{"id":8559,"date":"2022-09-12T11:14:13","date_gmt":"2022-09-12T14:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=8559"},"modified":"2022-10-19T13:13:39","modified_gmt":"2022-10-19T16:13:39","slug":"o-bom-e-velho-rock-and-roll-na-veia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-bom-e-velho-rock-and-roll-na-veia\/","title":{"rendered":"O bom e velho rock and roll na veia"},"content":{"rendered":"\n<p>A banda Rolling Stones surgiu em 1962 e continua fazendo turn\u00eas, com 60 anos de estrada. Se o rock, criado na d\u00e9cada de 1950, j\u00e1 \u00e9 um velhinho, o que dizer daqueles que, como Mick Jagger e seus parceiros, continuam nos palcos depois dos 60 anos? S\u00e3o v\u00e1rios shows, ensaios, grava\u00e7\u00f5es, que exigem preparo f\u00edsico e vocal. Mas os artistas que s\u00e3o apaixonados pelo rock parecem n\u00e3o querer largar esse v\u00edcio, mesmo com todas as dificuldades que a idade imp\u00f5e. Exemplos n\u00e3o faltam. Inclusive, no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo <em>Idosos \u201croqueiros\u201d e juventude eterna: pistas para reflex\u00e3o<\/em>, publicado na revista cient\u00edfica <em>Kair\u00f2s-Gerontologia<\/em>, os autores explicam que tanto o rock quanto a velhice s\u00e3o objetos de estere\u00f3tipos negativos. Isso faz com que a ideia de ser roqueiro pare\u00e7a inconcili\u00e1vel com a de ser idoso. \u201cApesar de nascer como um movimento de e para jovens, o rock \u00e9 hoje menos vinculado a esse crit\u00e9rio\u201d, diz o texto, ressaltando que o g\u00eanero musical \u00e9 vivenciado por pessoas de todas as idades.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>O mutante<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para S\u00e9rgio Dias, 70 anos, guitarrista e vocalista da banda Os Mutantes, administrar uma carreira entre Estados Unidos, Europa e Brasil \u00e9 uma recompensa que a vida lhe deu. S\u00e3o 56 anos na estrada. \u201cSempre falei e compus o que eu acreditava e sentia\u201d, define. Mas hoje S\u00e9rgio enfrenta algumas dificuldades que a idade e a pandemia lhe impuseram. Como passou dois anos sentado vendo televis\u00e3o, est\u00e1 dif\u00edcil de voltar a fazer caminhadas e exerc\u00edcios. O artista sofre de um problema em uma v\u00e9rtebra da coluna. \u201cIsso d\u00f3i demais, principalmente ao me abaixar ou ficar de p\u00e9 por muito tempo. Mas isso nunca me impediu de fazer algum show\u201d, garante.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-724x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8571 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-724x1024.jpeg 724w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-212x300.jpeg 212w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-768x1086.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias.jpeg 827w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Ser um indiv\u00edduo \u00edntegro talvez seja a maior rebeldia que voc\u00ea possa ter, ainda mais nos dias de hoje\u201d <\/p><cite><strong>S\u00c9RGIO DIAS<\/strong>, guitarrista dos Mutantes<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p> <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\"> Arte: Betina Pegorini <\/p>\n\n\n\n<p>Realmente, S\u00e9rgio n\u00e3o se entrega. Chegou a ter uma infec\u00e7\u00e3o generalizada quando fez uma bi\u00f3psia da pr\u00f3stata. Quase morreu, mas 15 dias depois tocava em Nova York com um cateter de aproximadamente 60 cent\u00edmetros introduzido numa veia do bra\u00e7o para injetar antibi\u00f3tico at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. Literalmente, S\u00e9rgio deve ter rock na veia. Somente uma vez cancelou um show, em 2015, no Brasil, mas s\u00f3 porque os m\u00e9dicos o prenderam dentro do hospital. Para ele, o mais dif\u00edcil tem sido fazer viagens.\u201cMuito cansativas.&#8221; Na primeira turn\u00ea do retorno dos Mutantes, foram 27 mil quil\u00f4metros em uma van, com 30 shows em 32 dias.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9rgio tem orgulho da trajet\u00f3ria que construiu, mesmo que tenha passado por momentos delicados. \u201cSempre fomos muito criticados. Principalmente quando houve a volta dos Mutantes, com a Z\u00e9lia Duncan no vocal, em 2006. Inclusive a Rita Lee falou um monte de bobagem\u201d, desabafa. A banda j\u00e1 passou por diversas forma\u00e7\u00f5es desde seu retorno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9rgio atende o m\u00e1ximo de f\u00e3s que consegue e fica impressionado quando recebe v\u00eddeos de crian\u00e7as de dois anos cantando A<em>ndo meio desligado<\/em>. Mas o que ele acha mais \u201clouco\u201d \u00e9 que em seus shows a maioria do p\u00fablico \u00e9 jovem. \u201cO m\u00ednimo a se fazer \u00e9 manter uma banda que seja viva, que lance discos, que d\u00ea a cara a tapa. N\u00e3o adianta voltar para ser uma banda cover de Mutantes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas alguns h\u00e1bitos de jovens de hoje n\u00e3o s\u00e3o aprovados pelo m\u00fasico. Um pouco antes da pandemia, S\u00e9rgio tinha acabado de tocar em Onsemi, na Calif\u00f3rnia, quando uma menina insistiu que ele fumasse um baseado. \u201cDei um tapa para ser gentil com ela, eu n\u00e3o tava a fim\u201d, conta. Mesmo que as drogas sempre tenham feito parte de sua vida, ele se surpreendeu: \u201cPorra, meu! Eles pingam \u00e1cido no baseado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8582\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Sergio-Dias-7-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>S\u00e9rgio Dias, em turn\u00ea, n\u00e3o abre m\u00e3o de subir ao palco | Foto: Beta Klein\/Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Celebrando a vida<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao longo de 39 anos de estrada com a banda Garotos da Rua, o saxofonista e vocalista ga\u00facho King Jim, de 65 anos, relata as dificuldades de administrar sua carreira hoje. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d, desabafa. Ele e a banda vivenciaram o \u00e1pice da carreira no Rio de Janeiro nos anos 1980, quando o rock explodia no Brasil.&nbsp; Mas o direcionamento da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica para outros g\u00eaneros musicais fez com que grupos como os Garotos da Rua deixassem de fazer sucesso. King Jim diz que \u00e9 comum ouvir falar que o rock acabou, que \u00e9 m\u00fasica de \u201cvelho\u201d. \u201cSe o mambo, o tango, o tch\u00e1 tch\u00e1 tch\u00e1 e o jazz n\u00e3o acabaram, o rock tamb\u00e9m n\u00e3o vai acabar\u201d, acredita. Ele lembra que o rock provocou mudan\u00e7as na hist\u00f3ria da humanidade. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica, mas tamb\u00e9m a postura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8584\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-768x768.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final-600x600.png 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ILUSTRAE-versao-final.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Mateus Machado Martins<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cMudei de vida para poder estar vivo\u201d<\/p><cite><strong>KING JIM<\/strong>, saxofonista dos Garotos da Rua<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil manter essa postura na juventude, para quem j\u00e1 passou dos 60 anos \u00e9 ainda mais complicado. Principalmente se a sa\u00fade n\u00e3o ajuda.&nbsp; King Jim passou por um transplante de f\u00edgado em 2013 por conta de uma hepatite C, que demorou a ser descoberta e acabou provocando uma cirrose. Enquanto aguardava um doador de f\u00edgado, ficou em estado grave. Chegou a ter encefalopatia, que \u00e9 a deteriora\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o cerebral. \u201cEu n\u00e3o sabia quem eu era\u201d, conta. Com a ajuda de familiares e da equipe da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, conseguiu suportar a espera mudando de h\u00e1bitos. \u201cMudei de vida para poder estar vivo\u201d<strong>, <\/strong>resume.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a cirurgia, o m\u00fasico, com 56 anos na \u00e9poca, n\u00e3o p\u00f4de voltar em seguida para os palcos. Precisou reaprender a andar, falar, cantar e tocar. Com o amadurecimento, largou a bebida e as drogas. \u201cQuando tu tem o f\u00edgado de uma outra pessoa dentro de ti, ajuda a pensar diferente, parece que tem algu\u00e9m sussurrando algumas coisas\u201d, explica. Ele sabe que a doadora foi uma mulher e diz ter o m\u00e1ximo respeito por isso. \u201c\u00c9 uma chance que eu tenho de ficar mais um tempo aqui, ser uma pessoa melhor e poder fazer alguma coisa na minha \u00e1rea.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-07-20-at-23.40.54.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8590\" width=\"307\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-07-20-at-23.40.54.jpeg 514w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/WhatsApp-Image-2022-07-20-at-23.40.54-209x300.jpeg 209w\" sizes=\"(max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><figcaption>King Jim viveu o auge da fama com a banda Garotos da Rua nos anos 1980 | Foto: Fernanda Chemale\/Divulga\u00e7\u00e3o<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>&nbsp;E King Jim realmente n\u00e3o perdeu essa chance. Junto com os amigos e m\u00fasicos Jimmy Joe e Bebeto Alves, que tamb\u00e9m passaram por transplantes quase na mesma \u00e9poca, ele formou a banda Los 3 Plantados. O nome teria sido sugest\u00e3o da namorada de Jimmy, quando ele estava desanimado no hospital. Ela teria dito: \u201cAgora tu vai ficar bem Jimmy. O Bebeto j\u00e1 est\u00e1 bom, e o King Jim fez o transplante, quem sabe voc\u00eas n\u00e3o fazem uma banda?\u201d, conta King. Foi assim que surgiu o trio que hoje faz m\u00fasicas incentivando a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. S\u00e3o transplantados, sexagen\u00e1rios que tocam rock com milonga. Mas King Jim diz que, independente da idade, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser roqueiro no Rio Grande do Sul, principalmente por falta de profissionais que agenciem shows.<\/p>\n\n\n\n<p>  <\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Da Jovem Guarda ao underground<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Lilian Knapp iniciou sua carreira de cantora aos 16 anos, formando dupla com Leno. Ela era uma das estrelas da Jovem Guarda,&nbsp; movimento cultural de enorme sucesso nos anos 1960, do qual faziam parte Erasmo e Roberto Carlos. Nos anos 1980, Lilian seguiu carreira solo e, com essa trajet\u00f3ria, passou a ter dois grupos de f\u00e3s: um da primeira fase e outro, da segunda, quando gravou o sucesso <em>Sou Rebelde<\/em>, de Paulo Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas hoje, aos 74 anos, \u00e9 que sua \u201crebeldia\u201d est\u00e1 mais evidente. Paralelamente \u00e0 carreira solo, ela faz parte da banda de rock independente Kynna Underground, criada em 2008, ao lado de Lu\u00eds Carlini, na guitarra, e Kdu Nolla, na bateria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"611\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lilian-Knapp-4-1024x611.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8607\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lilian-Knapp-4-1024x611.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lilian-Knapp-4-300x179.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lilian-Knapp-4-768x458.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lilian-Knapp-4.jpeg 1207w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Arte: Gabriela Dadda Bittencourt <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A banda \u00e9 totalmente diferente de tudo que Lilian j\u00e1 havia feito. Eles gravaram, por exemplo, <em>Um Lugar do Caralho, <\/em>do m\u00fasico ga\u00facho J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3. \u201cO p\u00fablico da Jovem Guarda se chocaria com os palavr\u00f5es\u201d, diz ela. O \u00e1lbum da banda, <em>Underground<\/em>, tem duas faixas autorais e 10 de releituras de bandas do rock ga\u00facho, entre elas, <em>Miss Lexotan 6mg<\/em>, tamb\u00e9m de J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3.&nbsp; \u201cEu sou Miss Lexotan, me identifiquei perfeitamente com a m\u00fasica em v\u00e1rios momentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dos shows da banda em S\u00e3o Paulo, quando divulgavam o disco, Lilian foi surpreendida pelo interesse de f\u00e3s bem jovens. \u201cA casa era de dois andares, as pessoas passavam pelo nosso andar para comprar cerveja e ficavam ouvindo a gente.\u201d Foi uma experi\u00eancia nova para a cantora, pois, quando estreou nos palcos na \u00e9poca da Jovem Guarda, ela j\u00e1 era famosa. \u201cEu n\u00e3o tinha receio de entrar no palco, pois sabia que estavam me esperando\u201d, conta. Com a Kynna, ela se apresenta sem ser conhecida. \u201cSer aceita nesse meio underground \u00e9 mais legal ainda\u201d, diz Lilian. A \u00fanica m\u00fasica antiga de sucesso que tocaram naquela noite foi <em>Pobre Menina<\/em>, que j\u00e1 virou <em>cult<\/em>. \u201cTenho muitos f\u00e3s jovens que vieram por causa dos pais\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO complicado de ficar jovem por muito tempo \u00e9 que voc\u00ea vai envelhecendo e o corpo n\u00e3o acompanha a sua cabe\u00e7a\u201d<\/p><cite><strong>LILIAN KNAPP<\/strong>, cantora<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo com o entusiasmo por ter novos f\u00e3s, Lilian conta que foi o p\u00fablico da Jovem Guarda, que envelheceu com ela, que n\u00e3o a abandonou durante os piores momentos da pandemia. \u201cSe n\u00e3o fosse por eles, n\u00e3o sei o que teria sido da minha vida.\u201d Foram praticamente tr\u00eas anos participando s\u00f3 de alguns shows virtuais. Mas ela aproveitou para escrever dois livros e vender CDs e camisetas para seus admiradores. \u201cPassei muito bem esse per\u00edodo gra\u00e7as aos f\u00e3s\u201d, reconhece. Lilian diz que o rock&nbsp; mant\u00e9m seu esp\u00edrito jovem. \u201cO complicado de ficar jovem por muito tempo \u00e9 que voc\u00ea vai envelhecendo e o corpo n\u00e3o acompanha a sua cabe\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8610\" width=\"778\" height=\"1166\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-1568x2352.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_8729-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><figcaption> Lilian Knapp formou a Banda Kynna com Luis Carlini e Kdu Nolla e ganhou novos f\u00e3s | Foto: Fernando Flambart\/Divulga\u00e7\u00e3o <br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>S\u00e9rgio, King Jim e Lilian mostram que o segredo de fazer rock depois dos 60 \u00e9 manter a atitude rebelde, mesmo que a defini\u00e7\u00e3o de rebeldia v\u00e1 mudando. \u201cSer um indiv\u00edduo \u00edntegro talvez seja a maior rebeldia que voc\u00ea possa ter, ainda mais nos dias de hoje\u201d, define S\u00e9rgio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A banda Rolling Stones surgiu em 1962 e continua fazendo turn\u00eas, com 60 anos de estrada. Se o rock, criado na d\u00e9cada de 1950, j\u00e1 \u00e9 um velhinho, o que dizer daqueles que, como Mick Jagger e seus parceiros, continuam nos palcos depois dos 60 anos? 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