Outubro Rosa

A Campanha busca conscientizar a população sobre o Câncer de Mama e reforçar a adoção de políticas públicas para prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

A Campanha ‘Outubro Rosa’ é realizada anualmente e busca conscientizar a população sobre o Câncer de Mama, bem como reforçar a adoção de políticas públicas para prevenção, diagnóstico e tratamento da doença [1].

Globalmente, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais diagnosticada entre mulheres [2]. Em todas as regiões do Brasil, ele é o mais incidente nessa população e a principal causa de morte por câncer entre as brasileiras [3,4]. 

Tabela 1. Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes entre mulheres estimados para 2020 no Brasil, com exceção do câncer de pele não melanoma.

Fonte: Inca (2020) [5].

O rastreamento do câncer de mama deve ser dirigido a pessoas que tenham mamas devido ao estrogênio natural ou à terapia hormonal estrogênica e estejam na faixa etária entre 50 e 69 anos. Homens trans e pessoas não binárias designadas do sexo feminino ao nascimento que não foram operadas para remover as mamas (mastectomia bilateral), mulheres trans e pessoas não binárias designadas como homens ao nascer e que tomaram hormônios feminizantes e mulheres cisgênero devem realizar mamografia a cada 2 anos, não estando indicada a solicitação de ecografia mamária como método inicial de rastreamento [4,6,7,8].

Independentemente da idade, mulheres que possuem risco aumentado para câncer de mama devem conversar com um profissional de saúde para avaliação de risco e discussão sobre o rastreamento com periodicidade diferenciada da população com risco padrão. Confira as situações que sugerem maior risco para o câncer de mama [9,10,11,12,13]:

  • história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos (mãe, filha ou irmã);
  • história familiar de câncer de mama bilateral em parentes de primeiro grau em qualquer idade (mãe, filha ou irmã);
  • história familiar de câncer de ovário em parentes de primeiro grau em qualquer idade (mãe, filha ou irmã);
  • história familiar de câncer de mama masculino;
  • história de radiação torácica (radioterapia torácica prévia) antes dos 30 anos;
  • diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa como neoplasia lobular in situ ou hiperplasia ductal atípica;
  • mulheres portadoras da mutação nos genes BRCA 1 ou BRCA 2.

O cuidado integral das mulheres não deve ser restrito a solicitação de mamografia para rastreamento. A equipe da atenção primária deve fornecer orientações sobre prevenção do câncer de mama, manifestações clínicas da doença, bem como riscos relacionados ao rastreamento, como o sobrediagnóstico e sobretratamento [4,9,14]. 

A mamografia não é isenta de riscos. Ela pode identificar lesões que não são câncer e o resultado falso-positivo pode gerar investigação diagnóstica desnecessária, ansiedade e estresse. Além disso, mulheres podem ser diagnosticadas e tratadas (com retirada parcial ou total da mama, quimioterapia e radioterapia) para algum tipo de câncer que não ameaçaria a vida [4,15].

O TelessaúdeRS-UFRGS, baseado na revisão das melhores evidências clínicas disponíveis, desaconselha o ensino do autoexame rotineiro das mamas como método de rastreamento do câncer de mama, pois vários estudos demonstraram falta de benefício e maior taxa de biópsia mamária com  doença benigna. Entretanto, é importante que as mulheres conheçam seu corpo, estejam familiarizadas com o que é normal do organismo e que fiquem atentas a alterações suspeitas na mama [6,16].

Mulheres com nódulo na mama, secreção nos mamilos, alteração da pele na região das mamas e/ou nódulos nas axilas devem procurar imediatamente a equipe de saúde para investigação e diagnóstico, independente da história familiar, da idade ou do tempo da última mamografia [4,17,18]. Além disso, qualquer nódulo na mama em mulheres com mais de 50 anos deve ser investigado. Já em mulheres mais jovens, qualquer nódulo deve ser investigado se persistir por mais de um ciclo menstrual [4].

Na campanha ‘Outubro Rosa’, a promoção da saúde também deve ser valorizada por meio da informação e de incentivos para a adoção de práticas mais saudáveis. Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com prática de atividade física regular, alimentação saudável com manutenção do peso corporal adequado e evitando-se o consumo de álcool. A amamentação também é considerada um fator protetor [4,17,18].

Além de contribuir para a diminuição da doença, essas ações ajudam a diminuir custos com o cuidado com a saúde e melhoram significativamente a vida das pessoas.

A rotina de rastreamento de câncer de mama no contexto da pandemia por COVID-19

Durante a pandemia, muitos exames de rastreamento foram adiados em função da preocupação com o controle da infecção pelo SARS-CoV-2 [15]. De acordo com o Ministério da Saúde houve queda de 41% na realização de mamografias no SUS no ano de 2020, em consequência da pandemia da COVID-19 [19]. Nesse sentido, é importante que os profissionais das equipes de atenção primária estejam atentos para organizar o atendimento da demanda reprimida gerada e garantir o acesso da população às ações realizadas nos serviços de saúde [20].  

Pessoas que realizam a vacina contra a COVID-19, assim como ocorre em outras vacinas, podem apresentar quadros de linfadenopatia axilar, cervical ou em membro superior ipsilateral ao local da vacinação. Os linfonodos surgem de 2 a 4 dias após a vacinação. A duração clínica varia conforme a vacina aplicada, podendo permanecer por 10 dias com a vacina da Pfizer. Em mamografias de rastreamento, cuja presença de linfonodos axilares interferem na interpretação de achados radiológicos, recomenda-se realizar o exame de imagem antes da vacinação e, se não for possível, realizar 4 a 6 semanas após a segunda dose da vacina, sem atrasar indevidamente a avaliação [14,21,22,23].

Referências:

  1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Outubro Rosa [Internet]. Rio de Janeiro, RJ; 2021 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/assuntos/outubro-rosa.
  2. World Health Organization. International Agency for Research on Cancer. Cancer today. Breast Cancer. Geneva; 2020 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://gco.iarc.fr/today/data/factsheets/cancers/20-Breast-fact-sheet.pdf
  3. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Controle do Câncer de Mama. Conceito e Magnitude [Internet]. Rio de Janeiro, RJ: INCA; 2021 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude.
  4. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes Da Silva. Câncer de mama: vamos falar sobre isso? 6. ed. Rio de Janeiro, RJ; 2021 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document/cartilha-mama-6-edicao-2021_1.pdf
  5. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro, RJ: INCA, 2019 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil.pdf.
  6. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil: sumário executivo. 3. ed. Rio de Janeiro: INCA; 2017 [citado em 2 Ago 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//sumario-diretrizes-deteccao-precoce-mama-2017.pdf.
  7. Venkataraman S, Slanetz PJ, Lee CI. Breast imaging for cancer screening: Mammography and ultrasonography [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 21 Sep 2021, citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/breast-imaging-for-cancer-screening-mammography-and-ultrasonography
  8. National Health Service (United Kingdom). Breast cancer in women. London; [atualizado em  28 Oct 2019, citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/breast-cancer/.
  9. Chlebowski RT. Factors that modify breast cancer risk in women [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 13 May 2021, citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/factors-that-modify-breast-cancer-risk-in-women.
  10. U.S. Preventive Services Task Force. BRCA-Related Cancer: Risk Assessment, Genetic Counseling, and Genetic Testing [Internet]. JAMA. 2019;322(7):652-665. Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/Page/Document/UpdateSummaryFinal/brca-related-cancer-risk-assessment-genetic-counseling-and-genetic-testing
  11. Urban  LABD, Chala LF, Bauab SP, Schaefer MB, Santos RP,  Maranhão NMA, et al. Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama. Radiolologia Brasileira. 2017;50(4): 244-249.Doi 10.1590/0100-3984.2017-0069.http://Doi.org/10.1590/0100-3984.2017-0069
  12. Dynamed. Record No. T361086, Breast Cancer Screening. [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995 [atualizado em 30 Nov 2018, citado em 27 Out 2020]. Disponível em: https://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T361086
  13. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Controle dos cânceres do colo de útero e da mama. 2a ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2013 [citado em 27 Out 2020]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/controle_canceres_colo_utero_2013.pdf
  14. Rodrigues JD, Cruz MS, Paixão AN. Uma análise da prevenção do câncer de mama no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. 2015;20(10):3163-3176. Disponível em: http://www.redalyc.org/pdf/630/63042187022.pdf.
  15. Elmore JG, Lee CI. Screening for breast cancer: Strategies and recommendations. Waltham (MA): UpToDate [atualizado em 20 Apr 2021, citado em 2 Ago 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/screening-for-breast-cancer-strategies-and-recommendations.
  16. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA; 2021 [citado em 17 Ago 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//deteccao-precoce-do-cancer.pdf.
  17. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.  Cada corpo tem uma história: o cuidado com as mamas faz parte dela [folder]. Rio de Janeiro: INCA; 2019. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//folder-mama-inca-cada-corpo.pdf.
  18. Centers for Disease Control and Prevention. Breast Cancer Awareness. Georgia; [atualizado em 20 Set 2021, citado em 8 Out 2021]. Disponível em:  https://www.cdc.gov/cancer/dcpc/resources/features/breastcancerawareness/index.htm.
  19. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Controle do Câncer de Mama. Dados e números. Mamografia no SUS [Internet]. Rio de Janeiro, RJ; 27 Setembro 2021 [citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/dados-e-numeros/mamografia-no-sus.
  20. Migowski A, Corrêa F.. Recomendações para detecção precoce de câncer durante a pandemia de covid-19 em 2021. Revista de APS. 2020; 23 (1): 235-240. 
  21. Uzzo RG, Kutikov A, Geynisman DM. COVID-19: cancer screening, diagnosis, posttreatment surveillance in uninfected patients during the pandemic and issues related to COVID19 vaccination in cancer patients [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 30 Sep 2021, citado em 8 Out 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/covid-19-cancer-screening-diagnosis-post-treatmentsurveillance-in-uninfected-patients-during-the-pandemic-and-issues-related-to-covid-19-vaccination-in-cancer-patients.
  22. GRIMM, L. et al. SBI recommendations for the management of axillary adenopathy in patinets with recent COVID-19 vaccination. Virginia: Society of Breast Imaging Patient Care and Delivery Committee; 9 Mar. 2021. Disponível em: https://www.sbi-online.org/Portals/0/Position%20Statements/2021/SBI-recommendations-for-managing-axillary-adenopathy-post-COVID-vaccination.pdf.
  23. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Nota Técnica – DIDEPRE/CONPREV/INCA. Detecção precoce de câncer de mama e vacinação contra covid-19. Rio de Janeiro, RJ; 10 Jul 2021. Disponível em:https://www.inca.gov.br/publicacoes/notas-tecnicas/deteccao-precoce-de-cancer-de-mama-e-vacinacao-contra-covid-19  

 

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