{"id":7376,"date":"2022-05-18T16:01:43","date_gmt":"2022-05-18T19:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=7376"},"modified":"2022-05-18T18:29:26","modified_gmt":"2022-05-18T21:29:26","slug":"quem-nunca-sofreu-por-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/quem-nunca-sofreu-por-amor\/","title":{"rendered":"Quem nunca sofreu por amor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Ningu\u00e9m gosta de ser esquecido e todo mundo j\u00e1 quis esquecer algu\u00e9m a todo custo. Esses dois fen\u00f4menos que marcam o final de relacionamento podem ser pensados dentro da l\u00f3gica de consumo, caracter\u00edstica da sociedade e das rela\u00e7\u00f5es que fazem parte dela. Al\u00e9m disso, tocam em pontos importantes como rejei\u00e7\u00e3o e responsabilidade afetiva. Sem falar de ideais heterosexistas e expectativas monog\u00e2micas com as quais estamos acostumados. Independente de qual for o arranjo das rela\u00e7\u00f5es, o caminho \u00e9 assumir as contradi\u00e7\u00f5es inerentes do ser humano.<\/p>\n\n\n\n<h2>O que h\u00e1 de novo nas diverg\u00eancias da vida amorosa<\/h2>\n\n\n\n<p>O filme <em>Ele N\u00e3o Est\u00e1 T\u00e3o a Fim de Voc\u00ea <\/em>est\u00e1 para as com\u00e9dias rom\u00e2nticas assim como <em>Mercen\u00e1rios <\/em>est\u00e1 para filmes de a\u00e7\u00e3o. Dirigido por Ken Kwapis, o longa tem um elenco repleto de nomes conhecidos do subg\u00eanero cinematogr\u00e1fico, como Jennifer Aniston, Bradley Cooper, Drew Barrymore, Ben Affleck e por a\u00ed vai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gigi, personagem de Ginnifer Goodwin, est\u00e1 \u00e0 procura de um grande amor. Encontro ap\u00f3s encontro, ela tem as expectativas frustradas e n\u00e3o entende por que os homens somem no dia seguinte. O filme \u00e9 de 2009 e as semanas que a personagem passa \u00e0 espera de um telefonema s\u00e3o hoje uma mensagem lida e n\u00e3o respondida ou um <em>block <\/em>nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ghosting <\/em>\u00e9 um termo que ganhou <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/12\/151206_ghosting_relacionamentos_fn\">popularidade<\/a> nos \u00faltimos anos e foi eleito em 2015 como uma das palavras do ano pelo dicion\u00e1rio brit\u00e2nico Collins. Imagine que voc\u00ea est\u00e1 se relacionando com algu\u00e9m que acabou de conhecer, mas j\u00e1 tem alguma intimidade. De repente, essa pessoa desaparece. \u201cUm projeto, um plano ou uma expectativa de vida comum \u00e9 brutalmente interrompida por uma falta de not\u00edcias, falta de explica\u00e7\u00f5es, por uma falta de justificativas\u201d, resume Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, em <a href=\"https:\/\/youtu.be\/93FoE9Adr_Y\">v\u00eddeo<\/a> publicado no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cEu n\u00e3o gosto do termo <em>ghosting<\/em>. N\u00e3o faz sentido pra mim. A gente importou a toa. A l\u00edngua portuguesa \u00e9 t\u00e3o rica que j\u00e1 tinha um termo para <em>ghosting <\/em>antes, que \u00e9 \u2018sumir\u2019\u201d<\/p><cite><strong>LAURINHA LERO<\/strong>, podcaster<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para muitas pessoas, o <em>ghosting <\/em>\u00e9 uma maneira cruel de acabar com relacionamentos na era digital. \u201cN\u00e3o desapare\u00e7a, isso deixa um passivo em quem ficou do outro lado que \u00e9 semelhante, fazendo uma compara\u00e7\u00e3o um pouco for\u00e7ada, mas semelhante aos afetos que a gente tem quando algu\u00e9m se suicida\u201d, comenta Dunker. \u201c\u00c9 uma pergunta massiva que vem do outro em termos de o que voc\u00ea quer de mim, o que eu n\u00e3o pude te oferecer pra voc\u00ea ir embora e n\u00e3o ficar aqui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga, todavia, que o <em>ghosting<\/em>, ou melhor, o sumi\u00e7o, \u00e9 o mais nobre presente de despedida. \u201cEu n\u00e3o gosto do termo <em>ghosting<\/em>. N\u00e3o faz sentido pra mim. A gente importou a toa. A l\u00edngua portuguesa \u00e9 t\u00e3o rica que j\u00e1 tinha um termo para <em>ghosting <\/em>antes, que \u00e9 \u2018sumir\u2019\u201d, contesta Laurinha Lero no podcast \u201cRespondendo em Voz Alta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Laurinha argumenta que \u201csumi\u00e7o\u201d \u00e9 um termo muito mais apto, porque <em>ghosting <\/em>\u00e9 um verbo que vem de <em>ghost<\/em>, que significa fantasma em ingl\u00eas. Fantasma \u00e9 algu\u00e9m morto que continua por perto muito depois de quando era pra ele ter ido embora, ou seja, o contr\u00e1rio de quando algu\u00e9m some de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo e psicanalista Lucas Bulamah ouviu o podcast de Laurinha Lero e tamb\u00e9m acha que <em>ghosting <\/em>\u00e9 um termo ruim. \u201cSe a gente fosse pensar no termo em portugu\u00eas, sumi\u00e7o, o <em>ghosting<\/em> n\u00e3o \u00e9 exatamente um fen\u00f4meno contempor\u00e2neo. Lembro de quando comecei a minha vida amorosa e n\u00e3o era incomum as pessoas sumirem do nada. Especialmente aquela com quem voc\u00ea n\u00e3o convivia. Mas eu acho que no <em>ghosting<\/em>, o que h\u00e1 de mais contempor\u00e2neo nesse fen\u00f4meno \u00e9 o fato das pessoas se encontrarem em redes que s\u00e3o destacadas da vida cotidiana, como o Tinder e outros aplicativos.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Doutor em Psicologia Cl\u00ednica pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (IPUSP), Bulamah diz que antes as pessoas tinham uma vida comunit\u00e1ria um pouco mais restrita e intensa no sentido de se encontrarem no dia a dia. Segundo a sua percep\u00e7\u00e3o, era mais f\u00e1cil as pessoas se encontrarem em contextos sociais,&nbsp; at\u00e9 porque normalmente frequentavam os mesmos lugares. Ent\u00e3o, aquele que queria \u201csumir\u201d tinha que dar uma satisfa\u00e7\u00e3o do porque n\u00e3o estar nem olhando o outro na cara. \u201cHoje, n\u00e3o. Como as redes de paquera ficaram mais intensificadas e numerosas, do mesmo jeito que \u00e9 mais f\u00e1cil as pessoas virem, se juntarem, \u00e9 mais f\u00e1cil as pessoas irem embora. E sem darem muita satisfa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O psicanalista n\u00e3o acredita que os aplicativos em si modifiquem o padr\u00e3o da nossa aproxima\u00e7\u00e3o amorosa, ou da constru\u00e7\u00e3o de intimidade. \u201cOs aplicativos s\u00e3o um sintoma do avan\u00e7o do sujeito neoliberal e da tecnologia somados\u201d, pontua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo em que vivemos, a l\u00f3gica de trabalho est\u00e1 cada vez mais intensa e as pessoas cada vez mais sozinhas. \u201cAs pessoas podem se conectar mais r\u00e1pido, mais intensamente e menos extensamente. A pandemia iluminou um pouco do tanto que os aplicativos funcionam. Do mesmo jeito que nossas rela\u00e7\u00f5es mais presentes ficaram mais afastadas, por causa do medo do cont\u00e1gio, as rela\u00e7\u00f5es mais virtuais acabaram ficando mais intensificadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2>Namorar em tempo de entregas gr\u00e1tis aos finais de semana<\/h2>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, a pessoa que interrompe as respostas some, por outro lado, a outra pessoa que \u00e9 descartada frequentemente espera uma resposta t\u00e3o imediata quanto a demanda dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bulamah explica que o assunto pode ser analisado partindo de um aspecto da l\u00f3gica do consumo. Por exemplo, o consumo atualmente est\u00e1 organizado de uma forma que as compras podem ser entregues \u00e0 nossa porta na hora que a gente quiser, inclusive aos finais de semana. Da mesma maneira, segundo o psicanalista, h\u00e1 uma certa expectativa de que o outro esteja de prontid\u00e3o para responder \u00e0s nossas demandas o tempo todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel pensar o <em>ghosting <\/em>como falha de quem o pratica, mas tamb\u00e9m da pessoa que exige uma resposta imediata o tempo todo. \u201cDa mesma maneira que h\u00e1 mais solid\u00e3o das pessoas na contemporaneidade, vamos dizer assim, a vida comunit\u00e1ria est\u00e1 cada vez mais prec\u00e1ria, as pessoas exigem de chamamentos ou de novas rela\u00e7\u00f5es uma resposta bastante imediata, que muitas vezes acaba sendo invi\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"673\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta_-esquecimento-nos-relacionamentos-afetivos-1024x673.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7386\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta_-esquecimento-nos-relacionamentos-afetivos-1024x673.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta_-esquecimento-nos-relacionamentos-afetivos-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta_-esquecimento-nos-relacionamentos-afetivos-768x505.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pauta_-esquecimento-nos-relacionamentos-afetivos.jpg 1245w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Denise Moraes Costa<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2>O terreno das rela\u00e7\u00f5es \u00e9 o terreno das contradi\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Era quinta-feira \u00e0 noite quando conversei com Milena* pelo telefone. Ela atendeu a chamada de v\u00eddeo sentada em uma cadeira de escrit\u00f3rio com um gatinho branco com manchas cinzas no seu colo. Enquanto Milena falava por que decidiu dar um tempo nos aplicativos de namoro, o bicho insistia em subir no seu ombro se agarrando nas tran\u00e7as box braids do seu cabelo. \u201cResgatei ele da rua\u201d, comentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria dela come\u00e7a com um match no aplicativo. O flerte evoluiu e ele a chamou para conversar em outra rede social. Ent\u00e3o combinaram de sair. Durante quatro meses, frequentaram um a casa do outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Milena \u00e9 de Pernambuco, mas est\u00e1 morando temporariamente na Para\u00edba. Ela \u00e9 professora de um Insituto Federal e cursa doutorado. Concentrada na reda\u00e7\u00e3o da sua tese, nem notou quando a rela\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a esfriar. Em seguida, o distanciamento ficou mais evidente. At\u00e9 que um dia escreveu uma mensagem ao cara, comentando que ele havia deixado algumas roupas na casa dela. Ele respondeu que as roupas poderiam ficar com ela e disse: \u201cQuem sabe no futuro a gente possa conversar sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, Milena viu na rede social do rapaz que ele estava com outra mo\u00e7a, que ela acredita ser uma ex-namorada. Sem mais explica\u00e7\u00f5es, Milena suspeita que essa rea\u00e7\u00e3o dele teve a ver com o fato de, naquela \u00e9poca, ela estar se mudando de cidade, em fun\u00e7\u00e3o das atividades acad\u00eamicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a rela\u00e7\u00e3o entre os dois n\u00e3o chegou a ser monog\u00e2mica, Milena ficou incomodada com o gesto do rapaz e concluiu que ele n\u00e3o merecia mais a sua aten\u00e7\u00e3o. Por isso desfez a amizade e o removeu de suas redes sociais. S\u00f3 que para a sua surpresa, ele teve a ousadia de pedir pra ela o seguir novamente. Foi quando resolveu desabafar no seu microblog. \u201cJ\u00e1 me magoei demais\u201d, escreveu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Milena entende que esse n\u00e3o \u00e9 um caso isolado e acontece com frequ\u00eancia. \u201cN\u00e3o me coloco no lugar de v\u00edtima, porque da mesma forma poderia ter sido eu.\u201d Pergunto se mais transpar\u00eancia desde o in\u00edcio do relacionamento ajudaria ela a se sentir melhor. A doutoranda pernambucana conta que j\u00e1 se relacionou com caras que foram sinceros e explicaram o motivo de colocar um ponto final na rela\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o sabe dizer se uma justificativa \u00e9 melhor ou n\u00e3o, porque entende que a dor \u00e9 outra. \u201cMe sentiria rejeitada da mesma maneira\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2>Responsabilidade afetiva \u00e9 um caminho enganoso<\/h2>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o talvez seja o ponto fundamental da discuss\u00e3o. O psicanalista Bulamah enxerga uma tentativa, principalmente em setores da sociedade posicionados ideologicamente \u00e0 esquerda, de purificar o vocabul\u00e1rio e as rela\u00e7\u00f5es de aspectos negativos. Ent\u00e3o, segundo o psicanalista, surge um termo bastante enganoso, que \u00e9 a responsabilidade afetiva. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201c\u00c9 importante assumir as contradi\u00e7\u00f5es, a falta de transpar\u00eancia,  os sil\u00eancios, porque o pedido da total transpar\u00eancia afetiva, que seria o contr\u00e1rio do ghosting, \u00e9 um pedido imposs\u00edvel para seres humanos\u201d<\/p><cite><strong>LUCAS BULAMAH<\/strong>, psic\u00f3logo, psicanalista e doutor em Psicologia Cl\u00ednica pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (IP-USP)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 responsabilidade afetiva? \u00c9 tentar deixar tudo \u00e0s claras? No entendimento do psicanalista, o final de uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre complicado para os dois lados. \u00c0s vezes, mais para um lado do que para outro, mas sempre doloroso. O t\u00e9rmino implica n\u00e3o s\u00f3 a rejei\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m raiva, solid\u00e3o e ressentimento. E isso tudo n\u00e3o \u00e9 capaz de ser purificado, afinal, faz parte das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante assumir as contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 importante assumir a falta de transpar\u00eancia, \u00e9 importante assumir os sil\u00eancios, porque o pedido da total transpar\u00eancia afetiva, que seria o contr\u00e1rio do ghosting, \u00e9 um pedido imposs\u00edvel para seres humanos\u201d, considera Bulamah.<\/p>\n\n\n\n<p>O psicanalista lembra de um postulado trans-hist\u00f3rico da psicologia, que \u00e9: \u201ctemos um inconsciente, portanto somos contradit\u00f3rios\u201d. E segue o racioc\u00ednio: \u201cn\u00e3o \u00e9 todo mundo que consegue ser honesto o tempo todo no sentido de ser transparente para o outro em rela\u00e7\u00e3o aos seus limites em rela\u00e7\u00e3o ao seus desejos e contradi\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 que quando as rela\u00e7\u00f5es acabam, seja por sumi\u00e7o ou outro motivo, geralmente a exig\u00eancia de responsabilidade afetiva \u00e9 colocada na pessoa que est\u00e1 rejeitando, que n\u00e3o quer continuar uma rela\u00e7\u00e3o. Na verdade, conforme aponta o psicanalista, o trabalho emocional tamb\u00e9m deve ser feito pela pessoa que est\u00e1 sendo rejeitada tamb\u00e9m. \u201c\u00c9 como se a pessoa que est\u00e1 sendo rejeitada dissesse, no limite, que voc\u00ea n\u00e3o pode me rejeitar. Voc\u00ea tem que fazer isso de um jeito t\u00e3o elegante, t\u00e3o claro, pouco suspeitoso, t\u00e3o transparente ao ponto de eu n\u00e3o me sentir rejeitado, ou seja, a pessoa que rejeitou acaba sendo pintada como o vil\u00e3o da hist\u00f3ria, como uma pessoa que tinha que ter feito um trabalho emocional que a outra pessoa devia ter feito\u201d, revela Bulamah.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entre-as-memorias-lembrar-pelos-sentidos\/\"><\/a><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\">Doen\u00e7a do s\u00e9culo?<\/a><\/strong>&nbsp;<\/strong>Por que haver\u00e3o cada vez mais pessoas deprimidas<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/depois-do-fim\/\">Depois do fim:<\/a><\/strong>&nbsp;o futuro das rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e1 uma grande inc\u00f3gnita, mesmo com as constantes adapta\u00e7\u00f5es<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h2>O que n\u00e3o te contaram sobre a vida de solteiro<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dez anos em um relacionamento fechado com o namorado que conheceu no col\u00e9gio, Jessica Amaral, 31, encontrou na vida de solteira um grande desafio. \u201cN\u00e3o tinha muita consci\u00eancia de como funcionava. J\u00e1 estava num <em>modus operandi<\/em> h\u00e1 muito tempo. A\u00ed comecei a lidar com as coisas de uma forma ruim, como eu lidava dentro do relacionamento. Ent\u00e3o eu fui perceber que nas rela\u00e7\u00f5es casuais n\u00e3o havia essa abertura\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>O final do relacionamento de J\u00e9ssica ainda coincidiu com o in\u00edcio da pandemia de coronav\u00edrus. Em um primeiro momento, a fot\u00f3grafa, que mora em Belo Horizonte, n\u00e3o p\u00f4de sair normalmente e saber como \u00e9 o flerte ao vivo. \u201cBaixei os aplicativos de conversa, pelo menos nesse sentido as pessoas estavam dispostas a conversar, porque todo mundo estava isolado tamb\u00e9m. Mas depois que foi flexibilizando e fui encontrando as pessoas de fato e a\u00ed era muito diferente a troca no ao vivo\u201d, conta a fot\u00f3grafa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, ela foi percebendo que as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o duravam. Manter uma const\u00e2ncia em um novo relacionamento casual, segundo J\u00e9ssica, envolve v\u00e1rios fatores, como tempo, prioridades e dist\u00e2ncia.&nbsp; &#8220;Para manter um relacionamento longo tem que ter muito di\u00e1logo, bater muito a cabe\u00e7a, conversar pra caramba. Estava com essa ideia. Nesse mundo de solteirice n\u00e3o vi muito isso. Vi muita defensiva, pessoas mais fechadas, por quest\u00f5es do passado, que todo mundo tem n\u00e9.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela estava no fluxo de conhecer pessoas no Tinder, quando come\u00e7ou a gostar muito de um rapaz. \u201cEle chegou a comentar pra mim que estava gostando do que a gente tinha, mas n\u00e3o era o momento de ter algo s\u00e9rio. Eu acredito que eu tamb\u00e9m n\u00e3o, porque sa\u00ed de um relacionamento longo, mas tamb\u00e9m estava gostando muito dele\u201d. S\u00f3 que as palavras do rapaz, que n\u00e3o queria formalizar o relacionamento, pareceram um tanto vazias depois que J\u00e9ssica viu no <em>stories<\/em> que ele estava jantando com outra pessoa em um restaurante super rom\u00e2ntico em plena semana do Dia dos Namorados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>&#8220;Eu tamb\u00e9m j\u00e1 dei <em>ghosting<\/em>, n\u00e3o t\u00f4 falando que \u00e9 uma coisa exclusivamente masculina. Em geral, acaba sendo uma falha de comunica\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o ficando cada vez mais rasas&#8221;<\/p><cite> <strong>JESSICA AMARAL<\/strong>, fot\u00f3grafa.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os homens, segundo a opini\u00e3o de J\u00e9ssica, t\u00eam ideias muito fixas sobre as mulheres e, na verdade, ao menos no seu c\u00edrculo social, elas s\u00e3o mais abertas aos ideais que fogem do heterosexismo e do machismo. \u201cA maioria dos homens d\u00e3o <em>ghosting<\/em> para evitar um conflito ou talvez quest\u00f5es que eles tem pra eles mal resolvidas. Eu n\u00e3o sei como \u00e9 pra outras mulheres, mas as minhas amigas reclamam muito. Elas reclamam muito que ficam mal porque os homens somem de repente ou falam uma coisa que antes tinham falado o contr\u00e1rio. O problema n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m errar, todo mundo pode errar, mas a quest\u00e3o \u00e9 fazer algo errado por conveni\u00eancia\u201d, adverte.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nas mulheres, com quem a J\u00e9ssica tamb\u00e9m se relaciona, ela percebe a quest\u00e3o de se abrir mais presente, o que, no seu entendimento, para os homens \u00e0s vezes \u00e9 mais dif\u00edcil. \u201cEu tamb\u00e9m j\u00e1 dei <em>ghosting<\/em>, n\u00e3o t\u00f4 falando que \u00e9 uma coisa exclusivamente masculina. Em geral, acaba sendo uma falha de comunica\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o ficando cada vez mais rasas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que ficou solteira, s\u00f3 dois caras foram claros e souberam conversar com ela. \u201cComecei a ser mais reativa, porque t\u00f4 me posicionando mais e porque t\u00f4 um pouco cansada. Se a pessoa n\u00e3o deixa claro, vou perguntando, pra saber onde t\u00f4 pisando. Eu comecei a criar as minhas pr\u00f3prias defesas\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"602\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/esquecimento_relacionamentos-1024x602.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7385\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/esquecimento_relacionamentos-1024x602.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/esquecimento_relacionamentos-300x176.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/esquecimento_relacionamentos-768x451.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/esquecimento_relacionamentos.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>No filme <em>Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembran\u00e7as,<\/em> Jim Carrey interpreta Joel, personagem que surpreende ao saber que Clementine (Kate Winsle) o apagou completamente de sua mem\u00f3ria | Arte: Simone Rodrigues<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2>as expectativas no come\u00e7o de um relacionamento<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil enfrentar um amor n\u00e3o correspondido, ainda mais quando a pessoa est\u00e1 passando por um momento de solid\u00e3o. Outro fato \u00e9 que colocamos muita f\u00e9 em rela\u00e7\u00f5es que ainda nem se desenharam. Inclusive, \u00e9 comum encontrar nos aplicativos de paquera perfis com descri\u00e7\u00f5es como: \u201cestou procurando um marido\u201d ou \u201cprocuro uma esposa\u201d.&nbsp; Se voc\u00ea nem conheceu a pessoa ainda, n\u00e3o saiu com ela, \u00e9 correto colocar esse tipo de meta em algo que praticamente ainda n\u00e3o aconteceu?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Bulamah alerta para as perspectivas de casamento colocadas logo de in\u00edcio. O psicanalista explica que um desejo das pessoas \u00e9 realizar a pr\u00f3pria linha da vida atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia, algo que remete \u00e0s mudan\u00e7as provocadas pela revolu\u00e7\u00e3o burguesa na sociedade. \u201cAcho isso muito complicado no sentido de que tem diversas op\u00e7\u00f5es que est\u00e3o abertas hoje em dia e tem gente que simplesmente n\u00e3o consegue se adaptar ao ideal normativo de ter uma fam\u00edlia reprodutiva.\u201d Bulamah acredita que, no fundo, \u00e9 um ideal bastante heterosexista e machista. \u201cEu vejo com bons olhos as tentativas de inventar novas formas de se relacionar. Relacionamento aberto, <a href=\"https:\/\/youtu.be\/MV3p-2MaSK4\">n\u00e3o monogamia etc<\/a>.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entendimento do psicanalista, as novas formas de se relacionar provocam transforma\u00e7\u00f5es importantes no sentido de pensar e simbolizar formas de relacionamento poss\u00edveis hoje em dia. Nesse sentido, querer responsabilidade afetiva \u00e9 exigir que o outro seja honroso em uma determinada expectativa de relacionamento e geralmente essa expectativa \u00e9 monog\u00e2mica. &#8220;Mesmo a pessoa que esteja praticando o <em>ghosting<\/em>, n\u00e3o tenha se dado conta ainda, que esse neg\u00f3cio de construir uma rela\u00e7\u00e3o \u2018s\u00e9ria\u2019, no sentido de ser uma rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica, com fidelidade inclu\u00edda, contrato inclu\u00eddo, talvez n\u00e3o seja uma boa ideia pra ela tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2>Um afago aos cora\u00e7\u00f5es desiludidos<\/h2>\n\n\n\n<p>S\u00e1bado, 12 de mar\u00e7o, entre uma m\u00fasica e outra, Eduarda Sim\u00f5es, mais conhecida como Duda Beat, faz uma pausa para dar um recado importante \u00e0 plateia que lota o Opini\u00e3o, tradicional casa noturna de Porto Alegre onde cabem cerca de duas mil pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas pessoas dizem que eu canto sobre sofrer\u201d, come\u00e7a. De fato, Duda Beat \u00e9 conhecida por ser a rainha da sofr\u00eancia pop, mas a artista deixa claro que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. \u201cEu fiz tudo isso para estar aqui agora\u201d, continua, apontando para o palco. \u201c\u00c9 sobre se amar em primeiro lugar, essa \u00e9 a mensagem\u201d, enfatiza a cantora e compositora para o del\u00edrio das centenas de f\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo das contradi\u00e7\u00f5es que experimentamos quando nos apaixonamos por algu\u00e9m est\u00e1 na m\u00fasica Meu pis\u00earo, do <a href=\"https:\/\/www.discogs.com\/pt_BR\/master\/2515819-DUDA-BEAT-Te-Amo-L%C3%A1-Fora\">\u00e1lbum<\/a> <em>Te Amo l\u00e1 Fora<\/em>, lan\u00e7ado em 2021 pela cantora. \u201c\u00c0s 8h15min decidi n\u00e3o te ligar, \u00e0s 8h30min apaguei o seu celular, mas me dei conta que eu j\u00e1 tinha ele decorado. Passou tr\u00eas horas, te exclui das redes sociais. Logo depois, adicionei porque eu n\u00e3o fui capaz de te esquecer e n\u00e3o te ver no mesmo intervalo\u201d, canta Duda Beat em um trecho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que, afinal, sofremos tanto com o final de uma rela\u00e7\u00e3o? O psicanalista Bulamah explica que na ideia monog\u00e2mica com a qual estamos acostumados a outra pessoa acaba sendo a fonte de todas as satisfa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. \u201cElas exigem um afastamento da vida social, comunit\u00e1ria, em maior ou menor grau, e a outra pessoa passa a ser ilusoriamente a fonte de todo o suporte emocional que outra pessoa quer e precisa.\u201d S\u00f3 que quando a rela\u00e7\u00e3o acaba, essa fonte vai embora e n\u00e3o sobra quase nada para o outro. N\u00e3o \u00e9 raro, ent\u00e3o, o ressentimento tomar conta e abrir espa\u00e7o para a troca de acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Duda Beat faz tanto sucesso ao abordar o tema do sofrimento por amor. Conforme o <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/cultura-e-lazer\/musica\/noticia\/2022\/03\/duda-beat-volta-a-porto-alegre-com-show-para-o-publico-dancar-e-lembrar-do-ex-cl0mqlwls00690165fefco40x.html\">relato<\/a> da pr\u00f3pria artista, Duda Beat recebe muitas mensagens de f\u00e3s agradecendo por ela ter ajudado a superar alguma desaven\u00e7a amorosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cNo dia que eu vi o cara que eu era muito apaixonada e nunca quis ficar comigo com uma namorada, falei assim: agora chega. N\u00e3o vou mais gostar de voc\u00ea. Tenho que me amar\u201d<\/p><cite><strong>DUDA BEAT<\/strong>, cantora e compositora<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cA gente se reconhece\u201d, afirma J\u00e9ssica, que tamb\u00e9m \u00e9 ouvinte da cantora. \u201cTanto na quest\u00e3o do apego quanto no desapego. Lembro de uma m\u00fasica em que ela fala que se sentiu muito importante pra pessoa e depois viu que n\u00e3o era. E a\u00ed expressa o sentimento de que s\u00f3 ela vive de uma forma.&nbsp; Acho que ela fala sobre esse processo de deixar as coisas rolarem mais soltas. At\u00e9 por expressar outras formas de lidar com as rela\u00e7\u00f5es. Nem todo mundo consegue lidar de uma forma intensa e cada tem o seu momento. Ent\u00e3o o desapego \u00e9 esse certo cuidado de se relacionar com outro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, n\u00e3o podemos alienar o trabalho emocional que n\u00f3s mesmos temos que fazer. Nesse ponto, Duda tamb\u00e9m est\u00e1 certa quando diz que viver a dor \u00e9 essencial, porque \u00e9 isso que transforma a gente. \u201cNo dia que eu vi o cara que eu era muito apaixonada e nunca quis ficar comigo com uma namorada, falei assim: agora chega. N\u00e3o vou mais gostar de voc\u00ea. Tenho que me amar\u201d, conta a cantora em <a href=\"https:\/\/youtu.be\/iGeUZyqJ8rU\">entrevista<\/a> a Nath\u00e1lia Cariatti da Trip TV.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme discorre Bulamah, no sentido produtivo, em termos emocionais e ps\u00edquicos, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda. \u201cN\u00e3o viver a dor, entrar em um estado de mania, por exemplo, ou medicamentoso, que seja, \u00e9 um empobrecimento ps\u00edquico. A pessoa n\u00e3o expande os seus recursos pr\u00f3prios pra entrar com o atravessamento de um processo de dor, de luto.\u201d O luto \u00e9 um trabalho individual com o suporte social, simb\u00f3lico, complementa o psicanalista. \u201cVoc\u00ea procura em livros, nos amigos, nas amigas, um suporte para um processo que j\u00e1 \u00e9 um processo complicado, dif\u00edcil. Como essa pessoa se afastou de quase tudo que dava suporte emocional a ela antes, o que vai ter?\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre ser esquecido e querer esquecer algu\u00e9m, independente dos caminhos que seguimos para se conectar com uma ou mais pessoas, s\u00f3 n\u00e3o podemos esquecer de uma coisa, que \u00e9 se amar em primeiro lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">*O nome foi trocado para preservar a identidade da entrevistada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/por-que-esquecemos\/\"><strong>Por que esquecemos?<\/strong>&nbsp;<\/a>Como a ci\u00eancia explica recorda\u00e7\u00f5es perdidas, momentos esquecidos e mem\u00f3rias falsas<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/por-que-temos-lapsos-de-memoria\/\"><strong>Por que temos lapsos de mem\u00f3ria?<\/strong>&nbsp;<\/a>A ci\u00eancia por tr\u00e1s do esquecimento e da fixa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como lidar com a rejei\u00e7\u00e3o e desafios de se adaptar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos relacionamentos na contemporaneidade<\/p>\n","protected":false},"author":62,"featured_media":7387,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[141],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O que \u00e9 ghosting e como superar o fim de uma rela\u00e7\u00e3o &mdash; 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