Software educacional livre e deficiência visual

Autores: Mírian Bruckschen, Sandro José Rigo e Édina Fagundes
Título: Desenvolvimento de software educacional livre e inclusão de alunos com deficiência visual
Fonte: http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo10/artigos/6gMirian.pdf

RESUMO: O desenvolvimento de software educacional que proporcione acessibilidade aos alunos com necessidades educacionais especiais é uma necessidade facilmente identificável no contexto atual. Entretanto, a grande maioria das aplicações conhecidas não atende aos requisitos de acessibilidade, e algumas das soluções disponíveis com este objetivo possuem um custo proibitivo e muitas vezes não são adequadas às situações vivenciadas pelos alunos que as utilizam. Neste artigo, apresentamos um relato de desenvolvimento de software educacional acessível e livre, voltado para inclusão de pessoas com deficiências visuais. Para tal desenvolvimento, houve a interação de uma equipe multidisciplinar envolvendo inclusive os alunos e seus professores, além de profissionais da Pedagogia e Informática.

PALAVRAS-CHAVE: deficiência visual, educação, tecnologia, software livre

1. Introdução

O perfil dos usuários que se beneficiam dos recursos tecnológicos é cada vez mais heterogêneo, dado a crescente popularização e disponibilização de alternativas, variando desde computadores e celulares, caixas eletrônicos e sofisticados sistemas de som e vídeo. Exemplos desta diversificação dos usuários de computadores, por exemplo, incluem crianças ainda não alfabetizadas, pessoas idosas e pessoas com diferentes tipos de deficiências ou necessidades especiais. Esta ampliação no uso de recursos tecnológicos estende-se às escolas, inclusive naquelas voltadas para alunos com necessidades educacionais especiais. Entretanto, a grande maioria dos dispositivos tecnológicos envolvem interação e uso de mais de um sentido (visão, audição, cognição), fato que determina a dificuldade ou impossibilidade para que parte deste público potencial possa fazer uso adequado destes dispositivos (Preece et al., 1994; Booth, 1989).

Atualmente, já existem recursos disponíveis para proporcionar com qualidade adequada a síntese de voz, a partir de conjuntos de textos que podem ser gerados dinamicamente. Esta disponibilidade tecnológica proporciona o suporte necessário para o desenvolvimento de aplicações educacionais que atendam aos requisitos de acessibilidade para o um público com deficiência visual. Entretanto, muitas das aplicações conhecidas são caras e desenvolvidas de modo um tanto alheio às reais necessidades dos seus usuários.

Desta forma, objetivando o encaminhamento de uma solução que possibilite o desenvolvimento de aplicações educacionais com uso de síntese de voz em software livre e cujo projeto e avaliação incorpore a participação efetiva de seus futuros usuários, apresentamos o relato do projeto, implementação e teste de uma aplicação educacional acessível, realizada de forma participativa, em um contexto de uma equipe multidisciplinar de desenvolvimento, voltada para alunos do ensino fundamental com deficiências visuais.

Os principais diferenciais deste trabalho consistem em seu caráter multidisciplinar e na interação com os usuários finais desde a sua concepção. Isso possibilitou, acreditamos, melhores resultados e uma contribuição mais completa e rica ao público a que se destina e à sociedade como um todo.

2. Deficiência, acessibilidade e inclusão

Importante fator motivador para o crescente interesse na área de acessibilidade é a chamada inclusão social, cuja história é bastante recente. No início da década de 80, começou a surgir um movimento pela inclusão de pessoas com deficiências na sociedade, que logo foi denominado desta forma (Werneck, 1999; Sassaki, 1997; Sidarta, 2003). (Sidarta, 2003) define inclusão como a “inserção total e incondicional” do indivíduo com deficiência na sociedade.

O Brasil apresenta um quadro preocupante frente à várias demandas sociais. Destacamos como problemática as diversas contingências que fragilizam à acessibilidade à educação para todos. Nosso país possui 33 milhões de analfabetos funcionais (cerca de 18% da população), ou seja, pessoas com menos de quatro anos de estudo, e 16 milhões de pessoas com mais de 15 anos que ainda não foram alfabetizadas (IBGE, 1999).

Considerando este contingente de adolescentes e adultos analfabetos funcionais, matriculados ou não, há ainda a problemática de que, entre eles, há ainda aqueles demandatários de educação inclusiva. Estes, por certo, apresentam peculiaridades acentuadas em sua forma e tempo de aprender, possibilidades visuais, auditivas, motoras, entre outras

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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