Impro-Visor

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Impro-Visor é uma ferramenta educacional para criar e tocar uma partitura<ref>Lead sheet, em inglês, é um tipo particular de partitura, incluindo notas, acordes e letras usadas em canções e jazz.</ref>, com uma orientação específica para representação de solos. Originalmente concebido para o jazz, o seu uso é adequado para outros estilos de música. Elaborado em Java (linguagem de programação), pode ser utilizado na maioria dos sistemas operacionais.

Assessor de improvisação[editar]

Arquivo:Impro-Visor.jpg
Captura de tela do Impro-Visor

A filosofia do Impro-Visor (contração, em inglês, de improvisation advisor) é fornecer uma ferramenta para auxiliar<ref>Robert Keller, Alexandra Schofield, August Toman-Yih, Zachary Merritt†, and John Elliott (Janeiro de 2014). Automating the Explanation of Jazz Chord Progressions Using Idiomatic Analysis (PDF) (em inglês) Computer Music Journal, Winter 2013, Vol. 37, No. 4, Pages 54-69.. Página visitada em 11 de Abril de 2014.</ref> músicos a construir solos sobre progressões harmônicas<ref>Martin Norgaard (2014). Music Perception: An Interdisciplinary Journal (PDF) (em inglês) How Jazz Musicians Improvise: The Central Role of Auditory and Motor Patterns.. Página visitada em 11 de Abril de 2014. </ref> ou grade de acordes.

É um software totalmente gratuito, podendo ser livremente utilizado, estudado, modificado e redistribuído.

Ele inclui uma capacidade de banco de dados para criar, salvar e reproduzir motivos musicais (licks <ref>Em inglês, Lick significa, em gêneros de música popular, como o rock e o jazz, um padrão ou frase que consiste de curtas séries de notas.</ref>) de qualquer tamanho ou complexidade, assim como é capaz de gerar licks baseados em uma gramática, isto é, regras musicais escolhidas, modificáveis pelo usuário. A base de dados é bastante ampla, sendo alimentada pela comunidade de usuários<ref>Lista de discussão de usuários do Impro-Visor hospedada no Yahoo!, com 8.172 pessoas cadastradas. Disponível em: https://groups.yahoo.com/neo/groups/impro-visor/info. Acesso em: 14 de abril de 2014.</ref>. As versões mais atuais do Impro-Visor incluem acompanhamento autogerado em vários estilos e uma capacidade de extração de estilos de arquivos MIDI. Grande parte do conhecimento musical, incluindo a geração de licks, bancos de dados, partituras, estilos e outras informações, é representado como arquivo de texto, permitindo modificações.

A partir de uma linha melódica digitada no editor, tocada em um teclado ou importada de um arquivo, o Impro-Visor pode criar um acompanhamento automático em diferentes estilos. Também é possível escolher um estilo disponível na lista de estilos e realizar as mudanças necessárias na linha melódica escolhida. Essa funcionalidade pode fornecer elementos para aumentar a inspiração musical pessoal.

O software tem uma função de aprendizagem de estilo (a partir de arquivos MIDI) que pode ser utilizada para desenvolver um estilo pessoal de forma rápida. Também é possível trabalhar a partir do estilo de um músico de sua escolha, através da importação de arquivos de partitura MIDI.

Notação de partitura[editar]

Arquivo:LeadsheetNotation.png
Renderizando notação de partitura

O Impro-Visor salva as partituras em uma notação textual<ref>Bob Keller (2005). Impro-Visor Leadsheet Notation (PDF) (em inglês). Página visitada em 16 de Abril de 2014.</ref> e elas podem ser criadas daquela notação bem como por apontar-e-carregar. A notação foi projetada para ser amigável aos músicos de jazz, ao se assemelhar diretamente ao que aparece na organização da partitura. Por exemplo, o fragmento da partitura à direita pode ser criado pelo seguinte texto:

C C7 | F |

c+2 bb2 bb8 a8 f2.

A leitura desse texto é: os acordes C e C7 igualmente espaçados na primeira barra, e F na segunda barra. Uma melodia de c (o + significa uma oitava acima do C médio, o 2 significa um semitom), bb2, significando um semitom B-bemol, bb8, significando uma colcheia B-bemol, f2., significando um F dotado de semitom. Outros metadados podem ser fornecidos, tais como para especificação de estilo, mas não são requeridos.

Partituras criadas podem ser exportadas para formato MIDI ou MusicXML. Este último formato é reconhecido por quase todos os editores de partituras musicais <ref>A relação completa e atualizada permanentemente pelos desenvolvedores do MusicXML atingiu 174 softwares compatíveis em Abril de 2014. Disponível em: http://www.musicxml.com/software. Acesso em: 16 de Abril de 2014</ref> (Finale, Sibelius, Pizzicato, Harmony Assistant, Guitar Pro, Capella, PriMus, MuseScore, LilyPond, etc.) e a quase totalidade dos sequenciadores musicais e digital audio workstation (Cubase, Logic Pro, Cakewalk Sonar, Rosegarden, etc.).

Categorização de tons[editar]

O Impro-Visor categoriza os tons musicais que podem ser tocados em um acorde em uma de quatro categorias<ref>Robert M. Keller, David Morrison, Stephen Jones, Belinda Thom and Aaron Wolin (2006). European Conference on Artificial Intelligence, Third Workshop on Computational Creativity (em inglês) A Computational Framework Enhancing Jazz Creativity.. Página visitada em 16 de Abril de 2014.</ref>. Isso serve a dois propósitos: (i) como resposta visual ao usuário, onde cada categoria é renderizada como uma cor diferente<ref>Imagem da partitura com cores, oferecida pela Wikipédia em inglês. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/File:NoteColors.png. Acesso em: 23 Abr 2014.</ref> e (ii) como uma base para geração de licks. As categorias são:

  • Tons de acorde: tons que estão no acorde, e que são assim os mais consonantes com ele (mostrados como preto à direita)
  • Tons de cor: tons que não estão no acorde, mas que também são consonantes com ele (mostrados como verde à direita)
  • Abordagem de tons: tons que não são nenhum dos acima, mas que abordam um deles cromaticamente (mostrados como azuis à direita)
  • Outros tons: nenhum dos acima (mostrados como vermelhos à direita)

A ideia é que, auxiliado por pistas visuais, o músico possa aprender a apreciar o grau para o qual uma melodia será sonora sob uma progressão de acordes antes de ouví-la.

Geração de gramática Lick[editar]

Arquivo:GeneratedLick.png
Lick gerado usando gramática para produzir notas

As categorias de notas discutidas acima são um dos ingredientes chave em automatizar<ref>Robert Keller, Alexandra Schofield, August Toman-Yih, Zachary Merritt†, and John Elliott (Janeiro de 2014). Automating the Explanation of Jazz Chord Progressions Using Idiomatic Analysis (PDF) (em inglês) Computer Music Journal, Winter 2013, Vol. 37, No. 4, Pages 54-69.. Página visitada em 11 de Abril de 2014.</ref> a geração de melodias que podem ser usadas pelo músico na construção de solos. O outro ingrediente chave é uma gramática livre de contexto possuindo símbolos terminais para cada uma das quatro categorias, juntamente com uns poucos outros símbolos terminais para conveniência. A gramática define formas nas quais o espaço melódico pode ser preenchido probabilisticamente por tons de várias durações. Ao associar uma probabilidade com cada regra gramatical, a distribuição das melodias geradas pode ser controlada, por exemplo, ao criar melodias que são simples ou complexas, relativamente consonantes ou dissonantes, etc. O usuário indica a progressão do acorde e a gramática dirige a geração da melodia sob aquela progressão<ref>Robert M. Keller and David R. Morrison. A Grammatical Approach to Automatic Improvisation (em inglês) Proceedings 4th International Sound and Music Computing Conference (SMC '07).. Página visitada em 16 de Abril de 2014.</ref>. A figura à direita demonstra um lick gerado de exemplo. Essa gramática particular é construída de modo a não produzir quaisquer notas discordantes (notas em "outra" categoria acima). Assim, nenhuma nota vermelha aparece na figura.

Aprendizado da gramática[editar]

A versão 4 adicionou um recurso para aprender uma gramática a partir de um corpo de solos transcritos<ref>Jon Gillick, Kevin Tang and Robert M. Keller (2009). Learning Jazz Grammars (PDF) (em inglês) Proceedings 6th International Sound and Music Computing Conference (SMC '09).. Página visitada em 16 de Abril de 2014.</ref>. A gramática aprendida aproxima com folga o estilo de execução do solista ao criar melodias abstratas a partir dos solos, os quais podem ser re-instanciados em melodias similares através da gramática. Conexões entre os fragmentos melódicos abstratos aprendidos são representadas como uma cadeia de Markov, a qual é codificada em uma gramática livre de contexto estocástica.

Auto-Acompanhamento[editar]

O Impro-Visor cria o acompanhamento automaticamente, tais como piano, baixo e bateria, a partir da sequência de acordes em uma partitura (uma capacidade similar, mas atualmente não tão cheia de recursos quanto a do Band-in-a-Box. O estilo de acompanhamento é derivado de um conjunto de especificações de padrões usados como notação textual, similar àquela das melodias<ref>Robert Keller, Martin Hunt, Stephen Jones, David Morrison and Aaron Wolin (2007). Design Abstractions for a Jazz Improvisation Assistant (PDF) (em inglês) ENTCS (Electronic Notes in Theoretical Computer Science). 47-60 pp.. Página visitada em 16 de Abril de 2014.</ref>. Por exemplo, um Padrão ride cymbal comum ao swing jazz seria notado como

x4 x8 x8 x4 x8 x8

com x4 significando uma semínima e x8 uma colcheia. O aspecto do balanço, em que colcheias na batida obtém aproximadamente duas vezes o valor da batida, é renderizado automaticamente por um padrão de balanço numérico, tal como .67, indicando que a batida é dividida como .67 + .33 = 1. Um padrão de notação similar é usado para o acompanhamento e o bassline de acordes. No último tipo de padrão, um esquema de codificação de categorias de notas, similar àquele para a notação gramatical, é usado para fornecer a criação probabilística dos basslines.

Contextualizações[editar]

Os acompanhamentos e acordes produzidos pelo Impro-Visor são evidetemente polifônicos, mas intencionalmente o desenvolvedor do software manteve os solos produzidos e a linha melódica monofônicos <ref>Veja na língua inglesa o item 6 da página "Uses", elaborada pelo autor do Impro-Visor. Disponível em: http://www.cs.hmc.edu/~keller/jazz/improvisor/uses.html. Acesso em: 16 de Abril de 2014.</ref>, porque não se trata de uma ferramenta de produção musical generalista, que faz tudo, como o Band-in-a-Box.

Fazendo uso de um pequeno utilitário de conversão<ref>FAQ do Impro-Visor. Disponível em: http://www.cs.hmc.edu/~keller/jazz/improvisor/faq.html#biab-songs. Acesso em: 16 de Abril de 2014.</ref>, o Impro-Visor pode importar arquivos de acordes, mas não as melodias, do Band-in-a-Box. No entanto, não é possível exportação direta para o Band-in-a-Box, pois o formato de arquivo é proprietário.

O Impro-Visor pode ser entendido como um software para a criação de melodias e improvisações por músicos iniciantes ou profissionais, com ferramentas para validação de harmonia e de geração de linhas de solos. Não é um software de recuperação elementos díspares criados por outros programas. É uma ferramenta para composição musical.

Há um utilitário desenvolvido pelo projeto MuseScore<ref> Conversão de XML para o Impro-Visor. Em língua inglesa, Convert leadsheet to Impro-Visor playalong file. Disponível em:http://musescore.org/en/project/xml2impro-visor. Acesso em: 16 de Abril de 2014.</ref> que converte diversos tipos de arquivo para o formato MusicXML. Assim, torna-se possível a importação de partituras lead sheets, que são amplamente utilizadas em jazz e cada vez mais em outros gêneros.

Em geral, o uso de Impro-Visor é simples: o usuário insere conjuntos de acordes sobre a pauta vazia, escolhe a partir de uma matriz que auxilia o iniciante ou importa um arquivo de partituras. O software fornece exemplos cumprindo rigorosamente as regras de harmonia.

Este software também é uma ferramenta para o ensinar qualquer harmonia musical, em todos os estilos. A finalidade não é clicar no botão de música "sem aprender teoria musical". Pelo contrário:

  • permite criar, a partir de acordes digitados, exemplos de partituras inteiras de acompanhamento que respeitam as regras da harmonia musical, sobre a qual é possível improvisar ou até mesmo escrever uma melodia pessoal completa;
  • gera curtas melodias simples ou complexas que podem estimular ou aumentar a inspiração do músico ou compositor para expandir a sua prática em inúmeros estilos musicais. O objetivo não é "clique aqui para para automatizar a criação de música", mas ajudar o músico a encontrar inspiração para solos ou improvisos;
  • permite que o músico iniciante ou amador realize uma aprendizagem viva e pratique o solfejo e as regras de harmonia musical em todos os estilos, incluindo a música clássica, gêneros do rock, etc.
  • permite trabalhar coletivamente em sala de aula de música através de exercícios harmonia, exercícios de improvisação ou composição sobre um tema, ou um modo ou estilo, escolhido pelo professor. O autor do software, Bob Keller, é professor de música em Harvey Mudd College, campus da Universidade de Claremont, além de ser um músico de jazz.

O Impro-Visor também possibilita a criação e gravação flexível de licks (variações de riffs), permitindo riqueza na arte da harmonia, na progressões de acordes, na improvisação e na composição. O conhecimento musical, incluindo a geração de motivos musicais, bancos de dados, partituras, estilos, etc. é apresentado através de arquivos de texto diretamente legíveis e editáveis.

Antes de ser gravadas, as partituras criadas podem executadas no software. O Impro-Visor usa o banco habitual General MIDI ou outro GM soundfont de sua escolha. Verifique o livre Gervill e outros, como Arachno SoundFont ou Titanic 1.2. Impro-Visor funciona com Java. Mas tenha o cuidado de ter instalado o Java de 32 bits, porque a ferramenta não é compatível com Java de 64 bits.

Ver também[editar]

Referências[editar]

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Ligações externas[editar]