{"id":8746,"date":"2022-09-27T16:12:48","date_gmt":"2022-09-27T19:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=8746"},"modified":"2023-01-30T09:02:44","modified_gmt":"2023-01-30T12:02:44","slug":"uma-velhice-respeitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/uma-velhice-respeitada\/","title":{"rendered":"Uma velhice respeitada"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pela margem do grande rio caminha Jaguar\u00ea, o jovem ca\u00e7ador. O arco pende-lhe ao ombro, esquecido e in\u00fatil. As flechas dormem no coldre da uira\u00e7aba.<\/em> Assim come\u00e7a <em>Ubirajara<\/em>, o livro da tr\u00edade indianista de Jos\u00e9 de Alencar que busca retratar os povos origin\u00e1rios brasileiros antes da chegada dos europeus. A obra, mesmo que de 1874, ainda dita muito da vis\u00e3o que, em geral, a sociedade brasileira tem sobre os povos ind\u00edgenas &#8211; e tamb\u00e9m sobre as pessoas idosas de tal origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Camac\u00e3, <em>o velho chefe,<\/em> assim definido por Alencar, \u00e9 descrito de forma estereotipada no livro. Assim como o autor, muitos acreditam que o papel de cacique \u00e9 sempre o mais importante da comunidade e, tamb\u00e9m, que \u00e9 obrigat\u00f3rio que essa fun\u00e7\u00e3o seja ocupada pela pessoa mais idosa. O cacique \u00e9 o l\u00edder pol\u00edtico de uma aldeia e n\u00e3o necessariamente o mais velho do grupo. Entretanto, em geral, pouco se sabe ou mesmo se busca saber sobre a vida de pessoas idosas em comunidades ind\u00edgenas brasileiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil explicar exatamente como os povos origin\u00e1rios entendem a velhice, j\u00e1 que, al\u00e9m das incont\u00e1veis diferen\u00e7as entre as mais de 200 etnias ind\u00edgenas do Brasil, \u00e9 preciso considerar que esses indiv\u00edduos s\u00e3o cidad\u00e3os livres e podem escolher como viver suas vidas. Para os povos ind\u00edgenas, todas as atividades s\u00e3o importantes, inclusive as dos idosos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8887\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1200x800.png 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Abertura_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1568x1045.png 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Augusto Esp\u00edndola, por conta de sua idade, assumiu o papel de conselheiro na Aldeia Anhetengu\u00e1, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre | Foto: J\u00falia Ozorio<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o dou mais muito pra lavoura\u201d, diz Augusto Esp\u00edndola ao explicar suas fun\u00e7\u00f5es na aldeia Anhetengu\u00e1, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Aos 69 anos, ele conta que, por causa da idade, tem liberdade para reduzir os servi\u00e7os bra\u00e7ais que realiza. Essa redu\u00e7\u00e3o, segundo ele, \u00e9 concedida n\u00e3o s\u00f3 pelo cacique, mas pela comunidade como um todo. E \u00e9 uma concess\u00e3o importante, j\u00e1 que \u00e9 principalmente da agricultura que a aldeia tira sustento econ\u00f4mico. Mas hoje, por ter mais experi\u00eancia de vida, \u00e9 conselheiro dos demais.<\/p>\n\n\n\n<h3>Uma vis\u00e3o econ\u00f4mica<\/h3>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista legal, o idoso \u00e9 qualquer brasileiro que tenha idade igual ou superior a 60 anos. Tal par\u00e2metro cronol\u00f3gico est\u00e1 definido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e reafirmado no Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003. Contudo, existe um not\u00e1vel crit\u00e9rio econ\u00f4mico atrelado \u00e0s fases et\u00e1rias, que n\u00e3o s\u00e3o divididas em partes iguais. A vida social \u00e9 composta por fra\u00e7\u00f5es diferentes entre inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia, idade adulta e velhice. A vida adulta e economicamente ativa costuma ser a mais longa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pela vis\u00e3o econ\u00f4mica, espera-se que indiv\u00edduos que, por op\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, param de trabalhar \u201cretirem-se\u201d da sociedade e deixem de tratar de quest\u00f5es relevantes. Essa l\u00f3gica pode ser identificada na sem\u00e2ntica da pr\u00f3pria palavra \u201caposentadoria\u201d, que carrega o sentido de \u201cretirar-se a seus aposentos\u201d. N\u00e3o h\u00e1, nas l\u00ednguas ind\u00edgenas pesquisadas, uma palavra equivalente a \u201caposentadoria\u201d, pois os anci\u00e3os continuam sendo vistos como indiv\u00edduos relevantes, que transmitem sua sabedoria aos mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Augusto n\u00e3o se surpreende com a ideia de aposentadoria entre os n\u00e3o ind\u00edgenas, mas explica que vive mais pr\u00f3ximo das tradi\u00e7\u00f5es Mby\u00e1 Guarani, povo origin\u00e1rio do qual faz parte e que est\u00e1 presente desde o Paraguai at\u00e9 o Rio Grande do Sul. Para ele, por sinal, \u00e9 dif\u00edcil pensar em pa\u00edses, estados, ou divis\u00f5es de terra. Ela apenas indica que hoje mora na aldeia de Cirilo, apontando para o cacique da comunidade e seu sobrinho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8906\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-1200x800.png 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto2_LucasKeske_JuliaOzorio-1568x1045.png 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cacique Cirilo Morinico \u00e9 o l\u00edder pol\u00edtico de sua aldeia | Foto: J\u00falia Ozorio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Cirilo Pires Morinico, de 56 anos, afirma que n\u00e3o h\u00e1 uma idade espec\u00edfica para um guarani come\u00e7ar a trabalhar e outra para parar, como 18 e 60 anos, por exemplo. O mais comum \u00e9 que os jovens comecem a fazer parte das tarefas relacionadas ao trabalho a partir do momento em que a comunidade os julgue capaz. Existem ritos de passagem, como o <em>Nhemongarai <\/em>\u2013 que, segundo uma analogia feita por Cirilo, equivale ao batismo da Igreja Cat\u00f3lica \u2013 e outros ritos que marcam a entrada na idade adulta. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma cerim\u00f4nia que marque quando um guarani se torna uma pessoa idosa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8869\" width=\"474\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1200x800.png 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto4_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1568x1045.png 1568w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><figcaption>A casa de reza (<em>\u00e0 esquerda<\/em>) fica no centro da aldeia Anhetengu\u00e1 | Foto: J\u00falia Ozorio<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No Brasil, em 2021, havia 31,23 milh\u00f5es de pessoas idosas, representando 14,7% da popula\u00e7\u00e3o residente no pa\u00eds, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Os n\u00fameros s\u00e3o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua) e tendem a aumentar com o tempo. Em 2012, pessoas com 60 anos ou mais representavam 11,3% da popula\u00e7\u00e3o. Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u201cpromover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra\u00e7a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um dos objetivos fundamentais. Entretanto, as estat\u00edsticas brasileiras revelam que os idosos n\u00e3o est\u00e3o sendo tratados de acordo com os termos da Constitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3>Idosos vistos como descart\u00e1veis<\/h3>\n\n\n\n<p>Conforme&nbsp;n\u00fameros da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), no primeiro semestre de 2022, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2022\/junho\/disque-100-registra-mais-de-35-mil-denuncias-de-violacoes-de-direitos-humanos-contra-pessoas-idosas-em-2022\">o Brasil registrou uma m\u00e9dia de 227 casos de agress\u00f5es contra idosos por dia<\/a>. Os dados apontam que, ao contr\u00e1rio do que pensam os ind\u00edgenas, em geral existe um entendimento de que a velhice faz com que as pessoas passem a atrapalhar a vida dos demais, sendo in\u00fateis economicamente e, por isso, descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;A maioria tem a vis\u00e3o de que quem \u00e9 velho est\u00e1 acabado e isso \u00e9 um desrespeito total&#8221;<\/p><cite><strong>NEWTON TERRA<\/strong><em>, <\/em>geront\u00f3logo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O geriatra ga\u00facho, especialista em envelhecimento saud\u00e1vel, Newton Terra, lamenta essa vis\u00e3o de que os idosos s\u00e3o in\u00fateis, que muitas pessoas t\u00eam. Ele classifica essa atitude como um \u201cdesrespeito total\u201d. Segundo Terra, as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade f\u00edsica e mental de uma pessoa idosa dependem 25% de suas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas e 75% de seus h\u00e1bitos durante a vida. Para tanto, nomeia quatro pilares que sustentam o envelhecimento saud\u00e1vel: participativo, com discuss\u00f5es sobre temas latentes da sociedade; saud\u00e1vel, com tratamentos de sa\u00fade competentes; seguro, ao n\u00e3o sofrerem nenhum tipo de viol\u00eancia, seja ela f\u00edsica ou psicol\u00f3gica; e produtivo, mantendo-se ativos, ainda que sem a mesma efetividade ou responsabilidade de antes.<\/p>\n\n\n\n<h3>Anci\u00e3os respeitados<\/h3>\n\n\n\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o Kaingang, segundo o cacique Odirlei Fidelis, os <em>kof\u00e0s<\/em> \u2013 como os Kaingangs denominam os \u201cvelhos\u201d \u2013 tamb\u00e9m t\u00eam um papel muito importante na sociedade. \u201cA aldeia vive baseada no que os mais velhos dizem\u201d, explica. A idade tem influ\u00eancia na hierarquia da comunidade, e a grande maioria das pessoas idosas ocupa a prestigiosa fun\u00e7\u00e3o de conselheiro. O cacique,&nbsp;da aldeia Van-K\u00e1, no Lami, em Porto Alegre, explica a exist\u00eancia das autoridades pequenas, como os <em>poin chin<\/em>, que compara ao papel de policiais, e as grandes autoridades, os <em>poin nan<\/em>, como paj\u00e9s e caciques. Esta \u00faltima categoria, entre os Kaigangs, \u00e9 predominantemente ocupada por <em>kof\u00e0s<\/em>. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o, da realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos bra\u00e7ais, isso \u00e9 uma escolha pessoal, mas dificilmente algu\u00e9m chega a ser totalmente exclu\u00eddo dessas tarefas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;A aldeia vive baseada no que os mais velhos dizem&#8221;<\/p><cite><strong>ODIRLEI FIDELIS<\/strong><em>, cacique Kaingang<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O cacique afirma que no passado a idade pesava mais como crit\u00e9rio para a escolha de quem ocuparia os maiores cargos, mas que, devido \u00e0 necessidade de tratar quest\u00f5es externas com n\u00e3o ind\u00edgenas, parte dessas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje ocupadas por Kaigangs mais jovens e que estudaram em escolas convencionais. Por isso, a maioria dos <em>kof\u00e0s<\/em> se mant\u00e9m reservados a quest\u00f5es internas, como as relacionadas com a cultura do seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o do povo Tikuna, a mais numerosa da Amaz\u00f4nia brasileira, o respeito para com os idosos \u00e9 equivalente ao respeito \u00e0s crian\u00e7as, mas por motivos diferentes. De acordo com a descendente de Tikunas Kate Lima, analista em pol\u00edticas p\u00fablicas formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enquanto as crian\u00e7as carregam pureza e inoc\u00eancia, os <em>kuj\u00e1s<\/em>, como s\u00e3o chamadas as pessoas idosas, carregam&nbsp; experi\u00eancia e sabedoria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Kate, a hist\u00f3ria de seu povo \u00e9 preservada pela cultura oral, ou seja, \u00e9 repassada pela fala de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Como a comunidade tem uma constitui\u00e7\u00e3o colaborativa, e n\u00e3o competitiva, os idosos n\u00e3o param de trabalhar em momento algum, ainda que possam ser ajudados pelos mais jovens. Essa l\u00f3gica define a idade adulta como um grande momento de aprendizado, em que se deve buscar manter caracter\u00edsticas da inf\u00e2ncia, mas absorver conhecimentos para facilitar e dar sentido \u00e0 chegada da velhice.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"5071\" height=\"3381\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8850\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1.png 5071w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1200x800.png 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto3_LucasKeske_JuliaOzorio-1-1568x1045.png 1568w\" sizes=\"(max-width: 5071px) 100vw, 5071px\" \/><figcaption>A placa de &#8220;terra protegida&#8221; indica a entrada dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas demarcados no pa\u00eds<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"5184\" height=\"3456\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8903\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio.png 5184w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-1200x800.png 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Foto5_LucasKeske_JuliaOzorio-1568x1045.png 1568w\" sizes=\"(max-width: 5184px) 100vw, 5184px\" \/><figcaption>Guaranis de todas as idades se re\u00fanem ao redor do fogo | Fotos: J\u00falia Ozorio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Por fim, Cirilo afirma que os <em>Xeram\u00f5is <\/em>\u2013 como s\u00e3o chamados os idosos na l\u00edngua Guarani \u2013, assim como seu tio Augusto, costumam aceitar ajuda dos mais jovens, ao que retribuem com mais conhecimento e experi\u00eancias de vida. Inclusive, s\u00e3o eles que apontam os dons e virtudes das crian\u00e7as que nascem na comunidade enquanto ainda est\u00e3o na barriga de suas m\u00e3es. Tal fato evidencia o prest\u00edgio e considera\u00e7\u00e3o que as pessoas idosas da comunidade recebem, assim como a grande influ\u00eancia deles na comunidade. Ou seja, o Brasil ainda tem o que aprender sobre idosos com seus povos origin\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kuf\u00e0, Kuj\u00e1 ou Xeram\u00f5i. 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