Como é realizada a vacinação contra o tétano?

A vacinação contra o tétano é realizada em adultos e crianças, conforme prevê o Calendário Básico de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), sendo a vacinação dos suscetíveis na rotina das unidades básicas de saúde a principal medida de prevenção contra o tétano acidental [1].

Vacina penta

Para as crianças é preconizada a vacina penta. Esta vacina oferece proteção contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenza tipo B e hepatite B, e é indicada para imunização ativa de crianças em esquema de 3 doses, com administração aos 2, 4 e 6 meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias [1]. 

Particularidades

Na rotina dos serviços, a vacina penta está disponível para crianças até 6 anos, 11 meses e 29 dias. Nesses casos, quando não houver  comprovação ou esquema vacinal incompleto, deve-se iniciar ou complementar esquema com penta [2]. Esta vacina está contraindicada para crianças a partir de 7 (sete) anos de idade [2].

Vacina DTP

Há indicação de dois reforços com a vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis (DTP), o primeiro aos 15 meses e o segundo aos 4 anos de idade [1]. A partir dessa faixa etária, um reforço a cada 10 anos após a última dose, a ser  administrada com a vacina dupla adulto (dT) contra a difteria e o tétano [1,2]. 

Particularidades

Crianças de 15 meses de idade a menores de 7 anos (6 anos, 11 meses e 29 dias) deve receber 2 reforços [2]; Administrar o primeiro reforço com intervalo mínimo de 6 meses após a última dose do esquema primário (3 doses de penta) [2]; 

Criança com 6 anos sem nenhuma dose de reforço, administrar o 1º reforço. Na impossibilidade de manter o intervalo de 6 meses entre as doses de reforço, agendar dT para 10 anos após esse 1º reforço. Neste caso, essas crianças ficam liberadas do 2º reforço da DTP [2];

A vacina DTP é contraindicada para crianças a partir de 7 anos de idade. Na indisponibilidade da vacina DTP, administrar como reforço a vacina penta [2].

Vacina adsorvida difteria e tétano adulto – dT/ Dupla Adulto 

Indivíduos a partir de 7 anos de idade, com esquema vacinal completo (3 doses) para difteria e tétano, administrar uma dose a cada 10 anos após a última dose [2];

Indivíduos não vacinados ou sem comprovação vacinal para difteria e tétano: administrar 3 doses da dupla adulto (dT) com intervalo de 60 dias entre as doses, em um mínimo de 30 dias [3] . 

Em indivíduos com esquema incompleto para difteria e tétano: completar esquema de 3 doses com dT, considerando as doses anteriores, com intervalo de 60 dias entre as doses, em um mínimo de 30 dias([3]. 

Em todos os casos, após completar o esquema, é necessário administrar uma dose de reforço a cada 10 anos. Nunca reinicie o esquema [3].

Gestante: A administração da vacina dT e/ou dTpa irá depender da situação vacinal encontrada [2,3] :

  • Gestante não vacinada ou sem comprovação vacinal: administrar as duas primeiras dose de dT e a última dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação.
  • Esquema incompleto de dT (uma dose): administrar uma dose de dT e uma de dTpa a partir da 20º semana de gestação; 
  • Esquema incompleto de dT (duas doses): administrar uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação.
  • Esquema completo de dT (três doses): administrar uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação. 

Assim como as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, preconiza-se um intervalo mínimo de 14 dias entre a vacina antitetânica e as vacinas contra COVID-19. A exceção a essa recomendação ocorre em situações de urgência, como nos casos de imunoprofilaxia para tétano no manejo de feridas em indivíduos suscetíveis. Nestes casos compreende-se que os benefícios superam os potenciais riscos desconhecidos para a coadministração em intervalos menores [4].  Ver mais em Quando e como realizar profilaxia de tétano após ferimentos?

 

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Referências:

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde : volume único [recurso eletrônico]. – 3a ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2019.
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Imunizações/Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis/Secretaria de Vigilância em Saúde. Instrução normativa referente ao calendário nacional de vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2019. Disponível em: .
  3. Secretaria Estadual de Saúde (Rio Grande do Sul). Instrução normativa. Calendário nacional de vacinação. Adaptação: núcleo de imunizações/DVR/CEVS/SES. Porto Alegre: Secretaria Estadual da Saúde; 2020. Disponível em: https://www.cevs.rs.gov.br/upload/arquivos/202003/13134138-instrucao-normativa-calendario-nacional-de-imunizacoes-2020.pdf.
  4. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19. 6a ed. Brasília,DF: Ministério da Saúde; 2021 [citado em 01 Jun 2021]. Disponível em:  https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2021/04/6a-Edic%CC%A7a%CC%83o-Plano-Vacinac%CC%A7a%CC%83o-contra-Covid_V5_27abr-21.pdf.

Como citar este documento:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). Como é realizada a vacinação contra o tétano? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; XX Jul 2021 [citado em “dia, mês abreviado e ano”]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/como-e-realizada-vacinacao-contra-o-tetano/

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