Trabalho docente na educação a distância

Autores: Daniel Ribeiro Mill, Carla Ferreti Santiago e Inajara de Salles Viana
Título: Trabalho docente na educação a distância: condições de trabalho e implicações trabalhistas
Fonte: Revista extra-classe. N1, v1, Fevereiro 2008
Disponível em: http://www.sinprominas.org.br/imagensDin/arquivos/341.pdf

RESUMO: O presente trabalho busca compreender o fenômeno de disseminação da Educação a Distância na perspectiva de seus impactos sobre o trabalho docente, principalmente no que se refere às condições de seu exercício e nas suas relações com o tempo e o espaço de trabalho. Dessa forma, a premissa da qual se parte é que a Educação a Distância tem promovido uma crescente precarização no trabalho docente tendo em vista a sobrecarga de atividades que ela traz ao professor associada à falta de regulamentação das relações trabalhistas em ambientes virtuais.

PALAVRAS-CHAVE: Educação a distância, trabalho docente, relações de trabalho.

1. Introdução

A despeito de sua longa existência, especialmente no cenário internacional, a Educação a Distância (EaD) se disseminou no Brasil somente nas últimas duas décadas. Talvez, por esse crescimento ainda ser recente, os programas em EaD têm suscitado diversas controvérsias e temores entre aqueles sujeitos que se dedicam ao trabalho e reflexão sobre o campo educacional.

Dentre os temas em debate atualmente, o impacto das atividades de EAD sobre o trabalho docente é um dos que mais têm merecido atenção. Inúmeros são os elementos assinalados, nesse aspecto, especialmente quanto aos riscos trabalhistas que os programas em EaD envolvem: o aumento da carga de trabalho dos docentes, as novas exigências impostas pelo uso das tecnologias digitais, o “empobrecimento” da mediação pedagógica por meio da atuação da tutoria, precarização do trabalho em termos de condições de trabalho, entre outros. Alguns educadores mais críticos – ou mais pessimistas – chegam a temer pelo futuro da profissão docente, indicando a possibilidade de redução das funções do professor por meio de sua substituição pelas tecnologias de informação e comunicação.

Dentro desse acalorado debate, neste texto, pretendemos apresentar algumas questões que podem contribuir para a reflexão sobre o processo de trabalho docente na EAD e suas implicações diretas ou indiretas.

2. Sobre tempos e espaços de trabalho na educação a distância

Considerando o forte caráter de flexibilidade espaço-temporal das atividades pedagógicas da educação a distância, parece crucial que este seja o centro da análise. Os espaços e tempos de trabalho da educação (presencial) passam por um completo redimensionamento com o advento do trabalho docente na EaD (especialmente na EaD virtual). É fundamental partirmos da compreensão de que os tempos e espaços escolares constituem fatores fundamentais para a compreensão do processo de trabalho pedagógico, inclusive para o seu desenvolvimento. Compreender o significado do espaçotempo na vida escolar e o seu sentido para o trabalho tem ganhado progressiva relevância. Isso implica reflexão sobre a lógica espaçotemporal que orienta a organização do trabalho escolar. Há muito a er pensado entre o secular espaço da sala de aula (lugar privilegiado para o ensino-aprendizagem e para a atuação docente) e o espaço simulado dos ambientes virtuais de aprendizagem (“novo espaço” de trabalho docente). Há muito por entender entre os fragmentados tempos educacionais em momentos para a aula, para o recreio, para a disciplina de história, de matemática etc. e os flexíveis tempos da educação na contemporaneidade – em especial, na educação a distância (EaD).

As tecnologias de informação e comunicação – típicas do nosso tempo e mais presentes no processo de trabalho docente à distância do que na educação presencial – interferem na experiência com o espaço-tempo de determinado grupo social e passam a condicionar o sentido do tempo e espaço. A rigor, as formas de medição tornam-se meios de exploração do trabalho (Thompson, 1998). Isso quer dizer que o trabalhador docente à distância, tendo suas atividades intensamente mediadas por tecnologias digitais, poderá estabelecer relações diferenciadas com o tempo e com o espaço em relação ao trabalhador docente presencial, implicando necessariamente um outro patamar de exploração da mais-valia pelo capital no âmbito educacional. Como há muito postulou Karl Marx, as formas de exploração da força de trabalho passam pelo domínio dos meios de produção; ou seja, a detenção e manipulação das tecnologias pelas quais o trabalhador realiza seu trabalho constituem uma importante estratégia de exploração capitalista da mais-valia.

Apresentam-se, nesse contexto, questionamentos como: que transformações podem ser observadas no trabalho do educador quando os processos pedagógicos são estabelecidos por meio de tecnologias virtuais? Como as mudanças nos tempos e espaços introduzidos pelos processos pedagógicos virtuais podem influenciar no trabalho docente? São implicações de que natureza?

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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