{"id":9805,"date":"2023-04-02T21:30:34","date_gmt":"2023-04-03T00:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=9805"},"modified":"2023-04-03T11:21:21","modified_gmt":"2023-04-03T14:21:21","slug":"separados-pelo-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/separados-pelo-passado\/","title":{"rendered":"Separados pelo passado"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar de ter constru\u00eddo uma vida na It\u00e1lia, Bruno Carlos Piccolo, de 35 anos, come\u00e7ou sua hist\u00f3ria do outro lado do oceano. Ele morou com as irm\u00e3s durante quatro anos no <a href=\"https:\/\/santaterezinha.org.br\/\">Lar Santa Terezinha de Carapicu\u00edba<\/a>, em S\u00e3o Paulo. Com seis anos, foi adotado por um casal de italianos e n\u00e3o lembra dos pais biol\u00f3gicos, mas recorda do dia em que foi embora. &#8220;Eu estava com a minha irm\u00e3 mais velha e as freiras falaram: \u2018esses s\u00e3o os seus novos pais. Voc\u00eas v\u00e3o viajar com eles pra It\u00e1lia, sua vida vai mudar\u2019. E a\u00ed eu fui, crian\u00e7a vai n\u00e9\u201d. A irm\u00e3 mais velha foi com ele para a mesma fam\u00edlia e a mais nova foi adotada em outra cidade no mesmo pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno, que faz quest\u00e3o de dizer que seu sobrenome original era Da Silva, tem um bom relacionamento com os pais adotivos e \u00e9 grato pela vida que tem. \u00c9 pai de Carlos, de seis anos, Romeo, de cinco, e tem Deborah como companheira. Mesmo assim, vive uma contradi\u00e7\u00e3o. Percebe os olhares que recebe por causa da cor da pele e v\u00ea o preconceito da popula\u00e7\u00e3o com estrangeiros. Dos tr\u00eas irm\u00e3os, \u00e9 o \u00fanico que cultivou o interesse em buscar as origens. Viajou ao Brasil tr\u00eas vezes. A primeira, com 18 anos, foi buscar informa\u00e7\u00f5es com as freiras no orfanato em que viveu. Chegando l\u00e1, ouviu que o pai era um traficante e a m\u00e3e, uma prostituta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando voc\u00ea n\u00e3o sabe nada da sua fam\u00edlia, voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9&#8221;<\/p><cite><strong>BRUNO PICCOLO<\/strong>, brasileiro adotado por italianos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando fez 25 anos, retornou. Se apaixonou por Salvador, na Bahia, e, aos poucos, foi resgatando a l\u00edngua materna. Bruno fala portugu\u00eas com sotaque estrangeiro e, de vez em quando, insere no meio da frase uma palavra em italiano. &#8220;N\u00e3o sei como vai acontecendo, mas morando na It\u00e1lia voc\u00ea vai esquecendo. Eu procurei o meu portugu\u00eas viajando no Brasil.\u201d Pelos documentos de ado\u00e7\u00e3o, sabia como se chamavam os pais biol\u00f3gicos. Conta que tremia quando digitou o nome deles na busca do Google. Um dos primeiros resultados foi o texto de uma mulher que procurava os filhos desaparecidos. Com a ajuda de um amigo, conseguiu o endere\u00e7o de onde vinha aquele depoimento. \u201cFoi uma emo\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea n\u00e3o sabe nada da sua fam\u00edlia,&nbsp; voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9\u201d, define.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10757\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Pessoas-reencontram-a-familia-biologica-M141.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Cerise Gomes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bruno descobriu que a m\u00e3e j\u00e1 havia morrido, mas p\u00f4de conhecer tios, primas, uma nova irm\u00e3 e a av\u00f3 de 101 anos. Foi ent\u00e3o que soube de outra vers\u00e3o da hist\u00f3ria. A m\u00e3e n\u00e3o sabia ler, nem escrever, e as freiras entregaram para ela um documento, que disseram ser uma carta nutricional para os filhos, que ela deveria assinar. A carta era, na verdade, uma autoriza\u00e7\u00e3o para deix\u00e1-los na ado\u00e7\u00e3o. \u201cEu acredito na minha fam\u00edlia, todos&nbsp; trabalham, v\u00e3o pra escola e universidade. S\u00e3o pobres, mas gente boa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a fundadora da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental <a href=\"http:\/\/www.desaparecidosdobrasil.org\/\">Desaparecidos do Brasil<\/a>, Amanda Boldeke, na d\u00e9cada de 1980, o Brasil ficou conhecido mundialmente como o maior exportador de beb\u00eas para outros pa\u00edses, a maioria dos casos s\u00e3o de ado\u00e7\u00f5es irregulares e tr\u00e1fico de crian\u00e7as. A ONG&nbsp; atua h\u00e1 30 anos ajudando a encontrar pessoas e \u00e9 pioneira em desvendar casos de ado\u00e7\u00e3o internacional. Conta que a maior dificuldade na localiza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia biol\u00f3gica s\u00e3o dados falsificados. No <em>Facebook<\/em> centenas de grupos s\u00e3o utilizados como um canal de busca para encontrar desaparecidos, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/genteprocurandogentegenteencontrandogente\">maior deles<\/a> possui mais de 176 mil membros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2>Nasce uma filha, nasce uma m\u00e3e<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de saber que foi adotada, a psic\u00f3loga Anna Weber, de 50 anos, do Vale do Para\u00edba, nunca teve interesse em saber dos la\u00e7os consangu\u00edneos, mas n\u00e3o imaginava que, quando se tornasse m\u00e3e, mudaria de opini\u00e3o. Anna tem tr\u00eas filhas e conta que, a cada dia das m\u00e3es que passava, um pensamento se tornava mais forte. &#8220;Tem uma mulher chorando a\u00ed nesse Brasil que n\u00e3o sabe o que houve com o beb\u00ea dela.\u201d Sem coragem de buscar respostas com o pai ainda vivo, pois tinha medo que ele duvidasse do amor dela, guardou essa vontade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9809\" width=\"408\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-768x768.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna-600x600.png 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Anna.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><figcaption>Arte: Eliseu Sauthier<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Depois que perdeu o pai, h\u00e1 quatro anos, voltou ao hospital em que nasceu, mas informaram que n\u00e3o conseguiriam ter acesso a dados de pessoas com mais de 25 anos.&nbsp; Sem saber onde procurar, conversando com um primo, teve uma revela\u00e7\u00e3o inusitada. Ele contou que, quando ela chegou na fam\u00edlia, viu colocarem a pulseirinha do hospital no lixo. Na \u00e9poca, com sete anos, resolveu pegar e guardar. Tinha ela at\u00e9 hoje. Sem acreditar, Anna pediu que lhe enviasse uma foto e, pela primeira vez, viu o nome da genitora. Em grupos do <em>Facebook,<\/em> relatou a hist\u00f3ria na inten\u00e7\u00e3o de ter informa\u00e7\u00f5es. Em poucos dias j\u00e1&nbsp; estava conversando com quem seria a irm\u00e3 biol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro encontro foi no laborat\u00f3rio para fazer o teste de DNA. L\u00e1, pela primeira vez, viu as irm\u00e3s e a m\u00e3e. &#8220;Ela<em> [a m\u00e3e] <\/em>estava muito acanhada, n\u00e3o sabia como reagir. Fui e j\u00e1 abracei. Ela me abra\u00e7ou e come\u00e7ou a pedir perd\u00e3o. Me pede perd\u00e3o at\u00e9 hoje.&#8221; Apesar do sentimento de culpa da m\u00e3e, Anna n\u00e3o guarda m\u00e1goas pelo ocorrido no passado. O teste deu positivo, assim como o elo com as irm\u00e3s. \u201cN\u00e3o importa que fomos criadas longe, n\u00f3s somos id\u00eanticas, \u00e9 o mesmo jeito de todas.\u201d Uma das felicidades de Anna \u00e9 poder dar uma av\u00f3 para as filhas, j\u00e1 que sua m\u00e3e morreu quando tinha 14 anos. Por\u00e9m, ainda \u00e9 dif\u00edcil incorporar em seu vocabul\u00e1rio novamente o termo m\u00e3e: \u201c\u00c9 t\u00e3o forte pra mim, m\u00e3e \u00e9 quem cria, e eu acredito nisso at\u00e9 hoje. Mas entendendo o lado dela, n\u00e3o tem como negar esse lugar para ela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Isolamento compuls\u00f3rio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Bruno e Anna, Helena Bueno, de 62 anos, foi separada da fam\u00edlia por ordem do Estado. \u201cEu nasci no antigo hospital col\u00f4nia, em Itu, no interior de S\u00e3o Paulo. \u00c9&nbsp; onde eram internadas pessoas que tinham hansen\u00edase na \u00e9poca em que havia o isolamento compuls\u00f3rio.&#8221; No Brasil, a <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/26-01-dia-nacional-de-combate-e-prevencao-da-hanseniase-e-dia-mundial-contra-a-hanseniase\/#:~:text=No%20Brasil%2C%20a%20segrega%C3%A7%C3%A3o%20dos,anos%20de%201920%20e%201960.\">pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o<\/a> foi uma medida que violava os Direitos Humanos e foi aplicada dos anos 1920 at\u00e9 1960 para isolar pacientes contaminados.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9807\" width=\"398\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-768x768.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena-600x600.png 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Pessoas-reencontraram-a-familia-biologica_Helena.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><figcaption>Arte: Eliseu Sauthier<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Quando Helena nasceu, imediatamente foi afastada dos pais. As recorda\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia s\u00e3o duras: surras, abuso sexual e c\u00e1rcere privado. Curiosamente, assim como Bruno, tamb\u00e9m passou pelo prevent\u00f3rio Santa Terezinha de Carapicu\u00edba, onde ficou at\u00e9 os 8 anos. Um homem que dizia ser seu tutor, providenciava os lugares para ela ficar. Passou anos pulando de casa em casa. \u201cEra a deus dar\u00e1\u201d, conta. Na \u00faltima casa, depois de ter sido agredida por pegar uma banana, fugiu para uma vizinha que a ajudou. Lembra do que deixou para tr\u00e1s no dia da fuga: pulou o port\u00e3o de ferro em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cal\u00e7ada e deixou cair o ursinho de pel\u00facia do lado de dentro da casa. Tentou enfiar a m\u00e3o para pegar, mas n\u00e3o alcan\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cQuando eu descobri essas duas tias, eu baqueei, porque ao mesmo tempo que voc\u00ea quer conhecer, te remete ao passado&#8221;<\/p><cite><strong>HELENA BUENO<\/strong>, separada dos pais biol\u00f3gicos ao nascer<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com 18 anos, reencontrou uma das irm\u00e3s e, pela primeira vez, teve acesso a documentos dos falecidos pais. N\u00e3o tendo como mudar o passado, seguiu a vida. Casou-se com Nivaldo, de 61 anos, teve um filho, Alexandre, de 29, e adotou dois gatinhos de rua, Fuma\u00e7a e Trem Bom. Um dia, na igreja, ao ver Santa Teresinha, desviou o olhar, pois a imagem a fazia lembrar do sofrimento da inf\u00e2ncia. Pensando nisso, resolveu buscar na internet quem era a Santa. \u201cSabe quando voc\u00ea entra no<em> Google<\/em> pra pesquisar uma coisa e daqui a pouco voc\u00ea t\u00e1 num assunto que n\u00e3o tem nada a ver?\u201d, foi assim que, com 50 anos, conheceu o <a href=\"http:\/\/www.morhan.org.br\/\">Movimento de Reintegra\u00e7\u00e3o das Pessoas Atingidas pela Hansen\u00edase<\/a> (Morhan). Com a ajuda da institui\u00e7\u00e3o, obteve fichas epidemiol\u00f3gicas da secretaria de sa\u00fade com o hist\u00f3rico de seus familiares.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/PessoasReencontramFamilia_JuliaDolores.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9810\" width=\"389\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/PessoasReencontramFamilia_JuliaDolores.jpeg 508w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/PessoasReencontramFamilia_JuliaDolores-212x300.jpeg 212w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><figcaption>Arte: Julia Dolores<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Cinco anos depois, conheceu a fam\u00edlia paterna. Com as palavras quase sumindo, lembra de quando conseguiu uma pista sobre a fam\u00edlia materna. &#8220;Meu sonho era conhecer a fam\u00edlia da minha m\u00e3e.&#8221; Depois de encontrar em um cart\u00f3rio a certid\u00e3o de nascimento das tias maternas, percebeu a raz\u00e3o de nunca achar informa\u00e7\u00f5es: o nome que buscava da av\u00f3 estava errado. Com os documentos, foi de novo para a internet pesquisar e encontrou um n\u00famero de telefone. \u201cFalei, Deus, voc\u00ea n\u00e3o brinca comigo. Eu t\u00f4 procurando isso h\u00e1 muito tempo.\u201d Ligou e n\u00e3o acreditou: era uma das tias. Agora aguardam para se encontrar. \u201cEu n\u00e3o vejo a hora. Acho que vou ter que tomar um litro daqueles ch\u00e1s para acalmar. Quando eu descobri essas duas tias, eu baqueei, porque ao mesmo tempo que voc\u00ea quer conhecer, te remete ao passado.\u201d Bruno, Anna e Helena conseguiram voltar no tempo, mas milhares de outras pessoas ainda n\u00e3o encontraram o ponto de partida e est\u00e3o separadas pelo passado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/compartilhando-o-lar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Compartilhando o lar:<\/strong><\/a> Fam\u00edlia \u00e9 muito mais do que ter la\u00e7os sangu\u00edneos. Grupos que se formam a partir do cultivo de carinho, prote\u00e7\u00e3o e cuidado tamb\u00e9m podem ser considerados fam\u00edlias<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/paixoes-hereditarias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Paix\u00f5es heredit\u00e1rias:<\/strong><\/a> Duas hist\u00f3rias, dois hobbies. Em comum, interesses compartilhados entre pais e filhos<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ter constru\u00eddo uma vida na It\u00e1lia, Bruno Carlos Piccolo, de 35 anos, come\u00e7ou sua hist\u00f3ria do outro lado do oceano. Ele morou com as irm\u00e3s durante quatro anos no Lar Santa Terezinha de Carapicu\u00edba, em S\u00e3o Paulo. Com seis anos, foi adotado por um casal de italianos e n\u00e3o lembra dos pais biol\u00f3gicos,<a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/separados-pelo-passado\/\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;Separados pelo passado&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":91,"featured_media":9811,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181],"tags":[14,186,185,187],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Separados pelo passado &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Pessoas que encontraram a fam\u00edlia biol\u00f3gica desaparecida.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/separados-pelo-passado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Separados pelo passado &mdash; 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