios ga\u00fachos \u2013 um ter\u00e7o da \u00e1rea territorial do estado, 50% da municipalidade e mais de 60% dos habitantes. E, al\u00e9m do seu tamanho, o lago faz parte de um sistema de lagunas que inclui a Laguna dos Patos, a Lagoa do Casamento e a Lagoa Mirim. Fora isso, de acordo com o Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos (DMAE), recebe toda a polui\u00e7\u00e3o gerada nas sub-bacias que o formam.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-despertar-para-uma-ancestral-forma-de-ser-brasileiro\/\">Despertar para uma ancestral forma de ser brasileiro:\u00a0<\/a><\/strong>a vida na aldeia Teko\u00e1 Anhetengu\u00e1<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/mudanca-climatica-no-rio-grande-do-sul\/\">Rio Grande do Sul, 40 graus:\u00a0<\/a><\/strong>como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode afetar o futuro do estado<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h2><strong>DE M\u00c3E PARA FILHA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Diolmira Barcelos, de 82 anos, e sua filha Sandra Tobis, de 55, tamb\u00e9m tinham uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com as \u00e1guas do Gua\u00edba. As mem\u00f3rias de Diolmira s\u00e3o de uma inf\u00e2ncia de proximidade com o lago. Rela\u00e7\u00e3o essa que ela fez quest\u00e3o de passar para os filhos e manter viva em suas lembran\u00e7as. Sandra e sua m\u00e3e costumam recordar como eram os finais de semana nas praias doces de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-11 wp-block-columns alignfull\">\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-container-9 wp-block-gallery-8 wp-block-gallery columns-3 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"619\" height=\"841\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-1-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"7153\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-1-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=7153\" class=\"wp-image-7153\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-1-1.jpeg 619w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-1-1-221x300.jpeg 221w\" sizes=\"(max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"653\" height=\"1001\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-2-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"7155\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-2-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=7155\" class=\"wp-image-7155\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-2-1.jpeg 653w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.14-2-1-196x300.jpeg 196w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"726\" height=\"1020\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.13-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"7154\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.13-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=7154\" class=\"wp-image-7154\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.13-1.jpeg 726w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-13-at-22.08.13-1-214x300.jpeg 214w\" sizes=\"(max-width: 726px) 100vw, 726px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Na d\u00e9cada de 1970, Diolmira, seu marido e os filhos frequentavam a Praia de Ipanema (\u00e0 esquerda) e a  Praia do Lami (ao centro). Sandra costumava brincar no lago com seus primos (\u00e0 direita)  | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/audio-Diolmira-2.mp3\"><\/audio><figcaption>Confira o relato de Diolmira sobre suas mem\u00f3rias nas \u00e1reas balneares do Gua\u00edba<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/audio-Sandra-1.mp3\"><\/audio><figcaption>Confira o relato de Sandra sobre os domingos nas praias banhadas pelo lago<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2><strong>FUN\u00c7\u00d5ES ESQUECIDAS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma certa aceita\u00e7\u00e3o de que a polui\u00e7\u00e3o e a perda das praias \u00e9 uma consequ\u00eancia comum e inevit\u00e1vel do crescimento populacional e do desenvolvimento de uma cidade. E, em rela\u00e7\u00e3o ao Lago Gua\u00edba, h\u00e1 por muitos um sentimento de conformidade com a polui\u00e7\u00e3o e uma dist\u00e2ncia com o lago que poderia representar mais do que a principal fonte de abastecimento de \u00e1gua para a Capital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Matheus Cervo \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Sociais e atuou nas \u00e1reas de Mem\u00f3ria Ambiental e Comunica\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.&nbsp; Em sua <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/205208\">pesquisa de campo<\/a>, Matheus conversou&nbsp; com moradores do Guaruj\u00e1 por cerca de tr\u00eas anos para compreender a liga\u00e7\u00e3o que os moradores tinham com a parte balne\u00e1ria da regi\u00e3o. &#8220;A minha principal impress\u00e3o foi que existem essas lacunas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria da cidade, o que acontece muito com v\u00e1rias regi\u00f5es da zona sul de Porto Alegre.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;Eu fui me percebendo enquanto parte de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasce entendendo que o Gua\u00edba \u00e9 um enorme corpo d&#8217;\u00e1gua que n\u00f3s n\u00e3o podemos ter nenhuma rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser de vislumbrar&#8221;<\/p><cite><strong>MATHEUS CERVO,<\/strong> graduado em Ci\u00eancias Sociais e pesquisador na \u00e1rea de mem\u00f3ria ambiental <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em sua pesquisa, Matheus descobriu que nas d\u00e9cadas de 1960 e 70 as pessoas faziam nata\u00e7\u00e3o na orla do Guaruj\u00e1 com instru\u00e7\u00e3o de professores e competi\u00e7\u00f5es atl\u00e9ticas. Al\u00e9m disso, eram organizados acampamentos internacionais nos ver\u00f5es com v\u00e1rias pessoas que vinham de outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, como a Argentina: &#8220;Eu fiquei abismado que, hoje em dia, a minha gera\u00e7\u00e3o acha \u00f3bvio que Porto Alegre n\u00e3o tenha nada desse tipo de atividade. Eu fui me percebendo enquanto parte de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasce entendendo que o Gua\u00edba \u00e9 um enorme corpo d&#8217;\u00e1gua que n\u00f3s n\u00e3o podemos ter nenhuma rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser de vislumbrar&#8221;, diz Matheus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sites\/default\/files\/usu_doc\/sites\/dmae\/RELATORIO_TECNICO_06_2022.pdf\">\u00faltimo relat\u00f3rio t\u00e9cnico do DMAE<\/a> sobre a condi\u00e7\u00f5es de balneabilidade do Lago Gua\u00edba, apenas cinco pontos na zona sul est\u00e3o pr\u00f3prios para banho:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-13 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-12 wp-block-column\">\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/embed?mid=1tehRrfkHTtdb_KGlGUnutypNTZ8g8D7J&amp;ehbc=2E312F\" width=\"100%\" height=\"480\"><\/iframe>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2><strong>OUTRAS FORMAS DE SE RELACIONAR<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A maior parte da rela\u00e7\u00e3o que se tem com o Gua\u00edba atualmente \u00e9 a partir do conhecimento da sua import\u00e2ncia para o abastecimento h\u00eddrico e de sua beleza como um cart\u00e3o postal da cidade.&nbsp; \u201cEu acho que essa rela\u00e7\u00e3o de estarmos presentes e sermos pertencentes ao lugar que n\u00f3s moramos e somos banhados \u00e9 muito importante at\u00e9 para a sobreviv\u00eancia\u201d, afirma Cleonice. E a constru\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o com o lago n\u00e3o necessariamente precisa vir do banho. O uso das \u00e1guas para outras fun\u00e7\u00f5es, como locomo\u00e7\u00e3o ou lazer, j\u00e1 podem aos poucos fazer com que a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento aumente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente,  uma tentativa de retomada de aproxima\u00e7\u00e3o com o rio vem do Catamar\u00e3. O transporte, que havia sido desativado com a inaugura\u00e7\u00e3o da Ponte do Gua\u00edba em 1958, faz, desde 2011, a travessia do Cais do Porto, no centro de Porto Alegre, para a zona sul \u2013 pr\u00f3ximo ao Barra Shopping \u2013 e para o munic\u00edpio de Gua\u00edba. Para o pesquisador Leonardo, esse \u00e9 um resgate importante: \u201cA gente foi construindo pontes cada vez maiores e cada vez mais longe para dar conta disso [<em>da locomo\u00e7\u00e3o<\/em>]. E isso n\u00e3o depende da polui\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais como se perd\u00eassemos mesmo uma liga\u00e7\u00e3o afetiva com o Gua\u00edba, e perceber que poder\u00edamos usufruir do lago de uma outra forma&#8221;, conclui Leonardo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vale lembrar que nem tudo est\u00e1 perdido. Em rela\u00e7\u00e3o ao lago, seria necess\u00e1rio uma maior fiscaliza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias, um controle maior de drenagem urbana e o tratamento correto do esgoto. Mas, de acordo com Leonardo, h\u00e1 um trabalho de monitoramento sendo feito que n\u00e3o existia h\u00e1 algumas d\u00e9cadas e que j\u00e1 melhorou as condi\u00e7\u00f5es do Gua\u00edba. &#8220;A gente olha hoje em dia e pensa muito &#8216;ah, t\u00e1 muito polu\u00eddo, nunca esteve pior&#8217;, mas a realidade \u00e9 que ele j\u00e1 esteve pior. O Gua\u00edba est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o complicada e ruim, mas ele vem melhorando&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7172\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/20_-Como_...prejudicar-a-biodiversidade_BetinaNilsson-1.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Bettina Nilson<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o unidas por suas viv\u00eancias coletivas. \u00c9 comum as pessoas que nasceram num mesmo per\u00edodo de tempo possu\u00edrem lembran\u00e7as parecidas, bem como compartilharem mem\u00f3rias da juventude atrav\u00e9s de m\u00fasicas, filmes e recordando de locais que frequentavam. Mas se nossas refer\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente v\u00e3o sempre ganhando novas perspectivas, como buscar uma solu\u00e7\u00e3o ou entender que algumas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, na verdade, problemas ambientais?\u00a0E quando nossas refer\u00eancias se v\u00e3o, aos poucos, quem sobra pra contar das mem\u00f3rias e o que sobra de mem\u00f3rias?\u00a0 Para que essas refer\u00eancias n\u00e3o se percam, \u00e9 necess\u00e1rio que exista uma educa\u00e7\u00e3o ambiental para as crian\u00e7as e os jovens, bem como a valoriza\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o das pesquisas cient\u00edficas. O trabalho a ser feito \u00e9 constante e longo, mas, se prestarmos aten\u00e7\u00e3o desde agora, podemos tentar frear a amn\u00e9sia geracional para, quem sabe, um dia as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es conseguirem voltar a tomar banho no Gua\u00edba. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-16 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-14 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-15 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/vitimas-do-clima\/\">V\u00edtimas do clima:<\/a> <\/strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se tornam um novo fator para o aumento da desigualdade<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/gentrificacao-4-distrito\/\"><strong>Se este corte de cabelo aparecer no seu bairro, pode crer que o aluguel ir\u00e1 subir:<\/strong> <\/a>o fen\u00f4meno da gentrifica\u00e7\u00e3o<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como proteger e cuidar daquilo que j\u00e1 foi esquecido? 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