Nossa Vida no Ciberespaço

Autores: Marcelo Branco
Título: Nossa Vida no Ciberespaço
Fonte: http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/5483-5475-1-PB.htm

Introdução

Uma publicidade sedutora nos leva para a consumo desenfreado de novos aparatos tecnológicos, estabelecendo novas formas de comunicação entre as pessoas e das pessoas com coisas. Estamos vivenciando uma revolução, que tem como elemento central a tecnologia da informação e da comunicação.

Por conseqüência, estamos presenciando uma profunda alteração nas relações sociais, políticas e econômicas, impulsionadas por uma expansão permanente de hardware, software, aplicações de comunicações que prometem melhorar os resultados na economia, provocar novos estímulos culturais e incentivar o aperfeiçoamento pessoal, através do uso da tecnologia para a prática educativa. Longe de cumprir o prometido, o ciberespaço ou a sociedade da informação – que hoje se materializa com o crescimento da Internet – tem aumentado a desigualdade entre aqueles que detém e os que não detém o acesso aos benefícios desta rede. Para nós , que queremos um outro mundo, compreender e refletir sobre este novo patamar da acumulação capitalista e explorar as potencialidades contraditórias deste novo período histórico, são fatores fundamentais para a atualização de nossas elaborações teóricas.

Nossa vida no Ciberespaço

Os até então hegemônicos aparatos de fornecimento de informação, comunicação, entretenimento e de formas de fazer negócios, estão sendo substituídos por uma segunda geração tecnológica, não mais de faixa estreita, mas de faixa larga. O objetivo é fornecer um maior volume de informações multimodais, (sons, imagens e textos) de forma simultânea, multiplexados e transmitidos a uma velocidade cada vez maior. A codificação digital é o processo que faz com que as informações armazenadas em um computador (dados), as telecomunicações e os processos de transmissão de rádio e televisão, convirjam para o mesmo formato. A tecnologia convergente combina as capacidades tecnológicas que andavam separadas e anuncia que o telefone, o computador, a TV e o aparelho de som irão operar como uma única unidade, muito mais poderosa e com muito mais incidência nas nossas vidas do que poderíamos imaginar. A Internet é a materialização deste novo cenário, impulsionada pelo esforço de fabricantes, pesquisadores, hackers * e de políticas Governamentais. Antes do surgimento da rede das redes (a Internet), as comunicações tradicionais se dividiam em duas categorias: uma a um ou um-a-alguns (fax e telefone) e um-a-muitos (TV, rádio, jornal impresso e cinema). No novo ambiente, além das categorias anteriores, surge a possibilidade de comunicação do tipo muitos-a-muitos. Isto não significa apenas acessar a maior quantidade de informações, mas transformar as relações economicas e sociais – que interagem em todos os ramos da produção capitalista, procurando ajustar-se a esta maneira “mais econômica” de fazer negócios e de se relacionar com as pessoas. Surgem novas formas de relacionamento e novas comunidades não enraizadas geograficamente, novos produtores, novos distribuidores e novos consumidores posicionados na esfera global e não mais de forma local ou regional. Esta nova relação econômica, política e social – chamada de virtual – não tem cara e nem espaço, agora é parte da rotina de nossas vidas. Nossa vida no Ciberespaço.

Exclusão Digital

Nesta nova ordem econômica resultante do declínio da manufatura e da expansão do setor de serviços, vimos nascer o setor da informação e sua importância crescente como fonte de produtos, de crescimento e de criação de riquezas. “Movimentar bits em vez de átomos custa muito menos”. O valor do conhecimento como um “bem universal”, perdeu espaço para a mercantilização do conhecimento. O conhecimento e a informação passam a ser mais um produto no mercado globalizado. Esse novo patamar tecnológico da acumulação capitalista está trazendo implicações para os padrões de emprego, contribuindo decisivamente para o alto grau de obsolescência dos empregos na indústria, e de forma mais aguda para o setor de serviços. Surgem novos atores sociais, novas relações de trabalho, novas profissões. A possibilidade de colocarmos a produção mais próxima das fontes mais baratas de trabalho propicia novas divisões internacionais do trabalho, novas formas de controle e aumento da competição salarial. O capital navega neste ciberespaço para onde possa, com maior produtividade, encontrar novos negócios e construir novos mercados. O Brasil e parte dos países periféricos são vistos pelos controladores do mercado internacional como um vasto mercado para o consumo de tecnologias proprietárias e conteúdos oriundos de países do Norte . Essa dinâmica nos coloca como simples consumidores de tecnologia e conteúdos e não como sujeitos nesse novo cenário global. Entramos no cenário digital de forma subordinada aos interesses das políticas dos países centrais e das coporações globais. Nosso desenvolvimento científico, tecnológico e econômico também se coloca de forma subordinada, e no plano social aumenta a exclusão digital ao invéz de diminuir. Nossos países e regiões estão se tornando ainda mais pobres no plano econômico e surge uma nova dimensão de pobreza – a pobreza da informação e do conhecimento digital. “A exclusão de pessoas relativamente à participação ativa, ao privilégio e à responsabilidade na sociedade da informação, talvez seja maior do que a exclusão do acesso a privilégios dos grupos dominantes a que elas estavam submetidas no passado”. O exemplo mais marcante desta exclusão é que a metade dos habitantes da terra nunca fizeram sequer uma ligação telefônica.

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O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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