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Coronavírus (COVID-19)

Coronavírus (COVID-19)

Confira materiais oficiais sobre o coronavírus e a sua prevenção.

Confira materiais oficiais sobre o coronavírus e a sua prevenção: quais casos são considerados
suspeitos, o que fazer nessas situações, mapas indicativos, entre outras orientações.

Profissionais

Confira abaixo orientações sobre o coronavírus (COVID-19), desde medidas de prevenção, definição e notificação de casos, coleta de material e manejo, e outros.

Orientações para casos com indicação de isolamento domiciliar (Em Revisão)

Termos e declarações de isolamento domiciliar

Pacientes

Confira abaixo as orientações sobre o coronavírus (COVID-19), desde sua origem, medidas de prevenção, sinais e sintomas, e outros.

Informações gerais

Links Úteis do Ministério da Saúde

Confira abaixo mais informações sobre o que é, como tratar, se prevenir tanto do coronavírus (COVID-19) quanto de notícias falsas. Observe também os mapas indicativos da notificações e dos hospitais referência.

Informações gerais

Mapa com casos notificados por estado

Mapa com hospitais de referência

Notícias falsas

Perguntas Frequentes

Quais são os diagnósticos diferenciais da Covid-19?

Pacientes com sintomas respiratórios ou de síndrome gripal devem ser avaliados para diagnósticos diferenciais de coronavírus, como influenza e resfriado comum, ou complicações concomitantes, como pneumonia bacteriana. O tratamento empírico para outras doenças pode ser indicado conforme o diagnóstico clínico e a epidemiologia local, enquanto se aguarda que o caso seja confirmado ou descartado para coronavírus. A terapia empírica deve ser reavaliada conforme resultados dos testes microbiológicos, complementares e quadro clínico do paciente.

Quadro 1 – Principais diagnósticos diferenciais de coronavírus e seu manejo:
Temperatura ≥37,8°C,mesmo que referida. - Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020).
Doença Definição de caso / Manifestações clínicas Manejo
Influenza
Alta circulação no Brasil nos últimos anos. Entre eles estão os vírus Influenza A (como H5N3 e o H1N1) e Influenza B.
Síndrome gripal: febre* de início súbito acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos seguintes sintomas: cefaleia, mialgia ou artralgia, na ausência de outro diagnóstico específico.

Crianças < 2 anos: febre* de início súbito e sintomas respiratórios (tosse, coriza e obstrução nasal), na ausência de outro diagnóstico específico.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): síndrome gripal (conforme definição anterior) e que apresente dispneia ou os seguintes sinais de gravidade:
  • Saturação de SpO2 < 95% em ar ambiente.
  • Sinais de desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória avaliada de acordo com a idade.
  • Piora nas condições clínicas de doença de base.
  • Hipotensão.
  • Indivíduo de qualquer idade com quadro de insuficiência respiratória aguda, durante período sazonal.

Em crianças: além dos itens anteriores, observar os batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência.

Avaliação: Se fatores de risco ou agravamento do estado clínico: Raio-x de tórax e outros exames laboratoriais, como hemograma, avaliação da função renal, hepática, CPK e proteína C reativa, conforme avaliação clínica. Tratamento: Além dos medicamentos sintomáticos e da hidratação, está indicado o uso de fosfato de oseltamivir (Tamiflu®) para todos os casos de síndrome gripal que tenham condições e fatores de risco para complicações, independentemente da situação vacinal, mesmo em atendimento ambulatorial, e para todos os casos de SRAG ou que apresentem sinais de agravamento do quadro clínico. O antiviral Oseltamivir deve ser iniciado preferencialmente em até 48 horas a partir da data de início dos sintomas, podendo ser iniciado depois, especialmente em casos graves e de internação hospitalar. Ver posologia no quadro 2. CONDIÇÕES E FATORES DE RISCO PARA COMPLICAÇÕES
  • Grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até duas semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal).
  • Adultos ≥ 60 anos.
  • Crianças < 5 anos (maior risco de hospitalização é em menores de 2 anos).
  • População indígena aldeada ou com dificuldade de acesso.
  • Indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye).
  • Indivíduos que apresentem:

- pneumopatias (incluindo asma); - pacientes com tuberculose de todas as formas; - cardiovasculopatias (excluindo hipertensão arterial sistêmica); - nefropatias; - hepatopatias; - doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme); - distúrbios metabólicos (incluindo diabetes mellitus); - transtornos neurológicos (disfunção cognitiva, lesão medular, epilepsia, paralisia cerebral, síndrome de Down, acidente vascular encefálico, doenças neuromusculares); - imunossupressão associada a medicamentos (corticoide ≥ 20 mg/dia por mais de duas semanas, quimioterápicos, inibidores de TNF-alfa), neoplasias, HIV ou outros; - obesidade (especialmente se IMC ≥ 40 em adultos).

Notificação:
  • caso individual de síndrome respiratória aguda grave (SRAG); ou
  • surto de síndrome gripal.
Outros vírus respiratórios (rinovírus, parainfluenza, vírus sincicial respiratório, adenovírus) Causam quadro de resfriado comum não específico, geralmente limitados às vias aéreas superiores e com sintomas sistêmicos menos intensos que a influenza. Cursam com febre baixa, rinorreia, espirros, congestão nasal, tosse seca ou dor de garganta, dor e desconforto em menor intensidade. A melhora ocorre geralmente em 5 a 7 dias e raramente esse tipo de doença gera complicações.
Pneumonia bacteriana adquirida na comunidade (PAC) Infecção aguda do parênquima pulmonar, que acomete indivíduos fora do ambiente hospitalar ou nas primeiras 48 horas após a admissão hospitalar. O diagnóstico é sugerido em um paciente com sintomas clínicos compatíveis (febre, dispneia, tosse, produção de escarro, dor ventilatório dependente), achados como taquipneia (FR>24 mpm), taquicardia e sinais de consolidação ao exame físico do tórax, além da demonstração de consolidação ou infiltrado pulmonar em radiografia de tórax. Não existem sintomas ou sinais patognomônicos de pneumonia, e o quadro clínico completo com todas essas manifestações está presente em apenas uma pequena parte dos doentes. Solicitar Raio-x de tórax em AP + Perfil. Para pacientes com PAC de baixo risco tratados ambulatorialmente, quando há segurança no diagnóstico, a realização da radiografia de tórax não é necessária para dar início ao tratamento. A radiografia de tórax está recomendada também quando há dúvida quanto ao diagnóstico ou necessidade de diagnóstico diferencial, assim como quando, durante o seguimento do tratamento, a resposta clínica for insatisfatória. A realização da radiografia de tórax está recomendada para todos os pacientes admitidos ao hospital.Ver critério de gravidade e necessidade de internação (CURB-65 ou CRB-65), no quadro 3. Iniciar antibiótico empiricamente, ainda no ambulatório, sem aguardar resultado de exames complementares. O tratamento de casos leves a moderados deve ser mantido por 5 a 7 dias. Casos mais graves podem necessitar prolongar o tratamento por 10 dias.
  • Sem uso de ATB nos últimos 3 meses e sem doenças associadas: betalactâmico ou macrolídeo: - Azitromicina 500 mg, por via oral, dose única diária; ou - Claritromicina 500 mg, por via oral, de 12 em 12 horas; ou - Amoxicilina 500 mg, por via oral, de 8 em 8 horas; ou - Amoxicilina+ácido clavulânico 500+125 mg por via oral, de 8 em 8 horas (ou 875+125 mg, de 12 em 12 horas).
  • Uso prévio de ATB nos últimos 3 meses ou comorbidades (DPOC, DM, IC, nefropatia crônica, neoplasia, etilistas): betalactâmico + macrolídeo ou fluoroquinolona - Azitromicina 500 mg por via oral, dose única diária + Amoxicilina 500 mg, por via oral, de 8 em 8 horas; ou - Amoxicilina + ácido clavulânico 500+125 mg por via oral, de 8 em 8 horas (ou 875+125 mg de 12/12 h) + Azitromicina 500 mg por via oral, dose única diária; ou - Levofloxacino 500-750 mg por via oral a cada 24 horas.
  • Suspeita de aspiração: - Amoxicilina + ácido clavulânico 500+125 mg, por via oral, de 8 em 8 horas (ou 875+125 mg, de 12 em 12 horas); - Clindamicina 600 mg por via oral, de 6 em 6 horas. Se tratamento está sendo realizado em nível ambulatorial, reavaliar o paciente em 48 a 72 horas.
Tuberculose Tosse com expectoração pelo período de 3 semanas ou mais. Pode estar associada a perda de peso, febre, sudorese noturna. Avaliação com radiografia de tórax e exame de escarro (BAAR) ou teste rápido molecular para TB (TRM-TB), se disponível. Mais sobre tratamento e acompanhamento da TB consulte o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, do Ministério da Saúde (2019a).
Coqueluche Fase inicial de sintomas catarrais, seguidos de tosse seca, rouquidão, tosse paroxística (acessos de 5 a 10 episódios sucessivos ininterruptos), guincho inspiratório e vômito pós-tosse. Radiografia de tórax e leucograma (geralmente presença de leucocitose e linfocitose) podem auxiliar no diagnóstico diferencial, em especial em crianças. Notificação de todos os casos, a coleta de material para diagnóstico específico será feita pela vigilância em saúde. Tratamento: Azitromicina 500mg, uma dose no 1º dia, e 250mg, em uma dose ao dia, do 2º ao 5º dia; ou Claritromicina 500mg, de 12 em 12 horas, durante 7 dias. Controle de comunicante e quimioprofilaxia. Mais sobre tratamento e acompanhamento da Coqueluche, consulte Guia de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (2019b).
Exacerbações agudas de DPOC O diagnóstico é clínico e se caracteriza por alteração aguda de pelo menos um entre os sintomas respiratórios de base: piora da dispneia, alteração no padrão da tosse (frequência ou intensidade), alteração da cor e/ou volume do escarro, extrapolando a variação diária do paciente. As medicações utilizadas no tratamento ambulatorial da exacerbação dependem da gravidade e dos tipos de sintomas presentes. Exacerbações leves (como modificação exclusiva na dispneia ou tosse): podem ser manejados inicialmente com broncodilatador adrenérgico de curta ação (como salbutamol, associado ou não ao anticolinérgico de curta ação – como ipratrópio). Exacerbações moderadas a graves (presença de 2 ou mais sintomas cardinais): associa-se curso de curta duração de corticosteroides sistêmicos (prednisona 40 mg, via oral, por 5 a 7 dias) ao uso de broncodilatador de curta ação (salbutamol). O uso de antibiótico nem sempre é necessário, devendo ser utilizado quando há infecção respiratória presumida (dispneia associada a alteração de volume ou cor do escarro; ou presença de escarro de aspecto purulento). A cobertura antibiótica deve ser para pneumococo e Haemophilus influenzae (ver antibioticoterapia em PAC) . Nos pacientes mais graves, com exacerbações frequentes, a cobertura para Pseudomonas spp deve ser considerada (Levofloxacino 500-750 mg, 1comprimido ao dia ou Ciprofloxacino 500-750 mg, de 12 em 12 horas).

Quadro 2 – Tratamento para Influenza com oseltamivir para casos com condições e fatores de risco para complicações.
* Apresentação Oseltamivir: cápsulas de 30, 45 ou 75 mg. - Fonte: Ministério da Saúde (2019a)
Faixa etária Posologia
Adulto  75 mg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
Criança maior que 1 ano de idade ≤ 15kg 30 mg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
16 kg a 23 kg 45 mg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
24 kg a 40 kg 60 mg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
> 40 kg 75 mg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
Criança menor que 1 ano de idade 0 a 8 meses 3 mg/kg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias
9 a 11 meses 3,5 mg/kg, via oral, 12 em 12 horas por 5 dias

Quadro 3 – Escore de avaliação CURB-5 e CRB-65.
Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020), adaptado de Corrêa et al. (2018).
CURB-65
– confusão mental (desorientação aguda em pessoa, tempo, espaço);
– ureia > 50 mg/dL,
– frequência respiratória ≥ 30 mpm,
– pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou pressão arterial diastólica ≤ 60 mmHg;
– idade ≥ 65 anos.
Escore 0-1: provável candidato a tratamento ambulatorial
Escore 2: considerar internação hospitalar
Escore ≥3: hospitalização indicada (pode indicar UTI se escore >=4)*A situação social e o sistema de apoio domiciliar devem ser levados em conta ao tomar-se a decisão do local de tratamento
CURB-65 (mesmo escore sem dosagem de ureia)
– confusão mental (desorientação aguda em pessoa, tempo, espaço);
– frequência respiratória ≥ 30 mpm,
– pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou pressão arterial diastólica ≤ 60 mmHg;
– idade ≥ 65 anos.
Escore 0: provável candidato a tratamento ambulatorial
Escore 1-2: considerar internação hospitalar
Escore ≥3: hospitalização indicada (pode indicar UTI se escore >=4)*A situação social e o sistema de apoio domiciliar devem ser levados em conta ao tomar-se a decisão do local de tratamento

Referências:

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de tratamento de Influenza 2017. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2018. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_tratamento_influenza_2017.pdf.

Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ, Duncan MS, Giugliani C, editores. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4a ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. p. 136.

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. 2a ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2019a. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_controle_tuberculose_brasil_2_ed.pdf.

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de vigilância em saúde: volume único. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2019b. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/junho/25/guia-vigilancia-saude-volume-unico-3ed.pdf.

File TM. Treatment of community-acquired pneumonia in adults in the outpatient setting [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 25 Nov 2019, citado em 18 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-community-acquired-pneumonia-in-adults-in-the-outpatient-setting.

Ramirez JÁ. Overview of community-acquired pneumonia in adults [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 13 Mar 2020, citado em 18 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-community-acquired-pneumonia-in-adults.

Gusso G, Lopes JMC, Dias LC, organizers. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2a ed. Porto Alegre: Artmed; 2018.

DynaMed. Record No. T115170, Community-acquired Pneumonia in Adults. [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995; [atualizado em 30 nov. 2018, citado em 18 Mar 2020]. Disponível: https://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T115170.

Corrêa RA, Costa AN, Lundgren F, Michelim L, Figueiredo MR, Holanda M, et al. Recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade 2018. J Bras Pneumol. 2018;44(5):405-25. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37562018000000130.

World Health Organization. Department of Communications. Clinical management of severe acute respiratory infection when novel coronavirus (nCoV) infection is suspected. Geneva; 2020 Mar 13 [citado em 18 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/clinical-management-of-severe-acute-respiratory-infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection-is-suspected.

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Coronavírus COVID-19: protocolo de manejo clínico do Novo Coronavírus (COVID-19) na Atenção Primária à Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Mar 2020. 35 f.

Quem apresenta maior risco para infecção grave por COVID-19?

A partir de dados atuais limitados e de estudos relacionados aos coronavírus, como SARS-CoV e MERS-CoV, acredita-se que pessoas com as seguintes condições estão em maior risco para manifestações graves:

  • Idade acima de 60 anos;
  • Imunossuprimidos:
    • - transplantados;
    • - portadores de neoplasias;
    • - pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão grave ou moderada e/ou CD4 menor que 200 céls/mm3 ou sem uso de antirretrovirais.
  • Doenças crônicas descompensadas:
    • - hipertensão;
    • - diabetes;
    • - doença renal crônica avançada;
    • - cardiopatias;
    • - pneumopatias.

Esses pacientes devem ter prioridade no atendimento e caso apresentem síndrome gripal, o isolamento domiciliar é contraindicado, sendo recomendado avaliação em centros de referência ou de atenção especializada.

Não há orientação de afastamento compulsório de pessoas assintomáticas que possuam as condições descritas acima, entretanto respeitados os limites estabelecidos na Constituição, empregados e empregadores poderão celebrar acordo individual. De acordo com a Medida Provisória Nº 927, de 22 de Março de 2020 , para enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes do estado de calamidade pública e para preservação do emprego e da renda, poderão ser adotadas pelos empregadores, dentre outras, as seguintes medidas: o teletrabalho, a antecipação de férias individuais, a concessão de férias coletivas, o aproveitamento e a antecipação de feriados, o banco de horas, a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho, o direcionamento do trabalhador para qualificação, e o diferimento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS.

Referências:

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Coronavírus COVID-19: protocolo de manejo clínico do Novo Coronavírus (COVID-19) na Atenção Primária à Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Mar 2020.

Zhonghua L, Xing B, Xue ZZ. [The epidemiological characteristics of an outbreak of 2019 novel coronavirus diseases (COVID-19) in China]. Pub Med: US National Library of Medicine National Institutes of Health. Novel Coronavirus Pneumonia Emergency Response Epidemiology Team. 2020 Feb 17;41(2):145-151. Doi 10.3760/cma.j.issn.0254-6450.2020.02.003. [tradução].

World Health Organization (WHO). Health Emergencies Preparedness and Response. Q&A on coronaviruses (COVID-19). Genebra; 2020 Mar 9 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses.

Arentz M, Yim E, Klaff L, Lokhandwala S, Riedo FX, Chong M, Lee M, et al. Characteristics and outcomes of 21 critically Ill patients with COVID-19 in Washington State. JAMA. 2020 Mar 19. Doi 10.1001/jama.2020.4326.

Wu Z, McGoogan JM. Characteristics of and important lessons from the Coronavirus disease 2019 (COVID-19) outbreak in China: summary of a report of 72 314 cases from the Chinese Center for Disease Control and Prevention JAMA. 2020 Feb 24. Doi 10.1001/jama.2020.2648.

Wang D, Hu B, Hu C, Zhu F, Liu X, Zhang J, et al. Clinical characteristics of 138 hospitalized patients with 2019 Novel Coronavirus: infected pneumonia in Wuhan, China. JAMA. 2020 Feb 7;323(11):1061-9. Doi 10.1001/jama.2020.1585.

McIntosh K. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 23 Mar 2020, citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19.

Lai C-C, Shih T-P, Ko W-C, Tang H-J, Hsueh P-R. Severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2) and coronavirus disease-2019 (COVID-19): the epidemic and the challenges. Int J Antimicrob Agents. 2020;55(3):105924. Doi 10.1016/j.ijantimicag.2020.105924.

Centers for Disease Control and Prevention. Are you at higher risk for severe illness?. Georgia; 2020 Mar 20 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/specific-groups/high-risk-complications.html.

Brasil. Medida Provisória nº 927, de 22 de março de 2020. Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19), e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, ed. 55L, seção 1 extra., p. 1, 22 Mar 2020 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Mpv/mpv927.htm.

Quanto tempo o vírus que causa o COVID-19 sobrevive em superfícies?

Não se sabe ao certo quanto tempo o vírus que causa o COVID-19 sobrevive em superfícies, mas ele parece se comportar como outros coronavírus. Uma revisão recente aponta que os coronavírus podem persistir nas superfícies de 2 horas a 9 dias (1). Isso pode variar conforme diferentes condições (por exemplo, tipo de superfície, temperatura, umidade do ambiente e cepa específica do vírus). Calor, pH alto ou baixo, luz solar e desinfetantes comuns (como cloro) facilitam a morte do vírus (2).

Quadro 1. Persistência de coronavírus em diferentes superfícies.

Fonte: TelessaúdeRS (2020), adaptado de Kampf (2020) e van Doremalen (2020).
Superfície Tempo máximo de viabilidade
Aerossol 3h (meia-vida 1.2 horas)
Plástico

Até 72h (meia-vida de 6.8 horas) em estudo que compara SARS-CoV-1 e

SARS-CoV-2 (3)/ até 9 dias em revisão com outros coronavírus (1)

Aço inoxidável Até 72h (meia-vida 5.6 horas)
Cobre 4h
Papelão 24h
Alumínio 2-8h
Metal 5 dias
Madeira 4 dias
Papel 5 dias
Vidro 5 dias
Luva (látex) 8h
Avental descartável 2 dias
Cerâmica 5 dias

Se uma superfície pode estar infectada, limpe-a com água e sabão, seguido de um desinfetante a base de álcool 70% ou hipoclorito de sódio a 0,5% (água sanitária). A inativação do vírus pode ser alcançada após 1 minuto com uso destes desinfetantes. Limpe as mãos com higienizador à base de álcool ou lave-as com água e sabão. Evite tocar nos olhos, boca ou nariz. Profissionais de saúde devem higienizar as mãos após tocar em superfícies ao redor do paciente (um dos 5 momentos preconizados de higiene das mãos). A higiene das mãos é a medida mais importante para frear a disseminação do vírus.

O vírus do COVID-19 não tem sido detectado em fontes de água tratadas para consumo. Métodos tradicionais de tratamento centralizado da água que utilizam a filtração e desinfecção devem inativar o vírus do COVID-19. Outros coronavírus demonstraram ser sensíveis à cloração e desinfecção com luz ultravioleta. Em locais onde o tratamento centralizado e o abastecimento seguro de água encanada não estão disponíveis, uma opção eficaz na remoção ou destruição do vírus na água para uso doméstico é a fervura (2).

Referências:

Kampf G, Todt D, Pfaender S, Steinmann E. Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. J. Hosp. Infect. 2020 Feb;104:246-51. Doi 10.1016/j.jhin.2020.01.022.

World Health Organization. Department of Communications. Water, sanitation, hygiene and waste management for the COVID-19 virus: technical brief. Geneva: WHO; 2020 Mar 20 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/water-sanitation-hygiene-and-waste-management-for-covid-19.

Van Doremalen N, Bushmaker T, Morris DH, Holbrook MG, Gamble A, Williamson BN, et al. Aerosol and surface stability of SARS-CoV-2 as compared with SARS-CoV-1. N Engl J Med. 2020 17. Doi 10.1056/NEJMc2004973.

Quando solicitar exames radiológicos de imagem em pacientes com COVID-19 e que alterações podem ser observadas?

Casos com sintomas leves e Síndrome Gripal sem dispneia, sinais de alarme (taquipneia, esforço respiratório, saturação < 95%) ou comorbidades descompensadas não necessitam avaliação com exame de imagem.

Recomenda-se solicitar radiografia de tórax em todos os casos suspeitos de pneumonia por COVID-19. O achado mais comumente encontrado é infiltrado pulmonar bilateral (75% dos casos), enquanto infiltrado unilateral é observado em 25% dos pacientes.

Já a tomografia computadorizada (TC) de tórax sem contraste pode ser considerada para casos hospitalizados, especialmente naqueles com radiografias normais ou com achados indeterminados. Em metanálise com mais de 50 mil pacientes internados na China, houve alterações em 97% dos casos. Os achados mais comumente observados foram múltiplas consolidações ou áreas lobulares e subsegmentares com padrão de atenuação em vidro fosco, usualmente com distribuição periférica ou posterior, principalmente nos lobos inferiores bilateralmente.

Achados menos frequentes incluem: opacidades consolidativas sobrepostas a áreas de atenuação em vidro fosco (especialmente em idosos), espessamento interlobular ou septal (liso ou irregular), espessamento da pleura adjacente e broncogramas aéreos. Alguns pacientes podem ainda apresentar derrame pleural, linfadenopatia e alterações císticas circulares.

Em crianças, as alterações mais comumente encontradas são pequenas opacidades nodulares em vidro fosco e consolidações com sinal do halo.

Apesar das alterações radiográficas serem úteis na avaliação diagnóstica, nenhum achado pode completamente confirmar ou descartar a possibilidade diagnóstica de infecção por COVID-19. Estudos têm demonstrado que as alterações podem estar presentes em pacientes assintomáticos ou oligossintomáticos e que casos graves podem apresentar alterações tomográficas apenas 10 dias após o início do quadro clínico.

Referências:

Beeching NJ, Fletcher TE, Fowler R. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. BMJ Best Practice. 2020 Feb [atualizado em Mar 2020, citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/en-gb/3000168.

McIntosh K. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 20 Mar 2019, citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19.

Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): interim clinical guidance for management of patients with confirmed Coronavirus disease (COVID-19). Georgia; 2020 Mar [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/index.html.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós- Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS-UFRGS. Coronavírus (COVID-19): informações para profissionais da APS. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 2020 [Citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/material_profissionais_corona_virus_20200303.pdf.

Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Recomendações de uso de métodos de imagem para pacientes suspeitos de infecção pelo COVID-19. São Paulo: CBR; 16 Mar 2020. [Citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://cbr.org.br/recomendacoes-de-uso-de-metodos-de-imagem-para-pacientes-suspeitos-de-infeccao-pelo-covid-19/.

Como o coronavírus que causa COVID-19 é transmitido?

O vírus que causa COVID-19 é transmitido de duas formas principais: gotículas respiratórias e contato. A disseminação de pessoa a pessoa ocorre principalmente por gotículas respiratórias, semelhante à disseminação da influenza. O vírus liberado nas secreções respiratórias quando uma pessoa com infecção tosse, espirra ou fala pode infectar outras pessoas se entrar em contato direto com as membranas mucosas. A infecção também pode ocorrer por contato se uma pessoa tocar uma superfície infectada e depois tocar nos olhos, nariz ou boca, embora essa não seja a principal via de infecção.

Gotículas respiratórias normalmente não viajam mais de dois metros, porque se depositam na superfície. No entanto, sob condições experimentais, o SARS-CoV-2 permaneceu viável em aerossóis por pelo menos três horas (meia-vida média aproximada de 1.2 horas).

As pessoas são consideradas mais contagiosas quando estão mais sintomáticas. Porém, alguma propagação pode ser possível antes que as pessoas mostrem sintomas (período de incubação) ou até mesmo quando assintomáticas, conforme descrição em estudos na China e Alemanha.

O risco de transmitir o vírus da COVID-19 pelas fezes de uma pessoa infectada parece ser baixo. Embora o vírus tenha sido encontrado em amostras de fezes de pacientes infectados, ainda não houve relatos de transmissão fecal-oral.

Até o momento não há evidência de transmissão do vírus por água ou esgoto. Também não há evidência da sua transmissão através do uso de piscinas e banheiras de hidromassagem. A operação, manutenção e desinfecção adequadas (por exemplo, com cloro) devem remover ou inativar o vírus que causa o COVID-19.

Referências:

World Health Organization. Department of Communications. Water, sanitation, hygiene and waste management for the COVID-19 virus: technical brief. Geneva: WHO; 2020 Mar 20 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/water-sanitation-hygiene-and-waste-management-for-covid-19.

McIntosh K. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 20 Mar 2019, citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19.

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Como fazer a limpeza de superfícies possivelmente contaminadas por coronavírus?

A inativação do vírus pode ser alcançada após 1 minuto com uso de desinfetantes como etanol a 70% ou hipoclorito de sódio (principal componente da água sanitária). Recomenda-se uso de álcool a 70% para desinfecção de equipamentos de uso comum (como termômetro, estetoscópio) ou pequenas áreas e de hipoclorito de sódio a 0,5% para desinfecção de superfícies.

Para a limpeza doméstica recomenda-se a utilização dos desinfetantes domésticos contendo hipoclorito de sódio. Usar preferencialmente a água sanitária 2-2,5% - diluir uma parte de água sanitária (250 ml) para 3 partes de água (750ml), para obter 1 litro a 0,5%. para desinfetar superfícies como pisos, azulejos, paredes, banheiros e cozinha. Se a superfície estiver suja deve ser limpa primeiramente com água e sabão ou detergente e após ser realizada a desinfecção.

Cuidados com a água sanitária: A água sanitária (hipoclorito de sódio) é um desinfetante e alvejante que pode danificar tecidos (principalmente coloridos) e ser corrosiva com metais. Se usada em superfícies metálicas, enxaguá-la com água após o uso. A água sanitária pode causar irritação na pele, por isso deve-se utilizar luvas e realizar a limpeza preferencialmente com ambiente ventilado.

Não é recomendado o uso de esterilizante químico, desinfetantes de alto nível (por exemplo, glutaraldeído, ácido peracético, ortoftaldeído) ou antissépticos (por exemplo, clorexidina, iodófor) para desinfecção de superfícies e equipamento de uso comum. Para locais com circulação de pacientes suspeitos de COVID-19, usar Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado para realizar a limpeza e desinfecção do ambiente.

Lavagem de roupas: Coloque a roupa contaminada em um saco de roupa. Não sacuda a roupa suja e evite o contato direto da pele e da roupa com os materiais contaminados. A roupa deve ser lavada na máquina com água morna, a 60-90ºC com sabão em pó ou detergente para roupa. Se não for possível uso de máquina, pode-se colocar a roupa em água quente e sabão em recipiente adequado e após embeber em hipoclorito de sódio a 0,05% por 30 minutos. Por fim, lavar com água limpa e deixar secar à luz do sol.

Aparelhos para procedimentos: A limpeza de aparelhos utilizados para procedimentos, como espirômetro, nebulizador, endoscópio, entre outros, deve seguir a recomendação do fabricante com produtos destinados para este fim. A limpeza de ambientes hospitalares deve seguir o protocolo de cada instituição. Estetoscópio, termômetro e outros equipamentos de uso comum podem ser higienizados com álcool a 70%.

Referências:

World Health Organization. Home care for patients with suspected novel coronavirus (nCoV) infection presenting with mild symptoms and management of contacts: interim guidance. Geneva: WHO; 2020 Mar 17 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/home-care-for-patients-with-suspected-novel-coronavirus-(ncov)-infection-presenting-with-mild-symptoms-and-management-of-contacts.

World Health Organization. Department of Communications. Water, sanitation, hygiene and waste management for the COVID-19 virus: technical brief. Geneva: WHO; 2020 Mar 20 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/water-sanitation-hygiene-and-waste-management-for-covid-19.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde. Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA nº 04/2020. Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo Novo Coronavírus (SARS-CoV-2). Brasília, DF; 30 Jan 2020 [atualizado em 21 Mar 2020, citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA-ATUALIZADA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28.

Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva. Departamento de Endoscopia da Associação Médica Brasileira. Recomendações SOBED para endoscopia segura durante a pandemia por Coronavírus. São Paulo; 17 Mar 2020 [citado em. Disponível em: CORONAVIRUShttps://www.sobed.org.br/fileadmin/user_upload/sobed/2020/03/18/RECOMENDAC__O__ES_SOBED_ENDOSCOPIA_SEGURA__002_REVISADA_SEM_MARCAS.pdf.

Centers for Disease Control and Prevention. Clean e disinfect: interim recommendations for US households with suspected/confirmed Coronavirus disease 2019. Georgia; 2020 Mar 6 [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/prepare/cleaning-disinfection.html.

Centers for Disease Control and Prevention, Infection Control Africa Network Best practices for environmental cleaning in healthcare facilities in resource-limited settings. Atlanta, GA: US Department of Health and Human Services, CDC; Cape Town, South Africa: Infection Control Africa Network; 2019 Nov [citado em 23 Mar 2020]. Disponível em: http://www.icanetwork.co.za/icanguideline2019/.

Existe algum tratamento específico no tratamento da infecção por COVID-19?

Até o momento não há tratamentos específicos considerados eficazes para a COVID-19.

Alguns antivirais (por exemplo, oseltamivir, lopinavir/ ritonavir) e antimaláricos (cloroquina e hidroxicloroquina) parecem ter atividade in vitro contra a SARS-CoV-2, porém não há comprovação de eficácia clínica até o momento.

Foi divulgado recentemente um estudo aberto, não randomizado e com alto risco de viés metodológico sobre o uso de hidroxicloroquina e azitromicina em pacientes com COVID-19. O tratamento foi aplicado a poucos pacientes e não avaliou desfechos clínicos, apenas a negativação da carga viral (RT-PCR). Além disso, a azitromicina foi administrada em alguns indivíduos de forma não controlada.

Portanto, são necessários mais estudos clínicos de boa qualidade em humanos para conhecer melhor o impacto dessas terapias em pacientes com COVID-19. Tratamentos experimentais ou não licenciados só devem ser administrados no contexto de ensaios clínicos eticamente aprovados.

Assim, segundo recomendações da OMS, CDC, FDA e ANVISA, até o momento, nenhum antiviral ou outro fármaco, como cloroquina, hidroxicloroquina ou azitromicina, é recomendado ou aprovado para o tratamento ou prevenção da infecção por COVID-19.

Referências:

1. Beeching NJ, Fletcher TE, Fowler R. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. BMJ Best Practice. 2020 Feb [citado em 20 Mar 2020]. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/en-gb/3000168.

2. McIntosh K. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 20 Mar 2019, citado em 20 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19.

3. Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): interim clinical guidance for management of patients with confirmed Coronavirus disease (COVID-19). Georgia; 2020 Mar [citado em 20 Mar 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/index.html.

4. Food and Drug Administration. FDA News Releases FDA. Coronavirus (COVID-19) update: FDA continues to facilitate development of treatments. Silver Spring, MD: FDA; 2020 Mar 19 [citado em 20 Mar 2020]. Disponível em: www.fda.gov/news-events/press-announcements/coronavirus-covid-19-update-fda-continues-facilitate-development-treatments.

5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota Técnica sobre Cloroquina e Hidroxicloroquina. Brasília, DF: [S. d., citado em 20 Mar 2020]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/Nota+Te%C2%B4cnica+sobre+Cloroquina+e+Hidroxicloroquina.pdf/659d0105-60cf-4cab-b80a-fa0e29e2e799.

6. Gautret P, Lagier J-C, Parola P, Hoang VT, Meddeb L, Mailhe M, et al. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID‐19: results of an open‐label non‐randomized clinical trial. Int. J. Antimicrob. Agents 2020 Mar 2020:1-24. Doi 10.1016/j.ijantimicag.2020.105949.

Qual a recomendação sobre o uso do anti-hipertensivo Inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina (I-ECA) frente à epidemia de coronavírus (COVID-19)?

Não está indicada a suspensão dos medicamentos da classe IECA ou BRA para pacientes com suspeita de COVID-19, tanto assintomáticos como sintomáticos, devido ao risco comprovado da suspensão dessas medicações nos pacientes com doença cardiovascular, ao comprovado benefício dos IECA para redução de mortalidade nesses pacientes e, sobretudo, devido à falta de evidências que comprovem aumento de risco relacionado a esses medicamentos. Essa decisão está alinhada às posições das sociedades brasileira e europeia de cardiologia que publicaram pareceres sobre esta questão. Em pacientes com COVID-19 sem necessidade de internação, recomenda-se que sejam monitorados adequadamente quanto ao agravamento do quadro, a cada 48 horas, durante o período de doença. Para casos internados, sugere-se considerar o risco cardiovascular da suspensão dos fármacos versus o risco potencial de complicações da doença.

A hipótese de que essas medicações aumentem a gravidade da infecção por coronavírus foi levantada com a publicação dos estudos sobre características clínicas e desfecho de pacientes infectados com COVID-19, nos quais se verificou que entre a população de risco destacavam-se pacientes com doenças cardiovasculares e diabetes. No entanto, o uso dessas medicações não foi avaliado nesses estudos. A plausibilidade vem do fato do vírus utilizar receptor ECA2 no mecanismo de infecção e por essas medicações aumentarem a disponibilidade de ECA2 in vitro. Porém, não há evidências que demonstrem associação do uso dessas medicações com aumento de incidência ou de gravidade da doença por COVID-19, nem de que a retirada ou substituição dessas medicações melhore o prognóstico dos pacientes infectados.

Referências:

Yang X, Yu Y, Xu J, Shu H, Xia J, Liu H, et al. Clinical course and outcomes of critically ill patients with SARS-CoV-2 pneumonia in Wuhan, China: a single-centered, retrospective, observational study. Lancet Respir Med 2020 Fev 28; [citado em 17 Mar 2020]. Doi 10.1016/S2213- 2600(20)30079-5.

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Hennekens CH, Lopez-Sendon J. Overview of the prevention of cardiovascular disease events in those with established disease (secondary prevention) or at high risk [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 4 Dez 2019, citado em 17 Mar 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-prevention-of-cardiovascular-disease-events-in-those-with-established-disease-secondary-prevention-or-at-high-risk.

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Sociedade Brasileira de Cardiologia. SBC informa: nota de esclarecimento: infecção pelo Coronavírus 2019 (COVID-19). Rio de Janeiro, São Paulo; 13 Mar 2020 [citado em 17 Mar 2020]. Disponível em: http://www.cardiol.br/sbcinforma/2020/20200315-comunicado-coronavirus.html.

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Qual a recomendação sobre o uso de ibuprofeno frente à epidemia de coronavírus (COVID-19)?

Não há evidências científicas que sustentem a contraindicação da utilização de ibuprofeno em pacientes com suspeita de COVID-19. No entanto, para controle de sintomas relacionados à síndrome gripal, considerando risco teórico e outras possíveis opções, sugerimos utilizar paracetamol ou dipirona para manejo dos sintomas.

A plausibilidade para a hipótese de associação entre ibuprofeno e gravidade de doença por COVID-19 vem do fato de que o vírus utiliza receptor ECA2 no mecanismo de infecção e de que ibuprofeno, assim como medicações utilizadas para doença cardiovascular e diabetes, aumenta a disponibilidade de ECA2 in vitro e em animais. Porém, não há evidências que demonstrem associação do uso dessa medicação com aumento de incidência ou de gravidade da doença por COVID-19.

Referências:

Qiao W, Wang C, Chen B, Zhang F, Liu Y, Lu Q, et al. Ibuprofen attenuates cardiac fibrosis in streptozotocin-induced diabetic rats. Cardiology 2015;131(2):97-106. Doi 10.1159/000375362. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25896805.i

Fang L, Karakiulakis G, Roth M. Are patients with hypertension and diabetes mellitus at increased risk for COVID-19 infection? Lancet Respir Med. 2020 Mar 11; [citado em 18 Mar 2020]. Doi 10.1016/S2213-2600(20)30116-8. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2213-2600%2820%2930116-8

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Coordenação Geral de Fomento à Pesquisa em Saúde. Coordenação-Geral da Evidências e Informações Estratégicas para Gestão em Saúde. Nota Informativa nº 1/2020/COEVI/CGFPS/DECIT/SCTIE-MS. Brasília, DF; 17 Mar 2020.

Qual a recomendação sobre o uso de corticoesteroide frente à epidemia de coronavírus (COVID-19)?

O uso de corticoesteroides de maneira rotineira para tratamento de pacientes infectados ou com suspeita de COVID-19 deve ser evitado.

Os glicocorticoides têm sido associados a um risco aumentado de mortalidade em pacientes com influenza. Embora tenham sido amplamente utilizados no tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), há ausência de benefício demonstrado em estudos e evidência de danos a curto e a longo prazo.

Em pacientes com indicação de uso de corticoesteroide por outro motivo (como asma, exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica), a medicação pode ser iniciada ou continuada, devendo ser considerados os possíveis diagnósticos diferenciais de um paciente sintomático respiratório e o risco e benefício para cada situação clínica.

Referências:

Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência. Protocolo de tratamento do Novo coronavírus (2019-nCoV). Brasília, DF; 2020. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/05/Protocolo-de-manejo-clinico-para-o-novo-coronavirus-2019-ncov.pdf

World Health Organization. Department of Communications. Clinical management of severe acute respiratory infection when novel coronavirus (nCoV) infection is suspected. Genebra; 2020 Mar 13 [citado em 18 Mar 2020]. 21 p. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/clinical-management-of-severe-acute-respiratory-infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection-is-suspected.

Dados atualizados em 31 de Março de 2020