4.2 As “caixinhas” longa vida são ou não recicláveis?

Rafael Batista Zortea
As embalagens cartonadas, também chamadas de embalagens longa vida, as famosas “caixinhas” que acondicionam leites, sucos e outras bebidas, sempre foram motivo de dúvida no momento de se jogar no lixo, pois: elas devem ser jogadas no lixo seco ou no lixo orgânico? Estas embalagens são compostas por várias camadas e vários materiais, tendo como objetivo oferecer uma melhor preservação dos alimentos, diminuindo assim a utilização de conservantes e dispensando a refrigeração durante o armazenamento destes alimentos.
Elas são compostas por camadas de plástico, papel e alumínio. Estas três camadas juntas impedem que fatores como luz, ar, água, microorganismos e odores externos tenham algum contato com os alimentos, evitando assim que os mesmos venham a se estragar rapidamente. Portanto, esta tecnologia acaba oferecendo uma economia de energia, principalmente nas nossas geladeiras! Além disso, a embalagem pesa somente 28g, ou seja, ela é mais leve que as tradicionais garrafas de vidro!

papel

Embalagem longa vida e as suas camadas

 

 

Mas, apesar da embalagem poupar energia e utilizar menos material, o que se deve fazer com ela depois de utilizada! Ela pode ser reciclada? O correto é colocar as embalagens longa vida no lixo seco para que sejam recicladas, por exemplo, em Porto Alegre as embalagens que são destinadas para o lixo seco acabam gerando renda para as pessoas que trabalham nos Galpões de Triagem!
Infelizmente, como a embalagem apresenta as partes de papel, de plástico e de alumínio unidas, isto acaba criando confusão para as pessoas e o resultado disso é que uma parcela muito pequena destas embalagens acaba sendo destinada para a coleta seletiva. Somado a isto, é importante colocar que estas embalagens uma vez utilizadas elas acabam nas lixeiras das nossas casas sem qualquer chance de reutilização, contribuindo para um grande volume de embalagens descartadas por todos nós. Desta forma, vale lembrar que já existem fábricas que reciclam estas embalagens fazendo com que elas se transformem em réguas, canetas, madeiras ecológicas, telhas, banquetas, vassouras, embalagens de papelão, guardanapos e folhas de papel reciclado!
Assim para que estas embalagens longa vida possam realmente ser recicladas e retornarem aos nossos lares na forma de outros produtos, é importante que todas as pessoas saibam que estas “caixinhas” são recicláveis e que devem ser destinadas para a coleta seletiva. Ah! E se você se deparar com aquelas lixeiras coloridas: verde, amarela, azul, vermelha, marrom e cinza? Realmente nenhuma delas será a lixeira própria das embalagens longa vida, mas daí fica a minha dica: pode jogar esta embalagem na lixeira azul! E, por que na azul? Como a lixeira azul serve para receber os resíduos de papel e como as embalagens longa vida tem 1 (uma) parte de alumínio, para 4 (quatro) partes de plástico, para 15 (quinze) partes de papel é mais apropriado então salvar a maior parte de papel da embalagem!
Outro ponto importante que as pessoas devem saber é de que as indústrias só realizarão a reciclagem dos produtos que destinamos para a coleta seletiva, quando as mesmas tiverem grandes quantidades para coletar e, assim poder reciclar e vender. Para que se possa entender melhor, são estas grandes quantidades que proporcionam as fábricas dinheiro suficiente para poder comprar os equipamentos necessários utilizados na reciclagem. Este dinheiro é claro também servirá para pagar os empregados e o dono da empresa. As embalagens jogadas no lixo e que são separadas para a coleta seletiva acabam ficando sujas, deterioradas e muitas vezes em má condições para a fabricação de novos produtos. Como é necessário conseguir um plástico, um papel e um alumínio renovados para a fabricação de novos produtos, etapas como a de lavagem, de reconstrução, além de tratamentos para tornarem estes materiais novos mais uma vez, exigem equipamentos, empregados e gastos de dinheiro que somente serão pagos com a fabricação e venda de uma enorme quantidade de produtos, exigindo, portanto, a reciclagem de um número muito grande de embalagens longa vida.
Portanto, a reciclagem e o reaproveitamento destas embalagens longa vida depende da nossa ajuda separando elas em nossas casas junto com os demais resíduos secos. Mas, não é só isso! As cidades devem possuir coleta seletiva e isso também tem de ocorrer nas empresas, escolas, hospitais, associações, shopping centers, supermercados, etc, ou seja, todos os lugares devem ter a coleta seletiva para que as pessoas possam separar estas embalagens. Assim, todo mundo trabalhando junto, a quantidade de embalagens separadas para a reciclagem aumenta, fazendo com que as pessoas que trabalham nos galpões de triagem e nas empresas de reciclagem possam ganhar mais e possibilitar para estas mesmas empresas a compra dos equipamentos e a reciclagem destas embalagens em novos produtos. Tais atitudes também evitam que as embalagens longa vida acabem sendo jogadas em lixões ou aterros sanitários. Desta forma o meio ambiente e as pessoas agradecem!
Rafael Batista Zortea é o autor da dissertação de mestrado: “Viabilidade econômica e tecnológica para a reciclagem das embalagens cartonadas longa vida pós-consumo de Porto Alegre”, defendida em 2001 no PPGA/EA/UFRGS.

Em abril de 2013, Rafael Batista Zortea era Professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense Campus Sapucaia do Sul e Doutorando em Saneamento Ambiental no IPH/UFRGS, onde desenvolve a tese de doutorado: “Uso da Análise de Ciclo de Vida (ACV) para verificação da sustentabilidade do biodiesel da soja no Rio Grande do Sul”.

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