Dá pra confiar no Google?

Fonte: Revista INFO. Abril/2009

Confira a cronologia de alguns erros e bugs do Google em http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu/erros-do-google/

O dia 20 de fevereiro de 2009 ficará para sempre na memória do técnico em informática curitibano Felippe Agner, de 25 anos. Quando tentou acessar o Gmail, ele se deparou com um aviso: “Lamentamos, mas sua conta foi desativada”. Em uma fração de segundo, quatro anos de mensagens acumuladas foram para o espaço. Agner também perdeu o acesso a todos os outros serviços da empresa, como o Google Docs e o Orkut.

Ele Recorreu a Web, encontrou outra usuária que tinha passado pelo mesmo problema e recuperado a conta depois de preencher, várias vezes um formulário do Google. Agner repetiu o procedimento, não adiantou nada ” A gente vira um indigente virtual afirma.” Revisei todos os termos e uso do Google, e não há nada ali que eu tenha violado. “No dia 12 de Março , o acesso voltou . Até Hoje, Agner não sabe o que houve.

Antes raros, os incidentes envolvendo serviços do Google se tornaram mais frequentes desde janeiro. Só neste ano, já houve pelos menos dez episódios – entre falhas críticas e vulnerabilidades detectadas – que afetaram o buscador , o Gmail , o Google Docs, o Google Calendar, o navegador Chrome e o Google Sites. Em apenas 3 meses o número quase igualou o total de erros do ano passado , segundo levantamento feito pela INFO com base em Bugs noticiados pela imprensa especializada ou informado pelo próprio Google . Nada disso, no entanto, é motivo para ligar o micro e tirar todos os seus dados do Google e desistir da computação em nuvem. Está ai uma prova de que em tecnologia nada é infalivel ou escapa da rotina de fazer backup. O próprio Google já vem oferecendo ferramentas para automatizar o trabalho.

Quem usa o Google Gears, por exemplo, consegue acessar a sua caixa de entrada mesmo em situações críticas, como na pane que tirou o Gmail do ar por duas horas e meia no dia 24 de fevereiro. Até mesmo o Picasa ganhou um recurso para fazer o backup das fotos que estão na rede.

Ops! Sua conta foi desativada

Não há estatísticas oficiais, mas dados do Google mostram que a maior parte das panes afetou apenas uma pequena parcela de usuários. Ao lado dos bugs que viram noticia, há também problemas não documentados e que ocorrem de modo localizado, como as exclusões de perfis no Orkut ou desativações de contas do Google, o cado de Agner.

Em outubro, a atriz e ex-paquita Andréa Veiga, de 39 anos, tentou entrar no Orkut e recebeu um aviso: sua página havia sido excluída porque ela teria violado os termos de uso do serviço. “Não tinha nada de errado lá”, diz. Como só adicionava pessoas conhecidas, ela suspeita que tenha sido denunciada injustamente por uma fã vingativa.

Andréa não conseguiu reativar o perfil. “Fiquei indignada”, diz. A atriz fez um desabafo no seu blog (http://bloglog.globo.com/andreaveiga) e acabou voltando ao Orkut com outra conta por insistência dos amigos, mas impõs restrições ao acesso. Meses antes, ela havia denunciado um perfil fake. Mandou até cópias escaneadas de documentos para comprovar sua identidade. “Eles foram super-corretos. Em dois dias, tiraram a página do ar”.

Em muitos casos, quem perde os dados armazenados no Google e consegue recuperá-los volta a usar os serviços sem traumas. Em setembro, o analista de sistemas Marcio Augusto de Oliveira, de 30 anos, foi informado que sua conta do Google usada para acessar o Orkut havia sido desativada. Ele preencheu o formulário de reativação, e então veio o alívio: o problema foi resolvido no dia sequinte. “Aí, a confiança voltou”, afirma.

A analista de sistemas Elza Francisca dos Santos, de 22 anos, passou por uma história semelhante no início do ano. Assim como Oliveira, ela conseguiu recuperar o acesso depois de preencher o formulário. “Depois que isso aconteceu, tive mais segurança ainda com o Google. Não sei se com outro serviço de e-mail eu conseguiria recuperar tudo”, afirma.

Tempestade na nuvem
Por trás das falhas ocasionais, há sempre o temor de que as informações armazenadas pelos serviços do Google ou de outras empresas caiam em mãos erradas. Esse medo não é sentido apenas pelos adeptos das teorias da conspiração. Para Greg Conti – autor do livro Googling Security e professor da Academia Militar dos Estados Unidos-, mais cedo ou mais tarde haverá um grande vazamento na web. “Toda empresa que coleta e retém dados de usuários é uma bomba-relógio de privacidade”, diz.

Ao mesmo tempo em que a quantidade de informações pessoais fornecidas aos serviços hospedados na nuvem cresce a cada dia, as companhias criam novas funções e ferramentas para estimular os internautas a aumentar ainda mais esse volume. “Os dados dão enorme poder a quem os possui”, afirma. Conti concorda, por outro lado, que empresas como o Google fazem um esforço enorme para proteger as informações dos usuários. Ele acredita que as recentes falhas no Gmail e no Google Docs ilustram o desafio de se cuidar de serviços inovadores e complexos. “É muito difícil, senão impossível, criar sistemas de segurança perfeitamente seguros”.

Na questão da privacidade, o maior bug do Google aconteceu no dia 7 de março. Parte dos usuários do Google Docs viu o acesso aos seus documentos liberado a pessoas não autorizadas, com as quais já tinham compartilhado algum tipo de arquivo. O episódio motivou o Eletronic Privacy Information Center (http://epic.org) a agir. A entidade pediu para a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos investigar se o Google está tomando os cuidados necessários com a segurança dos dados no Google Docs.

Preocupado com as consequências da crescente dependência dos internautas em relação ao Google, o designer gráfico romeno George Staicu, de 32 anos, criou o site One Day Without Google (www.onedaywithoutgoogle.org). “Talvez seus produtos sejam os melhores hoje, mas o fato de oferecermos todo o tipo de informação a apenas um provedor me apavora”, afirma.


A reportagem completa encontra-se na fonte indicada acima.


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