Quais contraceptivos podem ser prescritos para mulheres com condições mamárias?
A prescrição de métodos contraceptivos em mulheres com massa mamária sem diagnóstico definido, doença mamária benigna, história familiar de câncer de mama e diagnóstico atual ou prévio de câncer de mama deve se basear na classificação dos critérios de elegibilidade descrita abaixo [1,2,3].
Quadro 1. Classificação para uso de métodos contraceptivos em mulheres com condições da mama.
| Condição | DIU de Cobre | DIU de levonorgestrel | Implante | Injetável trimestral | COP | CHC | Métodos de barreiraa | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Massa mamária sem diagnóstico definido | 1 | 2 | 2b | 2b | 2b | 2b | 1 | |
| Doença mamária benigna | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | |
| História familiar de câncer de mama | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | |
| Câncer de mama | ||||||||
| Ativo | 1 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 1 | |
| Prévioc | 1 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 1 | |
| Categorias de classificação dos critérios de elegibilidade dos contraceptivos | ||||||||
| 1 = Condição para a qual não há restrição ao uso do método anticoncepcional. | 3 = Condição para a qual os riscos teóricos ou comprovados geralmente superam as vantagens de usar o método. | |||||||
| 2 = Condição para a qual as vantagens de usar o método geralmente superam os riscos teóricos ou comprovados. | 4 = Condição que representa risco inaceitável para a saúde se o método anticoncepcional for usado. | |||||||
| DIU = dispositivo intrauterino; COP = contraceptivo oral com progestágeno isolado; CHC = contraceptivo hormonal combinado (anticoncepcional oral combinado, adesivo transdérmico, anel vaginal, injetável mensal – enantato de norestiterona + valerato de estradiol); a Métodos de barreira incluem preservativos masculino e feminino, diafragma e espermicida; b A avaliação deve ser realizada o mais breve possível; c História prévia e sem evidência de doença ativa por 5 anos. |
||||||||
Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020), adaptado de World Health Organization (2015), Centers for Disease Control and Prevention (2016) and Faculty of Sexual & Reproductive Healthcare (2019) [1,2,3].
Mulheres com patologias benignas das mamas, como fibroadenoma, cistos simples ou mastalgia cíclica, por exemplo, não têm contraindicações ao uso de contraceptivos hormonais. Da mesma forma, aquelas que apresentam nódulos mamários ainda sem diagnóstico definido podem fazer uso desses métodos. Porém, é imperativo que a avaliação diagnóstica ocorra o mais rapidamente possível na tentativa de excluir câncer mamário [1,2,3].
As evidências disponíveis não sugerem que o risco aumentado de câncer de mama entre mulheres com genes de suscetibilidade (como BRCA1 e BRCA2) ou naquelas com histórico familiar seja modificado pelo uso de contraceptivos orais combinados. Por isso, não há restrição ao uso de métodos hormonais nessas situações [1,2,3,4].
Pacientes com história atual ou prévia de câncer de mama apresentam aumento do risco de eventos adversos à saúde em consequência de gravidez. Assim, essas mulheres devem ser orientadas de que o uso exclusivo de métodos contraceptivos comportamentais ou de barreira não são as escolhas mais apropriadas devido às altas taxas de fracasso [1,2,3].
Contudo, como o câncer de mama é um tumor sensível aos hormônios, o prognóstico nesta população pode piorar com uso de contraceptivos com progestágenos isolados e contracepção hormonal combinada. Assim, deve-se avaliar a possibilidade de inserção do DIU de cobre, um método de longa ação, eficaz e seguro [1,2,3]. Para mulheres com história prévia de neoplasia de mama e sem evidência de doença nos últimos 5 anos, pode ser prescrito na presença de outras condições ginecológicas, algum método hormonal como o DIU medicamentoso. Todavia, essa indicação deve ser avaliada em conjunto com ginecologista ou oncologista [1,2,3].
Este conteúdo é destinado para profissionais de saúde e tem por objetivo fornecer informações atualizadas e baseadas em evidências científicas.
A telessaúde, ao promover apropriação tecnológica sustentada em evidências, atua como eixo organizador de sistemas de saúde centrados nas pessoas. A telemedicina é uma inovação que tem o potencial de transformar a Atenção Primária à Saúde (APS), otimizar seu funcionamento, conectar pessoas e viabilizar o acesso universal, equânime e integral, qualificando o SUS! Vamos juntos?
Referências:
1. World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 5th ed. Geneva: WHO; 2015. Disponível em: < https://www.who.int/reproductivehealth/publications/family_planning/MEC-5/en/>. Acesso em: 21 out. 2020.
2. Curtis KM, Jatlaoui TC, Tepper NK, et al. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2016. Morbidity and Mortality Weekly Report, Atlanta, 2016:65(4). Disponível em: https://www.cdc.gov/reproductivehealth/contraception/mmwr/mec/summary.html.
3. Faculty of Sexual & Reproductive Healthcare. UK Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use: UKMEC 2016 (amended september 2019). London: FSRH; 2019. Disponível em: https://www.fsrh.org/standards-and-guidance/documents/ukmec-2016/.
4. Issacs C, Peshkin BN. Cancer risk and management of BRCA 1/2 carrier without cancer [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 6 Out 2021, citado em 21 Out 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/cancer-risks-and-management-of-brca1-2-carriers-without-cancer.
Como citar este documento:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). Quais contraceptivos podem ser prescritos para mulheres com condições mamárias? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 26 Nov 2021 [citado em “dia, mês abreviado e ano da citação”]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/quais-contraceptivos-podem-ser-prescritos-para-mulheres-com-condicoes-mamarias/