Usuários e programadores de software livre

Autor: Maurício Pires Augusto
Título: Um estudo sobre as motivações e orientações de usuários e programadores brasileiros de software livre
Fonte: AUGUSTO, Maurício Pires. Um estudo sobre as motivações e orientações de usuários e programadores brasileiros de software livre. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPEAD, 2003. Dissertação (Mestrado em Administração).

RESUMO: O conceito do software livre é tão antigo quanto a própria história da indústria de software. Entretanto, somente nos últimos anos houve um aumento no interesse acadêmico e comercial sobre o assunto. O que caracteriza um software livre é a possibilidade de se usar, modificar e redistribuir novas versões dos programas. Isto só é possível se o código-fonte, aquele que pode ser lido pelas pessoas, estiver disponível. Além disso, é baseado predominantemente em contribuições voluntárias sem um suporte organizacional tradicional.

O presente estudo buscou entender quais são as motivações e orientações de usuários e desenvolvedores brasileiros de software livre. Através dos dados obtidos pela aplicação de um questionário on-line foi possível identificar que estes indivíduos buscam principalmente aumentar o conhecimento em computação e, ainda, que existem grupos distintos que valorizam em maior ou menor intensidade alguns aspectos como: o ganho de reputação através de contribuições de código ou da ajuda a outros usuários, o fato de que usar ou desenvolver o software livre representa uma diversão, a melhoria de empregabilidade e o desenvolvimento em horas vagas. Ainda foram identificados indivíduos que recebem alguma forma de pagamento ou têm a obrigação de usar ou desenvolver os programas, além da expectativa de que seja possível vender produtos ou serviços associados ao software livre.

1 Introdução

O software livre pode ser encarado como uma questão de princípios ideológicos, onde se busca a liberdade em usar e modificar programas de computador, ou sobre uma ótica estritamente tecnológica, onde é possível desenvolver programas de qualidade superior a partir da disponibilidade do seu código-fonte. Todavia, não deve ser visto como uma questão de preço. “Software livre não é software grátis” esclareceu Richard Stallman (1996), um dos principais gurus do movimento. O que caracteriza um software livre é, basicamente, a possibilidade de modificação e redistribuição dos programas, o que somente é possível se o código-fonte – aquele que pode ser lido pelo homem – estiver disponível. Assim sendo, com a posse do código-fonte, um desenvolvedor poderá estudar os programas, adaptá-los às suas necessidades, adicionar melhorias, criar e redistribuir novas versões.

O modelo de desenvolvimento do software livre traz algumas mudanças fundamentais em relação ao modelo utilizado tradicionalmente pela indústria. Os programas são escritos por uma comunidade de desenvolvedores que utiliza a Internet como meio de comunicação. Normalmente, a participação nos projetos é voluntária e não há contrapartida pecuniária pelo trabalho desenvolvido. Por fim, o código-fonte é tornado público através de licenças específicas que garantem sua utilização, modificação e posterior redistribuição sem encargo algum.

O modelo de desenvolvimento e distribuição do software livre, porém, não é recente. Sua origem pode ser associada ao desenvolvimento dos primeiros computadores e à comunidade de cientistas e engenheiros que os utilizavam. Grande parte do que se entende por Ciência da Computação existe hoje em dia graças a colaborações de softwares livres. A implementação dos protocolos de comunicação TCP/IP desenvolvida pela Universidade de Berkeley foi usada como base e, por vezes, fonte direta de diversas implementações escritas desde então e contribuiu de forma decisiva para a rápida difusão da Internet. O servidor Apache, usado na publicação de páginas Web, e o roteador de mensagens Sendmail são também exemplos de contribuições do movimento. Porém, somente nos últimos anos e devido principalmente ao sucesso do sistema operacional Linux, o tema teve maior exposição e vários artigos foram escritos sobre o assunto.

Os primeiros textos publicados tentaram recuperar e retratar a gênese do movimento, os principais personagens e suas contribuições. A maior parte da literatura restante trata de discussões sobre a qualidade, confiabilidade e segurança dos softwares livres e comparações entre estes e os seus equivalentes proprietários. Todavia, as pesquisas científicas na área são poucas e normalmente baseadas em dados históricos de cada projeto. Existem análises demográficas, da qualidade do software e alguns levantamentos de quem é o desenvolvedor de software livre.

No Brasil, o software livre encontra-se bastante difundido em função da interconectividade promovida pela Internet. Vários governos estaduais, sobretudo o do Rio Grande do Sul, têm buscado os softwares livres como alternativa ao software proprietário. O paranaense Marcelo Tosatti é atualmente responsável pela manutenção da versão estável do Linux e já existem várias empresas que utilizam o software livre no seu modelo de negócios, principalmente através da oferta de serviços.

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


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