Desafios dos ambientes virtuais de aprendizagem

Autores: Maria de Lourdes Coelho e Ana Lúcia Amaral
Título: Os professores universitários e os desafios dos ambientes virtuais de aprendizagem
Fonte: Revista extra-classe. N1, v1, Fevereiro 2008
Disponível em: http://www.sinprominas.org.br/imagensDin/arquivos/342.pdf

RESUMO: O trabalho docente vem sofrendo mudanças significativas e o professor enfrenta, a cada dia, novos desafios em decorrência do acelerado avanço tecnológico e da exigência de domínios de novos saberes. Especialmente neste trabalho, dissertamos sobre a formação inicial e continuada do professor, as mudanças de papéis em diferentes paradigmas educacionais e as alterações no trabalho docente nos novos tempos e espaços virtuais.

PALAVRAS-CHAVE: Trabalho docente, tecnologia, formação continuada.

1. A formação do professor universitário

A formação profissional do professor universitário ocorre em duas fases – “a inicial e a continuada e se efetiva por meio do ensino, da pesquisa e da extensão” (Veiga, 1996: 51). Enquanto a formação continuada é feita em serviço, podendo ocorrer conforme a iniciativa e o interesse do mesmo ou por exigência do plano de carreira institucional, a formação inicial. De acordo com Lampert (1997) a preparação que o indivíduo obtém no curso universitário e na pós-graduação, nem sempre prepara para o efetivo exercício do magistério, pois tanto os cursos de especialização, quanto os de mestrado ou doutorado, na maioria dos casos, privilegiam a formação do pesquisador.

Lampert (1997) nos faz lembrar que a formação inicial do professorado brasileiro sempre foi direcionada aos interesses da classe dominante. Apesar de ter passado por diferentes estágios, somente a partir da década de 60, com a regulamentação dos programas de pós-graduação, foram dados os primeiros passos para o preparo específico do professor superior e, na década de 70, proliferaram cursos com essa finalidade, sendo introduzidas as disciplinas de cunho didático-pedagógico para o ensino superior.

A formação inicial da grande maioria dos professores universitários, portanto, ocorreu de uma “formação acadêmica conservadora, calcada na ideologia da escola tradicional, novista e tecnicista, o que lhe dá uma formação, muitas vezes, bitolada, desprovida de um comprometimento político e social” (Lampert, 1997: 41). A atualização constante deste profissional torna-se emergente, na medida em que a sua atuação formará outros novos profissionais que também deverão buscar a formação continuada por toda a vida (Lévy, 1999 e Delors, 1999).

Oliveira (1996) destaca que a modernização do ensino ainda encontra resistência por parte dos setores tradicionais de ensino. Trata-se de uma reação natural, um fenômeno mundial. O computador e as tecnologias educacionais criaram o mito da substituição do fator humano (tecnofobia), a ameaça imaginária do desemprego e uma suposta desvalorização do homem. Mas, defende Oliveira (1996: 25): “os operadores de todo o mundo, os especialistas, são bem humanos”. Para ele, assim como para Candau (1996), a adequada formação para a utilização dos recursos tecnológicos e a definição dos objetivos educacionais são imprescindíveis para a escolha e a utilização correta do meio de comunicação pedagógica.

Dessa maneira, a formação do professor, tanto inicial quanto continuada, é um processo cada vez mais longo e permanente. De acordo com o paradigma emergente defendido por Morais (1996), o professor que trabalha numa abordagem pedagógica tradicional. Essa abordagem que enfatiza a transmissão, a cópia e o repasse de informações do professor para o aluno, não terá mais espaço, pois, o novo referencial para o modelo de formação de professores pressupõe continuidade e visão de processo, ao contrário da busca de um produto pronto e acabado.

Conforme Lévy (1999), o essencial da educação se encontra em um novo estilo de pedagogia. Uma prática que favoreça, ao mesmo tempo, as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede, ou seja, no ciberespaço ou na rede de computadores que dará suporte à “cibercultura” – “conjunto de técnicas (materiais e culturais) de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o conjunto do ciberespaço” (Lévy, 1999: 17). Das mudanças trazidas pela virtualização da informação decorre a nova relação com o saber.

Em relação a isso, o autor fez três constatações. A primeira diz respeito à velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e do savoir-faire: “Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa no início de seu percurso profissional estarão obsoletos no final de sua carreira.” (Lévy, 1999: 157) A segunda diz respeito à nova natureza do trabalho e as constantes mudanças, pois trabalhar quer dizer, cada vez mais, aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos. A terceira constatação sintetiza o potencial do ciberespaço para o uso pedagógico:

“O ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (banco de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos), imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos)” (Lévy, 1999: 157).

Portanto, no momento atual de globalização da economia e das conseqüentes mudanças no modo de produção e no sistema educacional, a formação permanente e reflexiva do educador se faz ainda mais necessária. Nesse sentido, Nóvoa (1991: 26) defende: “a formação não se faz antes da mudança, faz-se durante, produz-se num esforço de inovação e de procura aqui e agora dos melhores percursos para a transformação da escola.”

De acordo com Sancho (1998), a preparação do professorado para a utilização das novas tecnologias da comunicação e informação terá que considerar os aspectos relacionados a uma formação crítico-situacional, conceptual, tecno-pedagógica, instrumental e auto-reflexiva. Assim, estariam garantidas as competências necessárias ao docente contemporâneo para proporcionar uma educação de qualidade. Segundo a autora, essa idéia de formação deveria fazer parte da política de formação inicial e permanente dos docentes para todos os níveis de ensino, ou seja, da educação infantil ao universitário.

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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