{"id":718,"date":"2020-11-23T18:45:19","date_gmt":"2020-11-23T21:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=718"},"modified":"2020-11-23T17:07:33","modified_gmt":"2020-11-23T20:07:33","slug":"recarregando-as-energias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/recarregando-as-energias\/","title":{"rendered":"Recarregando As Energias"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p><strong>Comparado \u00e0 antiga rotina, o per\u00edodo de isolamento faz com que nossas energias sejam gastas muito mais rapidamente. No entanto, existem diversas maneiras para recuper\u00e1-las dentro de casa<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><strong><sup>REPORTAGEM<br><\/sup>Marcelle Marichal<br><\/strong><em>marichalmarcelle@gmail.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><strong><sup>ILUSTRA\u00c7\u00c3O<br><\/sup>Melissa Terres<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">No \u00faltimo dia em que abriu, a pizzaria que fica abaixo do meu apartamento nunca esteve t\u00e3o vazia. Era a terceira semana de mar\u00e7o, e a maioria dos locais de trabalho estavam interrompendo suas atividades ou adaptando-as para o <em>home office<\/em>. A popula\u00e7\u00e3o ficou receosa demais para sair de casa, e os clientes da pizzaria preferiram deixar o rod\u00edzio para quando tudo estivesse mais calmo. O sil\u00eancio no restaurante era at\u00edpico. At\u00e9 a semana anterior, a energia do local era renovada com o movimento: lotado de fam\u00edlias cantando parab\u00e9ns ao comemorar anivers\u00e1rios, casais se encontrando e grupos de amigos compartilhando momentos. E todo esse movimento era mais que suficiente para cobrir os gastos.<\/p>\n\n\n\n<p>O dono do local decidiu encerrar temporariamente as atividades no dia 21 de mar\u00e7o, depois de n\u00e3o receber quase nenhum cliente por tr\u00eas dias consecutivos \u2014 incluindo a sexta-feira, o dia da semana em que pessoas faziam filas fora do estabelecimento aguardando que mais mesas fossem liberadas. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi tornar o local um ponto de tele-busca para conseguir pagar os funcion\u00e1rios que n\u00e3o foram afastados. O pouco lucro conseguiu pagar as contas de \u00e1gua e luz do m\u00eas de abril, mas o dinheiro n\u00e3o seguraria as pontas at\u00e9 julho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"673\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-1024x673.jpg\" alt=\"Placas solares. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-496\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-1024x673.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-768x505.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-1536x1009.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-2048x1346.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/HorizontalPlacasSolares_marcellemarichal_arquivopessoal-1568x1030.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Na janela que inspirou a reportagem, \u00e9 poss\u00edvel ver os pain\u00e9is solares, que cobrem o telhado da pizzaria e que resolveram o problema de energia do estabelecimento | Foto: Marcelle Marichal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Numa segunda-feira de maio, notei, ao olhar pela janela da cozinha, uma movimenta\u00e7\u00e3o no extenso telhado da pizzaria. Duas pessoas deixavam sobre ele materiais que pareciam paredes pretas envidra\u00e7adas e muitas barras de ferro. Dias depois, a constru\u00e7\u00e3o tomou forma, e o telhado estava coberto por pain\u00e9is solares. Uma solu\u00e7\u00e3o bem pensada para o problema de energia, j\u00e1 que o restaurante ficava em um local privilegiado e recebia muito sol. No fim, isso reduziu em 60% o valor da conta de luz do estabelecimento, como me contou o propriet\u00e1rio. Se at\u00e9 um restaurante sofreu problemas de falta de energia no isolamento, o que sobrou para as pessoas, que possuem muito mais fragilidades?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p><strong>\u201cSou um tipo de pessoa que n\u00e3o pode ficar parada de jeito nenhum, eu tenho ansiedade, e o exerc\u00edcio me ajuda a externalizar isso\u201d&nbsp;<\/strong><\/p><cite><strong>GIULIA MINUZZO<\/strong>, estudante de filosofia<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A estudante de filosofia Giulia Minuzzo, 20 anos,&nbsp; conta que tentou continuar fazendo exerc\u00edcios em casa assim que as academias de Porto Alegre fecharam. \u201cSou um tipo de pessoa que n\u00e3o pode ficar parada de jeito nenhum, eu tenho ansiedade, e o exerc\u00edcio me ajuda a externalizar isso.\u201d Giulia, que antes frequentava uma academia, passou a assistir a v\u00eddeos no Youtube com dicas para se exercitar e n\u00e3o perder o costume de se movimentar. Ela relata que construiu uma rotina de atividades f\u00edsicas, na qual se comprometeu a se exercitar no m\u00ednimo tr\u00eas vezes por semana. Ao longo dos meses, a estudante testou diversos tipos de exerc\u00edcio at\u00e9 encontrar o yoga, atividade que passou a realizar antes de dormir.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/giuliaminuzzo_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg\" alt=\"Estudante fazendo yoga. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-495\" width=\"388\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/giuliaminuzzo_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 984w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/giuliaminuzzo_marcellemarichal_arquivopessoal-300x248.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/giuliaminuzzo_marcellemarichal_arquivopessoal-768x635.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><figcaption>A estudante Giulia passou a praticar yoga antes de dormir | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Giulia teve certa relut\u00e2ncia no in\u00edcio, n\u00e3o acreditou que conseguiria realizar os movimentos nem que o yoga a faria se sentir mais leve. Ela s\u00f3 decidiu dar uma chance para a atividade ap\u00f3s seu namorado, praticante de yoga, lhe ensinar algumas posi\u00e7\u00f5es. \u201cEu passei a fazer sempre antes de dormir, pelo menos por uns dez minutinhos, movimentos b\u00e1sicos, e as minhas noites de sono acabaram sendo bem mais prazerosas.\u201d Ela relata que seu sono estava desregulado desde a adolesc\u00eancia e havia piorado ainda mais durante o isolamento, pois passou a dormir de madrugada e acordar muito tarde: \u201cAcho que isso aconteceu por eu n\u00e3o ter obriga\u00e7\u00f5es para hor\u00e1rios espec\u00edficos. Na quarentena \u00e9 tudo muito livre, em aberto, ent\u00e3o tu n\u00e3o sabe exatamente o que tu pode ou n\u00e3o pode fazer, e essa confus\u00e3o pode acarretar um sentimento de que tu n\u00e3o precisa fazer nada, ent\u00e3o tu n\u00e3o vai fazer nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A educadora f\u00edsica p\u00f3s-graduada em medicina esportiva Laura Maciel afirma que durante a quarentena \u00e9 muito comum as pessoas se depararem com uma desorganiza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios. Segundo ela, se empenhar em manter uma rotina estabelecida de exerc\u00edcios auxilia muito na organiza\u00e7\u00e3o da mente. \u201cQuando tu tem uma pr\u00e1tica regular de atividade f\u00edsica, isso te d\u00e1 um norte. Quando tu reserva um hor\u00e1rio do teu dia para fazer atividade f\u00edsica em casa, tu tem algo que ajuda a organizar essa rotina.\u201d Al\u00e9m de os exerc\u00edcios auxiliarem Giulia na reorganiza\u00e7\u00e3o de seus hor\u00e1rios, agora ela tamb\u00e9m consegue recarregar sua energia com uma boa noite de sono. Essa for\u00e7a a ajudou at\u00e9 mesmo a aprender a tocar instrumentos como ukulele e viol\u00e3o, atividades que sempre teve interesse em iniciar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ukulelegiulia_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg\" alt=\"Ukelele. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-499\" width=\"412\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ukulelegiulia_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 640w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ukulelegiulia_marcellemarichal_arquivopessoal-300x292.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><figcaption>Giulia aprendeu a tocar ukulele durante o per\u00edodo de isolamento | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>No entanto, a estudante de filosofia relata que sua energia era sugada cada vez mais r\u00e1pido conforme o tempo de isolamento passava. Por volta do terceiro m\u00eas, ela recebeu o baque de perceber que n\u00e3o sabia quando isso tudo acabaria, o que a fez se sentir limitada e presa. \u201cEu me travei total, perdi a inspira\u00e7\u00e3o de fazer as coisas. A\u00ed a ansiedade veio com tudo, fiquei deitada, sem vontade de fazer nada, energia totalmente sugada s\u00f3 com pensamentos.\u201d Depois de duas semanas vivendo a fase, Giulia conta que, ap\u00f3s diversos momentos de reflex\u00e3o, conseguiu a for\u00e7a necess\u00e1ria para recarregar suas energias novamente: \u201cContinuando assim, eu teria tend\u00eancia a piorar, ent\u00e3o resolvi voltar aos poucos, respeitando as minhas limita\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Reinventar a Rotina<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga e mestre em psicologia social Ana Paula Eid considera de extrema import\u00e2ncia focar na organiza\u00e7\u00e3o da rotina. \u201cEm tempos de pandemia e de transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante que as pessoas ocupem o seu tempo com atividades produtivas, como realizar algum tipo de atividade f\u00edsica, meditar, manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, aquarela, croch\u00ea, entre outras atividades.\u201d O isolamento imposto para prevenir a contamina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus pode trazer v\u00e1rias consequ\u00eancias no emocional das pessoas. A psic\u00f3loga afirma que os impactos negativos podem ser diversos: estresse agudo, humor deprimido, irritabilidade, sono desregulado, exaust\u00e3o emocional, nervosismo, medo, raiva, ansiedade e outras preocupa\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 preciso ficar atento para que esses impactos n\u00e3o tragam consequ\u00eancias a sua sa\u00fade\u201d, diz a profissional. Ela tamb\u00e9m menciona que o per\u00edodo da quarentena n\u00e3o \u00e9 nada confort\u00e1vel, por isso \u00e9 preciso se reinventar e adotar h\u00e1bitos que favore\u00e7am o bem estar; e que ater-se a atividades que se gosta de fazer \u00e9 uma sa\u00edda muito mais vi\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"774\" height=\"784\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/danielistacke_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg\" alt=\"Danieli e seus amigurumis. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-494\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/danielistacke_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 774w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/danielistacke_marcellemarichal_arquivopessoal-296x300.jpeg 296w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/danielistacke_marcellemarichal_arquivopessoal-768x778.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><figcaption>Danieli voltou a construir bonecos em amigurumis, uma t\u00e9cnica japonesa de fazer croch\u00ea, quando seu contrato de trabalho foi encerrado durante a pandemia | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para recarregar suas energias nesta quarentena, a estudante de biologia Danieli Stacke, 23 anos, que vive em Gravata\u00ed, optou por retomar o antigo h\u00e1bito de crochetar, heran\u00e7a de ambos os lados de sua fam\u00edlia: tanto sua bisav\u00f3 paterna quanto sua av\u00f3 materna praticavam o trabalho manual. Anos atr\u00e1s, quando a bisav\u00f3 de Danieli faleceu, a estudante herdou todos os seus materiais de croch\u00ea. O processo de aprendizado foi t\u00e3o cansativo que ela desistiu por alguns meses. Em 2018, ao navegar pelo Twitter, Danieli encontrou uma foto do personagem de desenho japon\u00eas Pikachu feito em amigurumi, uma t\u00e9cnica japonesa para criar pequenos bonecos de croch\u00ea. Com isso, ela se apaixonou pelo estilo do artesanato e decidiu focar seus aprendizados nesse m\u00e9todo. \u201cO amigurumi \u00e9 bem diferente de fazer tapetes, toucas e outras coisas que se costuma fazer no croch\u00ea\u201d, afirma ela. O croch\u00ea tradicional \u00e9 feito na forma plana, em 2D, enquanto os amigurumis s\u00e3o tridimensionais. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 grandes diferen\u00e7as na maneira de crochetar, pois a forma tradicional \u00e9 feita em carreiras, enquanto o amigurumi \u00e9 constru\u00eddo em c\u00edrculos, com as linhas interligadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/amigurumis_marcellemarichal_arquivopessoal.png\" alt=\"Amigurumis. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-492\" width=\"369\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/amigurumis_marcellemarichal_arquivopessoal.png 635w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/amigurumis_marcellemarichal_arquivopessoal-300x178.png 300w\" sizes=\"(max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><figcaption>Amigurumis constru\u00eddos pela estudante de biologia | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Depois de ser contratada em um novo emprego em 2019, a estudante ficou sem tempo para se dedicar \u00e0 atividade. Danieli retornou a construir amigurumis durante a quarentena, ap\u00f3s seu contrato ser encerrado em abril. Ela reconhece a import\u00e2ncia da atividade nesse per\u00edodo de isolamento: \u201cAjuda muito. Tu te distrai e v\u00ea algo t\u00e3o bonitinho tomando forma, a\u00ed termina e percebe que foi tu que fez aquela coisa mais fofa, \u00e9 muito bom. N\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o quando tu v\u00ea pronto. Acho que se eu n\u00e3o soubesse fazer os amigurumis, eu ia acabar ficando s\u00f3 no computador, e meus hor\u00e1rios estariam bem mais desregulados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p><strong>\u201cNa aquarela tu tem que mexer no pincel, tem que pegar \u00e1gua, se molha, se suja de tinta, \u00e9 uma coisa que te tira um pouco da frente das telas\u201d<\/strong><\/p><cite><strong>PAOLA CRESCENCIO<\/strong>, estudante de medicina&nbsp;<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/paolacrescencio_marcellemarichal_arquivopessoal-768x1024.jpeg\" alt=\"Paola e suas cria\u00e7\u00f5es. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-498\" width=\"652\" height=\"869\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/paolacrescencio_marcellemarichal_arquivopessoal-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/paolacrescencio_marcellemarichal_arquivopessoal-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/paolacrescencio_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 864w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><figcaption>Paola diz que pintar com aquarela recarrega sua energia durante a quarentena | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como Danieli, a estudante de medicina Paola Crescencio, 24 anos, de Porto Alegre, retomou um h\u00e1bito que a faz se sentir realizada. A hist\u00f3ria da jovem com a aquarela come\u00e7ou no ano passado, quando seu irm\u00e3o a presenteou com um estojo das tintas. Na \u00e9poca, ela vivia o seu quarto ano de cursinho preparat\u00f3rio para o vestibular. \u201cEra bem estressante. Era um lugar que eu n\u00e3o gostava de estar, l\u00e1 eu aprendia sempre as mesmas coisas, e foi bom ter um objeto de estudo diferente.\u201d Depois de conseguir entrar em medicina, Paola teve momentos de desconex\u00e3o com a aquarela devido \u00e0 rotina cheia. No entanto, al\u00e9m de proporcionar mais tempo livre, o cansativo per\u00edodo do isolamento despertou na estudante a necessidade de voltar \u00e0s aquarelas. Ela relata que, quando as aulas online come\u00e7aram, o que sugava sua energia era a quantidade de tempo passada em frente \u00e0 tela do computador. \u201cE na aquarela tu tem que mexer no pincel, tem que pegar \u00e1gua, se molha, se suja de tinta, \u00e9 uma coisa que te tira um pouco da frente das telas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/aquarelas_marcellemarichal_arquivopessoal-1024x768.jpeg\" alt=\"Aquarelas. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-493\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/aquarelas_marcellemarichal_arquivopessoal-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/aquarelas_marcellemarichal_arquivopessoal-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/aquarelas_marcellemarichal_arquivopessoal-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/aquarelas_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 1152w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Aquarelas prontas, pintadas pela estudante de medicina | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Paola, a arte das aquarelas vai muito al\u00e9m da beleza. Segundo a estudante, a t\u00e9cnica requer abrir m\u00e3o de boa parte do controle por ser uma tinta que se dissolve na \u00e1gua e se espalha sozinha. \u201cA aquarela sempre vai ficar um pouco mais livre do que tu espera. Eu acho que isso \u00e9 como uma met\u00e1fora pra vida, saber que tu n\u00e3o vai ter tanto controle.\u201d A atividade tamb\u00e9m requer muita paci\u00eancia, j\u00e1 que a pintura, feita em camadas, n\u00e3o depende s\u00f3 do artista para ficar pronta. H\u00e1 o processo de esperar a tinta secar entre uma camada e outra, o que \u00e9 muito influenciado pelo clima. \u201cTudo isso torna a atividade muito terap\u00eautica e revigorante\u201d, reconhece a estudante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre come\u00e7ar novas atividades, a educadora f\u00edsica Laura refor\u00e7a: \u201cO amanh\u00e3 de ontem \u00e9 hoje. \u00c9 agora, n\u00e3o deixa pra depois.\u201d Nessa quarentena, olhar pra si e dedicar um tempo de autocuidado, seja ele qual for, recupera energias e \u00e9 saud\u00e1vel emocionalmente. Sejam exerc\u00edcios, pinturas ou artesanatos, o importante \u00e9, assim como fazem os pain\u00e9is solares da pizzaria, otimizar o gasto de energia do corpo e da mente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"755\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janelapaola_marcellemarichal_arquivopessoal-755x1024.jpeg\" alt=\"Foto na janela. Pauta Marcelle Marichal.\" class=\"wp-image-497\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janelapaola_marcellemarichal_arquivopessoal-755x1024.jpeg 755w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janelapaola_marcellemarichal_arquivopessoal-221x300.jpeg 221w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janelapaola_marcellemarichal_arquivopessoal-768x1042.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janelapaola_marcellemarichal_arquivopessoal.jpeg 848w\" sizes=\"(max-width: 755px) 100vw, 755px\" \/><figcaption> Paola tira um tempo do dia para si e realiza pinturas em aquarela em sua janela | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comparado \u00e0 antiga rotina, o per\u00edodo de isolamento faz com que nossas energias sejam gastas muito mais rapidamente. 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