Artigos durante o FISL13

Artigos durante o FISL13

Vou aproveitar desse espaço para postar alguns textos que escrevi durante e para o FISL13.

Desenvolvedor do KDE/EDU fala sobre o projeto no Brasil durante o fisl13

                                                                                                                 Por Rafaela Melo – UFRGS

Filipe Saraiva, desenvolvedor do KDE há 6 anos e participante do fis13, conta que dentro do projeto KDE existe um subprojeto chamado de KDE/EDU, em que professores, programadores, hackers e demais interessados, desenvolvem softwares utilizando a tecnologia do KDE. De acordo com o desenvolvedor, estão disponíveis diversos softwares e aplicativos criados exclusivamente para o uso educacional.
O desenvolvedor cita o Kgeography que é um módulo voltado para o ensino de geografia, sendo nele possível visualizar bandeiras de determinadas regiões, mapas, capitais e diversos outros recursos, o blinKen, que é um jogo de memória similar ao brinquedo “Genius” da estrela, famoso por ser um excelente módulo para trabalhar a memórias das crianças, o Kig que oferece um plano cartesiano para ser utilizado em desenho geométrico, o KmPlot, software que desenha gráficos a partir de uma equação, e por fim o Kturtle, que ao apresentar de forma didática conceitos de programação, proporciona ao aluno desde muito cedo o contato com as linguagens, podendo assim, nascer futuros desenvolvedores.

Esses e tantos outros softwares, podem ser encontrados na página oficial do projeto: http://edu.kde.org/

Felipe Saraiva comenta que o fisl é um importante espaço de diálogo entre os desenvolvedores e professores interessados no uso dos aplicativos KDE/EDU nas escolas, além de também ser uma oportunidade para a reativação e formação de comunidades para troca de informações, sugestões e feedbacks. Segundo ele, o fortalecimento dessas comunidades são imprescindíveis para se estabelecer diálogos com o Governo, e que estes resultem em formulação e reformulação de políticas públicas de inclusão tecnológica, com objetivos e metas bem definidas, cronogramas de atuação a longo prazo e em um maior e melhor investimento em Software Livre de qualidade.
A comunidade do KDE tem um stand na feira do fisl para demonstrações dos projetos, vendas de alguns KDE souvenirs como camisetas e chaveiros, além da presença do simpático dragão verde Konqi.

                           GT Educação discute sobre o papel do professor na rede

                                                                                         Por Rafaela Melo e Ana Beatriz Carvalho

A manhã do terceiro dia do fisl13 foi marcada pelos debates no GT Educação onde especialistas, professores e pesquisadores de vários lugares e instituições, debateram sobre a atuação dos profissionais da educação nos ambientes virtuais, sobre as políticas públicas de inclusão digital e as múltiplas possibilidades e desafios do uso Software Livre na Educação.

Na primeira mesa, os palestrantes Hugo Canali, Rafael Bergamaschi, Ana Beatriz Carvalho, Ana Matte e Wilkens Lenon, discutiram as possibilidades de interação dos professores no Portal do Professor Livre que está sendo construído pelo grupo Texto Livre, da UFMG. A questão central da mesa diz respeito ao como fazer o professor que está efetivamente em sala de aula se interessar por acessar, compartilhar e colaborar na rede, utilizando o Software Livre como meio.
Na mesa a seguir, os palestrantes Frederico Guimarães, Pablo Jacier Ercheverry e Laura Marotias, apresentaram a “LibrEdu: avanços na construção de uma rede latinoamericana de Educação.” Entre os objetivos da LibrEdu estão: discutir o acesso à conectividade baseada em padrões e softwares livres; capacitação dos educadores no/para o uso do software livre; estimular a liberação dos materiais produzidos pelos educadores sob uma licença livre; catalogar, agregar, disponibilizar, de forma off-line, recursos educacionais abertos.
A contribuição dos participantes nas duas mesas foi bastante interessante, reafirmando a necessidade de uma construção coletiva dos objetivos e princípios das ações para disseminação do uso do software livre nos diversos níveis da Educação.

    Oficina do fisl13 debate o uso das TICs, Formação de Professores e Cultura Livre

                                                                                                                                          Por Rafaela Melo

 A trilha educacional de oficinas realizadas no Espaço de Educação Colaborativa – Paulo Freire, tem contribuído para a divulgação do uso Software Livre na Educação e para elaboração de propostas pedagógicas baseadas na colaboração em rede. Educadores de escolas públicas e privadas, estudantes, pesquisadores e interessados de vários estados do país, trocam experiências sobre o uso das tecnologias e do Software Livre na Educação. A oficina que faz parte de um ciclo com quatro tomadas, tem por tema “Educação Libertária e Código Proprietário”.

O Educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, ao conceituar a Educação Libertadora, compreende que para a transformação da sociedade, exige que se parta do contexto concreto/vivido para se chegar ao contexto teórico, o que requer uma curiosidade epistemológica, a problematização, a rigorosidade, a criatividade, o diálogo, a vivência da práxis e o protagonismo dos sujeitos.

O uso do Software Livre na Educação nesse sentido é libertador, ao possibilitar e potencializar o acesso e a democratização do conhecimento, o pensamento crítico, a criação de espaços para o compartilhamento das produções, o estímulo para construção e a colaboração em rede, a autonomia intelectual dos alunos, além de proporcionar uma independência tecnológica e cultural, pois a defesa da utilização Software Livre nos ajuda a refletir criticamente a cerca dos produtos e tecnologias proprietárias e nos mobiliza a defender a universalização e a socialização do conhecimento e cultura.

Vítor Steinhaus de Curitiba-PR, aluno do 8° ano do ensino fundamental e um dos palestrantes da oficina, afirmou que participar de um projeto envolvendo Robótica, Software Livre e Inteligência Artificial, mudou radicalmente sua vida. Ele se declara apaixonado pelo Software Livre e hoje dá os primeiros passos no aprendizado das Linguagens de Programação. Durante a oficina, Vítor afirmou sentir-se mais confiante em resolver problemas e compartilhar tudo o que aprende para seus os amigos.

A oficina também discutiu a necessidade do desenvolvimento de projetos pedagógicos que proporcionem o uso de tecnologias livres nos espaços escolares e a flexibilização do currículo escolar. Um dos pontos marcantes nas falas dos participantes da oficina, diz respeito à dificuldade sentida pelos professores ao trabalharem com as TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação) na sala de aula.

Professores, pesquisadores e estudantes, argumentaram que a estrutura precária das escolas públicas, até mesmo das privadas, a desvalorização da profissão docente, a falta de incentivo à formação continuada e outras questões referentes à ausência de componentes curriculares que tratem do uso das tecnologias nos cursos de graduação, revelam o desafio de repensar os diversos modos como o conhecimento se constrói, elaborando novas estratégias que visem a incorporação das tecnologias livres nos debates educacionais e nas instituições de ensino.

Saúde dos trabalhadores, Propriedade Intelectual e Marco Civil da Internet em debate no #fisl13

                                                                                                                                        Por Rafaela Melo

O primeiro painel dessa manhã de quinta, teve como eixo do debate o tema “Inclusão Tecnológica, Sustentabilidade e Trabalho” e contou com a participação de cinco profissionais das áreas do Direito, Tecnologia e Relações de Trabalho. A palestrante Socorro Lago, Diretora do SindPD-MA (Sindicato de Processamento de Dados do Maranhão) e, na Fenadados, de Meio Ambiente, defendeu no painel a importância do cuidado com a saúde do trabalhador, proteção do meio ambiente do trabalho, igualdade entre homens e mulheres e liberdade de negociação. A palestrante enfatizou a urgência da preservação da dignidade humana, cidadania e da saúde física e psíquica dos trabalhadores.

O Professor de Direito da Universidade Federal de Rio Grande e Doutor em Direito Público Anderson O. Cavalcante Lobato, mencionou em sua apresentação os desafios da Propriedade Intelectual, a promoção da Inclusão Social através dos meios tecnológicos, a colaboratividade no mundo do trabalho e reforçou a necessidade de se rever os parâmetros da atual legislação e de maior utilização e difusão de Softwares e arquivos livres pelas instituições de ensino.

Paulo Rená da Silva Santarém, Mestre em Direito, Estado e Constituição (UnB), tratou da importância do Marco Civil da Internet (PL 2126/11), projeto discutido no país desde 2009 e tema de intensos debates em outras edições do fisl, sendo relembrada pelo palestrante a edição que contou com a participação do Ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e Tarso Genro então Ministro da Justiça e atual Governador do Estado do Rio Grande do Sul, que reconheceram a necessidade de se proteger o direito dos usuários.

O Marco Civil da Internet é um Projeto de Lei que legitima a garantia dos direitos e deveres na internet brasileira, a liberdade de manifestação e pensamento e também a proteção da privacidade dos usuários. O PL que deveria ter sido votado pela Câmara dos Deputados no dia 13/07, teve de ser adiado por falta de quórum e de conhecimento do projeto pelos parlamentares. O PL2126/11 deve voltar à pauta somente em agosto, quando acaba o recesso parlamentar e ainda corre o risco de ser novamente adiado, devido às eleições 2012.

A mesa também contou com a participação e mediação dos advogados e professores Cláudio Pereira dos Santos Neto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, que trataram da necessidade de regulação dos profissionais de T.I, do combate às formas de restrições pelas empresas ao direito à privacidade dos trabalhadores. O Professor Anderson Lobato elogiou a inserção da temática trabalho pela organização do evento. Ele afirmou que “a mudança do foco da temática que antes voltava-se para o empregador, nessa edição do evento contempla também o empregado”.

E por fim, as reflexões construídas a partir das questões que foram debatidas no painel, contribuíram com elementos importantes para se pensar em formas de desenvolvimento tecnológico com sustentabilidade, que contribuam para a inclusão social e que respeite aos direitos humanos nas relações de trabalho.

# Saiba mais sobre o Marco Civil da Internet em: http://culturadigital.br/marcocivil/consulta/

 Quer saber tudo sobre a 14ª edição do Fórum Internacional do Software Livre?

http://softwarelivre.org/fisl14

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Um Trackback

  1. de Teste de rastreamento trackback « Monitoria 2013/1 em 23 de abril de 2013 às 18:44

    […] Olá Rafaela, estou citando o artigo do teu blog para testar o funcionamento do mecanismo de rastreamento automático trackback. http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu/rafaelamelo/2013/04/06/artigos-publicados-no-ultimo-fisl/ […]

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