Trabalho docente, tecnologias e educação a distância

Autores: Fernando S.R. Fidalgo e Nara l. Rocha Fidalgo
Título: Trabalho docente, tecnologias e educação a distância: novos desafios?
Fonte: Extra-Classe. Revista de Trabalho e Educação. Ano 1 . Número 1 . Volume 1 . Março 2008
Disponível em: http://www.sinprominas.org.br/imagensDin/arquivos/339.pdf

RESUMO: O presente artigo aborda o uso das novas tecnologias no trabalho docente. Problematizando o encantamento tecnológico do professor em contraste com a subordinação a uma lógica eficiente de produtividade laboral. O rompimento com os limites espaço-temporais proporcionado pelas novas ferramentas termina por estender as horas de trabalho para casa ou para o momento de lazer. Estas transformações estão inseridas num contexto de mudanças globais que afetam especialmente o setor educacional, no qual o trabalho docente é confrontado com a cultura do desempenho ou lógica produtivista.

PALAVRAS-CHAVE: Trabalho docente, tecnologia, educação à distância.

Introdução

Os professores têm sido confrontados cotidianamente com a disseminação e avanço das tecnologias da informação e da comunicação e a expansão e massificação das tecnologias digitais e das redes de computadores, intranet e internet. Saber utilizar essas tecnologias passou a ser um elemento determinante nos processos de inserção social e profissional. As relações e os processos de trabalho docente não ficaram alheios a esse desenvolvimento tecnológico, embora ocorram muitas resistências. A modalidade da educação a distância desponta no horizonte como uma grande avalanche, sendo instituída pelo Estado e pelas instituições privadas de ensino, nas últimas décadas, sem que um dos seus principais agentes (os professores) pudessem ou conseguissem criar formas efetivas de enfrentamento crítico e de estabelecimento de uma regulamentação capaz de salvaguardar o processo de profissionalização e as condições de trabalho.

Vários estudos que dialogam com o trabalho docente, tecnologia e educação a distância vêm sendo desenvolvidos. Porém, verificamos que, por um lado, as categorias teórico-metodológicas têm sido construídas com base em estudos de caráter dedutivista, nos quais se busca, apenas, transpor estudos sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade ou no trabalho de forma geral, para a compreensão do que deveria estar acontecendo com o trabalho dos professores. De outro lado, encontram-se textos que apresentam recomendações sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação na escola ou fazem a simples descrição de experiências.

Ainda são raros os estudos empíricos que buscam desvendar as novas facetas do trabalho docente, em suas dimensões: presencial ou à distância, quando confrontados por esses novos aportes e pacotes tecnológicos.

A utilização das tecnologias informáticas, como mediadoras dos processos de aprendizagem, vai aos poucos deixando de lado seu caráter episódico para comporem o dia-a-dia dos processos pedagógicos. Implica, portanto, ao professor o desenvolvimento de novas competências de criação, acompanhamento e controle do trabalho dos alunos, de forma a capacitá-los ao domínio pleno e criativo destas inovações e não, apenas, de sua utilização, ao mesmo tempo em que ele mesmo está aprendendo a utilizar para uso pessoal e como ferramenta pedagógica. Essa nova mediação do processo de trabalho docente implica necessariamente na construção de uma nova profissionalização que tem sido insuficientemente levada em consideração na formação inicial de professores e nos programas de formação continuada.

Apesar da constatada insuficiência, do ponto de vista da sua formação, os professores desenvolvem, no seu processo de trabalho, estratégias de introdução e implementação dessas tecnologias, pois são impulsionados por relações sociais objetivas de um processo histórico-social no qual o efêmero é a única coisa que parece perene. A cada dia, são novas ferramentas, novos instrumentos, novas técnicas a serem dominadas. O que implica necessariamente em construir novos saberes, habilidades e competências docentes a cada instante. É preciso decodificar o processo implementado pelos sujeitos para, apesar de condições objetivas e subjetivas nem sempre favoráveis, garantir o desenvolvimento de suas capacidades de trabalho, na busca constante de reconhecimento e de construção da sua identidade profissional.

Ao se analisar a relação trabalho docente-tecnologia, pretende-se superar certo subjetivismo presente nas discussões sobre novas tecnologias e educação, que não levam em consideração a necessidade de compreensão das relações dos indivíduos com a tecnologia, enquanto relações sociais, apreendendo as condições históricas para a sua realização.

A crescente informatização da sociedade confronta a capacidade dos professores em dar conta das mudanças necessárias na objetividade dos processos de trabalho e de sua própria subjetividade. Estes sofrem os efeitos do encurtamento do tempo de reprodução de sua força de trabalho, das condições de apropriação de conhecimentos, sem que lhes seja concedido o tempo necessário para refletirem sobre estas mudanças, sendo levados pela onda da inovação. Nesse caráter de urgência, precisam desenvolver habilidades especiais, pois é necessário não apenas assimilar, mas acompanhar a própria dinâmica inerente ao avanço dessas novas tecnologias.

A idéia de “espaço” de aprendizagem, como a sala de aula, se já refutada pelas teorias pedagógicas interacionistas, com o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, tornou-se inócua. O professor é desafiado pelos alunos a conhecer e se expressar para além do que está registrado nos livros didáticos, ele precisa arbitrar entre o que pode ser entendido como “verdade” ou pelo menos como informação confiável num mar intempestivo e desordenado, para o qual as bússolas tradicionais para orientação do que é resultado científico são completamente insuficientes.

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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