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Arrepiei


Gosto de escrever e iniciei escrevendo para exercitar o domínio de minhas emoções. Trabalhava incessantemente em tarefas desgastantes na corrida contra o tempo. Sob pressão dependia de outras pessoas para obter o resultado. Melhor dizendo, eu era a chata que cobrava dos criadores idéias geniais em tempo Record a favor do comercial. Ouvia de todos os lados, porém, não podia responder o que sentia e tinha que manter a calma e o equilíbrio de uma equipe. Recorria ao papel, no início ao higiênico para limpar as lágrimas, com o tempo passei a usar o de ofício e escrevia o que queria dizer, tudo, tudo...Depois amassava ou rasgava e colocava no lixo. Um dia não tive tempo de desfazer de minhas lamúrias e alguém leu. Pior, gostou do jeito que escrevi e dali, a eu não jogar mais fora foi imediato. A merda tava feita.

Ficou chocado? Imagino, mas se eu escrevo o que penso, porque não usar os palavrões que vampirizam meus pensamentos. E arte é formada por expressões reconhecidas.


E assim foi.

Hoje, ao lembrar discursos que eu criei, sinto quatro arrepios. Um, ao ouvir o deputado na bancada defender “Tolerância Zero contra o câncer de mama”, projeto do IMAMA, onde eu trabalhava e enviei aquele texto lido pelo defensor a título informativo. Ele leu na íntegra e ao ouvi-lo arrepiei com o conteúdo.


O segundo foi em outro momento solene. O presidente da entidade que eu fazia parte leu o discurso em homenagem aos 25 anos da instituição, eu havia escrito com um linck de parceria ao tango. Ficou muito harmonioso. A platéia aplaudiu e eu arrepiei.


O terceiro foi no final de um curso que ministrei sobre comunicação, lá em Aracaju. Após o fechamento uma participante pediu a palavra e fez o agradecimento em nome da turma lendo um texto de perfil que encontrou na internet , de minha autoria. Iniciava assim: Eu sou um pouco inibida um pouco exibida...Arrepiei.

E por fim, o mais importante discurso que eu mesma proferi e gritei com todas as forças de meus pulmões, cérebro e coração, no trânsito em meio a uma grande avenida, aos meus amados filhos. Urrei: “Ajudem-me a ser uma boa mãe, a mãe que vocês merecem, pois não nasci sabendo”;Deixei eles apavorados e arrepiei, antes do sinal abrir.

Com tudo que você leu até agora, deve estar pensando que sou uma pretensiosa e arrogante pessoa, porque não é bem assim eu gostar de escrever e escrever o que outros gostam de ler. Talvez...Afinal sou humana, fraca e forte, como todo mundo. Pode, também, estar pensando: não gosto do que ela escreve porque tudo é óbvio. Concordo, nossos sentimentos são óbvios. Ou, pode estar pensando: não entendo nada do que ela diz, escreve pra ninguém. Discordo, às vezes, alguém está na mesma conexão que eu. E a vida, mesmo fadada à morte, não foi feita para ser totalmente jogada ao lixo.