{"id":780,"date":"2020-11-23T18:45:12","date_gmt":"2020-11-23T21:45:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=780"},"modified":"2020-11-23T17:07:41","modified_gmt":"2020-11-23T20:07:41","slug":"resgatando-afetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/resgatando-afetos\/","title":{"rendered":"Resgatando afetos"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p><strong>No in\u00edcio da quarentena, o n\u00famero de pessoas que adotaram animais aumentou, mas, depois de meses de pandemia, a situa\u00e7\u00e3o se estabilizou novamente<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><strong><sup>REPORTAGEM<br><\/sup>Amanda Ara\u00fajo<br><\/strong><em>amandam.araujo99@gmail.com<\/em><br><em><br><\/em><strong><sup>ILUSTRA\u00c7\u00c3O<\/sup><\/strong><br><strong>Sabrina Azeredo<br><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Agnes e H\u00e9rcules s\u00e3o os meus gatos. Eles amam ficar na janela do meu quarto olhando para a rua. Ficam observando um passarinho, o movimento dos carros, briga de vizinhos ou algum inseto que insistem em tentar ca\u00e7ar. Eles amam mesmo aquela janela. \u00c0s vezes, eu fico admirando e pensando o que passa na cabe\u00e7a deles vendo tantos lugares para desbravar, mas que est\u00e3o atr\u00e1s da tela de prote\u00e7\u00e3o do nosso apartamento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-5 wp-block-gallery-4 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg\" alt=\"Foto H\u00e9rcules na janela. Pauta Amanda Ara\u00fajo\" data-id=\"546\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal\/\" class=\"wp-image-546\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela2_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg\" alt=\"Agnes, depois da castra\u00e7\u00e3o, olhando o movimento na rua.\" data-id=\"547\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal\/\" class=\"wp-image-547\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela3_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">H\u00e9rcules, Agnes e a janela | Fotos: Amanda Ara\u00fajo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2019, n\u00f3s adotamos o H\u00e9rcules quando ele tinha 10 meses, j\u00e1 era praticamente um gato adulto, o que fez sua adapta\u00e7\u00e3o ser complicada. Ele \u00e9 um gatinho albino, peludo, de olhos azuis, que hoje est\u00e1 com um ano e oito meses e tem cara de mau, mas no fundo s\u00f3 \u00e9 um bob\u00e3o carinhoso que tem medo de qualquer barulho que escuta. Ele morava em uma casa com outros seis gatos e sua antiga tutora. Ela decidiu se mudar de uma casa para um apartamento, onde n\u00e3o teria espa\u00e7o para todos os gatos. Foi a\u00ed que eu e meus pais ficamos sabendo do an\u00fancio de ado\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma amiga da minha irm\u00e3. E ent\u00e3o meu sobrinho de sete anos insistiu muito para que n\u00f3s o adot\u00e1ssemos. E, assim, o H\u00e9rcules se tornou um membro da fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Agnes foi encontrada na rua com um m\u00eas e meio junto com seu irm\u00e3ozinho Bruce, que foi adotado por outra fam\u00edlia. Ela era min\u00fascula e estava em pele e osso, muito desnutrida. Em maio de 2020, durante a pandemia, foi encontrada no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, por um casal que a acolheu e encontrou um lar tempor\u00e1rio para ela. Os lares tempor\u00e1rios normalmente est\u00e3o ligados a ONGs e s\u00e3o de pessoas que disponibilizam sua casa para abrigar animais resgatados at\u00e9 serem adotados. Descobrimos Agnes atrav\u00e9s de outra amiga da minha irm\u00e3. Foi a\u00ed que ela veio aqui para casa e se tornou a melhor amiga do H\u00e9rcules. Os dois t\u00eam sido nossos grandes companheiros durante a pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-7 wp-block-gallery-6 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg\" alt=\"Pauta Amanda Ara\u00fajo. Gatos.\" data-id=\"553\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal\/\" class=\"wp-image-553\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiaagnes2_amandaaraujo_arquivopessoal.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-edited.jpeg\" alt=\"Gatos. Amanda Ara\u00fajo.\" data-id=\"886\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-edited.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-2\/\" class=\"wp-image-886\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-edited.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-edited-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/primeirodiahercules1_amandaaraujo_arquivopessoal-edited-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Agnes, no colo da minha m\u00e3e, Rosane,  e H\u00e9rcules nos primeiros dias de adapta\u00e7\u00e3o | Fotos: Amanda Ara\u00fajo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5>Um ato de responsabilidade<\/h5>\n\n\n\n<p>Segundo o <strong><a href=\"http:\/\/institutopetbrasil.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Pet Brasil<\/a><\/strong>, existem no pa\u00eds 172 mil animais abrigados em ONGs e outras institui\u00e7\u00f5es, como lares tempor\u00e1rios. Desses, 96% s\u00e3o c\u00e3es e os outros 4%, gatos. Por\u00e9m, ainda existem 3,9 milh\u00f5es de animais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, sendo o Sudeste a regi\u00e3o com a maior popula\u00e7\u00e3o de animais abandonados, que seria de 78 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2020, foi sancionada a Lei 1.095\/2019 que aumenta a pena de puni\u00e7\u00e3o para maus-tratos a animais silvestres, dom\u00e9sticos ou domesticados, nativos ou ex\u00f3ticos. A lei existe para que o direitos dos animais sejam assegurados, por isso, vale ressaltar que o ato de adotar deve ser feito com responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cDurante a quarentena, os animais ajudam diminuindo a ansiedade, a ang\u00fastia e os pensamentos negativos que as not\u00edcias ocasionam\u201d<\/p><cite><strong>HAISSA NARA FERREIRA DE ALMEIDA<\/strong>, psic\u00f3loga<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo a psic\u00f3loga Haissa Nara Ferreira de Almeida, os benef\u00edcios de adotar um animal de estima\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios e se manifestam em todas as etapas da vida. \u201cPara a crian\u00e7a, ajuda na quest\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o, da responsabilidade, do autocontrole e a ter empatia com todos os animais e, tamb\u00e9m, com os humanos.\u201d J\u00e1 na terceira idade, os animais s\u00e3o \u00f3timas companhias, se tornam um dos sentidos da vida dos idosos, fazendo com que se sintam produtivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante a quarentena, os animais ajudam diminuindo a ansiedade, a ang\u00fastia e os pensamentos negativos que as not\u00edcias ocasionam\u201d, explica Haissa. O animalzinho traz para as fam\u00edlias algo positivo e novo, principalmente no caso de quem adotou durante o isolamento social. Para quem j\u00e1 tinha animais antes da quarentena, Haissa explica que fortalece ainda mais o la\u00e7o entre os tutores e os bichinhos e que a troca de carinho e amor incondicional melhoram a sa\u00fade mental dos humanos.<\/p>\n\n\n\n<h5>ResGatinhos<\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/resgatinhos_amandaaraujo_cuscopics-edited.png\" alt=\"Garfield, um dos gatos resgatados, posando para seu ensaio fotogr\u00e1fico. Foto: Cuscopics \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-887\" width=\"397\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/resgatinhos_amandaaraujo_cuscopics-edited.png 596w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/resgatinhos_amandaaraujo_cuscopics-edited-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><figcaption>Garfield, um dos gatos resgatados, posando para seu ensaio fotogr\u00e1fico | Foto: Cuscopics \/ Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A <strong><a href=\"http:\/\/resgatinhospoa.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ResGatinhos<\/a><\/strong> \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de Porto Alegre que resgata animais e os abriga. O projeto come\u00e7ou em 2013 com duas amigas, Ana Luiza Ratier e Mait\u00ea Brackmann, que come\u00e7aram a resgatar gatinhos nos seus bairros e encaminh\u00e1-los para ado\u00e7\u00e3o. Atualmente, h\u00e1 em m\u00e9dia cinco volunt\u00e1rios fixos e, esporadicamente, 15 pessoas ficam divididas entre oferecer lar tempor\u00e1rio, dar carona, fotografar os animais, entre outras tarefas. A verba do projeto \u00e9 proveniente de doa\u00e7\u00f5es. Tem pessoas que doam todos os meses e outras que doam especificamente para as necessidades de cada gatinho. H\u00e1 tamb\u00e9m produtos que s\u00e3o colocados \u00e0 venda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso maior desafio \u00e9 conseguir verba suficiente para manter e tratar os gatinhos resgatados\u201d, explica Ana Laura Fernandes, uma das volunt\u00e1rias. Ela tamb\u00e9m diz que a maior parte dos pedidos de ajuda acontecem atrav\u00e9s das redes sociais, mas tem um limite de gatos que eles podem atender de uma s\u00f3 vez. Por isso, infelizmente, quando esse limite \u00e9 excedido, precisam recusar os pedidos de resgate, mas sempre auxiliam, explicando qual a melhor forma para que o gatinho seja encaminhado para outro lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ResGatinhos n\u00e3o possui uma sede f\u00edsica, por isso todos os animais ficam em lares tempor\u00e1rios. Nessas casas, eles normalmente&nbsp;ficam isolados em uma pe\u00e7a, principalmente se a pessoa tiver outros gatos. Nos lares tempor\u00e1rios, os bichinhos ficam com areia, \u00e1gua, comida e mais tudo que necessitarem. \u201cEnt\u00e3o, o gato vive como se estivesse em fam\u00edlia mesmo, at\u00e9 que a gente garanta que ele estar\u00e1 em seguran\u00e7a com algu\u00e9m que tenha&nbsp; condi\u00e7\u00f5es de mant\u00ea-lo. A\u00ed ele faz essa transi\u00e7\u00e3o do lar tempor\u00e1rio pro lar definitivo\u201d, explica Ana Laura.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cNosso maior desafio \u00e9 conseguir verba suficiente para manter e tratar dos gatinhos resgatados\u201d<\/p><cite><strong>ANA LAURA FERNANDES<\/strong>, volunt\u00e1ria da ResGatinhos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O processo de ado\u00e7\u00e3o \u00e9 feito atrav\u00e9s do <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/resgatinhospoa.com.br\/\" target=\"_blank\">site<\/a><\/strong>. Os interessados em adotar acessam o site, decidem qual gatinho querem adotar e preenchem um formul\u00e1rio. Nele s\u00e3o feitas diversas perguntas sobre o candidato a tutor, como quem morar\u00e1 com o gato, quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es financeiras, se precisa de orienta\u00e7\u00e3o, se o lar \u00e9 telado, se o gato n\u00e3o ter\u00e1 acesso \u00e0 rua. \u201cA gente seleciona&nbsp; os adotantes de acordo com essas respostas\u201d, diz Ana Laura. Primeiro os volunt\u00e1rios falam com o candidato a tutor&nbsp;por e-mail, depois iniciam um bate-papo virtual, at\u00e9 o dia em que levam pessoalmente o gatinho do lar tempor\u00e1rio at\u00e9 a fam\u00edlia escolhida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a quantidade de ado\u00e7\u00f5es durante a pandemia, Ana Laura diz que, quando as pessoas estavam no primeiro e segundo m\u00eas de <em>home office<\/em>, elas aumentaram. \u201cMas, depois de passados todos esses meses, sentimos que estabilizou.\u201d Ana Laura afirma que, como s\u00e3o bem rigorosos na escolha de tutela dos gatinhos, n\u00e3o acontecem tantas devolu\u00e7\u00f5es. Em 2020, at\u00e9 novembro, s\u00f3 havia acontecido uma devolu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao estado de sa\u00fade dos gatos resgatados, Ana Laura diz que eles frequentemente chegam com pulga. \u201cA gente d\u00e1 rem\u00e9dio para vermes, machucadinho de briga, enfim, mas \u00e9 um estado razo\u00e1vel.\u201d Mas tamb\u00e9m h\u00e1 gatos com estado de sa\u00fade mais grave, que necessitam de tratamento. At\u00e9 novembro, havia quatro gatinhos com algum problema mais s\u00e9rio. \u201cO Blue, por exemplo, \u00e9 um gatinho que teve o rabo arrancado, estamos com ele&nbsp; desde mar\u00e7o no projeto. Vai ser um gato bem dif\u00edcil de encontrar um lar, porque ele precisa de cuidados muito especiais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5>Oliver<\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelarissa_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes.jpeg\" alt=\"Larissa e seu gato. Pauta Amanda Ara\u00fajo\" class=\"wp-image-550\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelarissa_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelarissa_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelarissa_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Oliver com sua tutora, Larissa Hansen Marcondes | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Larissa Hansen Marcondes \u00e9 m\u00e9dica e adotou o Oliver durante a quarentena. Ela se disponibilizou, atrav\u00e9s dos ResGatinhos, para oferecer lar tempor\u00e1rio para Oliver e sua irm\u00e3, a Lollo. Os dois eram de uma ninhada de sete gatinhos que foram encontrados juntos, vivendo em um ambiente fechado e comendo restos de comida humana. Todos foram para lares tempor\u00e1rios em pares ou em trios, para que pudessem ficar juntos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Oliver e Lollo n\u00e3o tinham nenhum machucado, mas estavam desnutridos e com vermes. Aos seis meses, eram bem pequenos, e os veterin\u00e1rios afirmaram que provavelmente n\u00e3o cresceriam muito por causa da desnutri\u00e7\u00e3o. Larissa levou os dois para fazer o exame de FIV e FelV, conhecidas como a Aids felina e a leucemia felina, ent\u00e3o descobriram que Oliver era o \u00fanico gatinho da ninhada que testou positivo para FelV. Logo ap\u00f3s o resultado, tiveram que separar os dois, pois a doen\u00e7a pode passar de um gato para outro. Larissa conta que, antes do resultado, estava pensando em adotar os dois, mas teve que escolher entre um deles. \u201cFoi bem dif\u00edcil e triste, por eles, porque eles eram bem grudados, faziam tudo juntos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelollo_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes-225x300.jpeg\" alt=\"Gato Oliver e gata Lollo. Pauta Amanda Ara\u00fajo.\" class=\"wp-image-551\" width=\"346\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelollo_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/oliverelollo_amandaaraujo_LarissaHansenMarcondes.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><figcaption>Oliver e sua irm\u00e3 Lollo, que foi adotada por outra fam\u00edlia<br> Foto: Arquivo Pessoal <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Larissa se solidarizou com a situa\u00e7\u00e3o de Oliver e resolveu escolh\u00ea-lo. \u201cEle \u00e9 um gatinho preto, que eu j\u00e1 sabia que iria demorar mais para ser adotado, e ainda com FelV. Fiquei imaginando uma vida para ele em que passaria por v\u00e1rios lares tempor\u00e1rios. E porque ele \u00e9 muito grudado em mim. Foi bem dif\u00edcil, porque gostava muito da Lollo, me apeguei muito nela tamb\u00e9m.\u201d Ela diz que ficou impactada com a not\u00edcia da doen\u00e7a e demorou alguns meses para decidir adotar Oliver definitivamente, j\u00e1 que nunca teve um gato na vida e ficou imaginando como seria cuidar de um com FelV.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs cuidados s\u00e3o basicamente os mesmos do que com qualquer outro gato. Ele precisa comer uma ra\u00e7\u00e3o de qualidade, mas esta \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o padr\u00e3o. Tamb\u00e9m fico bem de olho no xixi, no coc\u00f4, se mudou algo. Mas, por enquanto, ele n\u00e3o teve nenhum sintoma, ele \u00e9 um gato bem ativo\u201d, conta Larissa. A \u00fanica especificidade \u00e9 fazer mais revis\u00f5es no veterin\u00e1rio do que os gatos sem FelV.<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa diz que acredita que muitas pessoas se recusam a adotar gatos com FelV por falta de informa\u00e7\u00f5es. \u201cUm fator muito importante \u00e9 o de voc\u00ea estar preparado para ter custos com qualquer intercorr\u00eancia. Os tratamentos veterin\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o baratos, e \u00e9 uma coisa que deve ser pensada com responsabilidade. Mas pode ser que n\u00e3o aconte\u00e7a nada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Lollo tamb\u00e9m j\u00e1 foi adotada. Mas, segundo Larissa, ela passou por cerca de quatro lares tempor\u00e1rios. Foi a \u00faltima da ninhada a encontrar um lar definitivo, mesmo sendo muito carinhosa. Larissa associa essa demora ao fato de ela ser preta, j\u00e1 que as pessoas associam gatos pretos \u00e0 m\u00e1 sorte. \u201cImagina se fosse o Oliver, eu acho que ele ainda estaria em lar tempor\u00e1rio e mudando a cada poucos meses. Isso me conforta um pouco, saber que os dois foram adotados finalmente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5>O resgate<\/h5>\n\n\n\n<p>Ketelin Batista e Silva estava a caminho do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em maio de 2020, quando encontrou a Agnes. \u201cEra um final de tarde, eu estava indo para o hospital quando escuto uns miadinhos. A Agnes estava no meio de uns arbustos, muito assustada. Se eu n\u00e3o tivesse escutado miados, acharia que era um morcego. N\u00e3o pensei duas vezes e peguei. Ela cabia em uma m\u00e3o, de t\u00e3o magra.\u201d Assim que Ketelin resgatou a gatinha, um taxista que estava perto comentou que tinha outro filhote abandonado perto dali.&nbsp; Como tinha que retornar ao trabalho, Ketelin pediu ao seu namorado e a seu sobrinho que fossem atr\u00e1s do outro gatinho. N\u00e3o foi f\u00e1cil peg\u00e1-lo, pois ele era mais forte e arisco, mas, ao final, conseguiram.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois filhotes ficaram no apartamento de Ketelin, o que gerou certo conflito com as duas gatas que j\u00e1 moravam com ela. \u201cNaquela noite, postamos fotos em nossas redes sociais e enviamos muitas mensagens na tentativa de encontrar um lar para os irm\u00e3os. Felizmente conseguimos\u201d, lembra Ketelin. Bruce foi adotado por outra fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Agnes est\u00e1 bem aqui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela1_amandaaraujo_arquivopessoal-1024x768.jpeg\" alt=\"H\u00e9rcules e Agnes pegando sol na janela. 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