
Como imaginar que em meados do século XX um conjunto musical, com características regionais, partindo do sul do Brasil, pilchado, alcançaria longínquos rincões do mundo como a Rússia e a China?
Pois esse foi o Conjunto Farroupilha (1948-1993)!
Surgido a partir de uma ideia da soprano Inah Vital (Porto Alegre, RS, 1933-1990), solista da orquestra da Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, ela reuniu em torno de si, Tasso José Bangel (Taquara, RS, 1931-), Danilo Vidal de Castro (Porto Alegre, RS, 1927-2018), Estrela d’Alva Lopes de Castro (Livramento, RS, 1934-2015) e Alfeu de Azevedo – depois substituído por Sidney Morais (Sidney do Espírito Santo, Sorocaba, SP, 1925-) –, formando aquele que seria o primeiro conjunto vocal brasileiro a misturar vozes masculinas e femininas.
Além de histórias e documentos do Conjunto Farroupilha, este site traz dados do Projeto de Pesquisa Tasso Bangel e o “eterno aprender”: a trajetória do maestro/ arranjador/ compositor/ cantor/ instrumentista, do Conjunto Farroupilha (1948 – 1990) à Camerata Pampeana (2010 – ), iniciado em 2013, a partir do Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS.
Com o suporte teórico da Etnomusicologia – área de conhecimento que tem, historicamente, trabalhado com temáticas relacionadas à música popular –, este projeto vem realizando um estudo da trajetória de Tasso Bangel (Taquara, RS, 1931), maestro, arranjador, compositor, cantor e instrumentista gaúcho que vivenciou o desenvolvimento da Música Popular Brasileira durante toda a segunda metade do século XX e que segue atuando até hoje.
O conhecimento e a interpretação da produção musical de Bangel, a partir de uma pesquisa etnográfica e etnomusicológica (Lucas, 2013; Titon, 1997), vem nos aproximando da produção e do cenário musical sul rio-grandense e brasileiro, especialmente no período que consiste dos anos 50 aos 70 do século XX, desvelando a perspectiva de um grupo regional, “gaúcho”, acerca do período áureo do “nascimento” e de consolidação da Bossa Nova, quando a música brasileira atingiu um novo patamar de reconhecimento dentro e fora do país.
A partir das memórias suscitadas em entrevistas, regadas à escuta compartilhada de seus discos e ao encontro com materiais de seu acervo pessoal como fotografias, recortes de jornal, artigos de revistas, capas de discos, bilhetes e partituras, relíquias de sua vida musical compartilhadas conosco – e agora com um público mais amplo através deste site, numa perspectiva colaborativa (Lucas; Stein, 2012; Cambria; Fonseca; Guazina, 2016)-, Tasso Bangel nos aponta para uma prática musical voltada, inicialmente, a repertórios de música regional gaúcha mas emblemática de um tipo de pensamento musical conectado à estética da Bossa Nova.
Integram o projeto a professora Luciana Prass (coordenadora), membro do Grupo de Estudos Musicais – GEM/UFRGS e os bolsistas de Iniciação Científica Gabriela Lery Borges (2014/2-2015/1; 2016/2), Bruno Muck (2016/2-2019/2), Kelvin Venturin (2017/1-2017/2), Felipe Barreto Costa (2016/2-2018/1), Aretha Lima (2016/2-2017/1). Em 2019/2, juntaram-se voluntariamente ao projeto os estudantes Bernardo Scarton, Carlos Fialho, Matheus Wendt, João Pedro Hervella e Luiz Brancher.













