Depressão: como identificar um caso?

Publicado em 10/04/15

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A depressão é uma condição médica que está associada à incapacidade funcional, piora da qualidade de vida e aumento da mortalidade das pessoas acometidas. Essa doença atinge cerca de 10-15% da população, e muitas vezes os profissionais de saúde têm dificuldade para detectar sua presença, o que faz com que uma grande parte dos pacientes não receba o tratamento e suporte adequados.

Os fatores que causam ou desencadeiam a depressão são múltiplos, e ocorrem através de um espectro biopsicossocial. Predisposição genética para a depressão, eventos estressores na vida (como baixo suporte social ou problemas em relacionamento interpessoal) e problemas de personalidade ligados à baixa auto-estima são alguns dos fatores relacionados ao surgimento de depressão.

Para identificar precocemente a presença de depressão, pode-se perguntar se a pessoa se sente “para baixo, deprimida ou sem esperança”, ou ainda se ela tem menos interesse ou prazer em fazer as atividades habituais. Se as duas questões tiverem resposta afirmativa, a pessoa deve ser avaliada minuciosamente por um profissional de saúde de forma a identificar se há outros sintomas depressivos e definir a presença do diagnóstico de depressão.

Geralmente um episódio de depressão dura entre 16 e 20 semanas e, dependendo da intensidade dos sintomas, o tratamento pode ser feito com medicações antidepressivas e/ou psicoterapia. Exercícios físicos regulares e técnicas de relaxamento podem ser utilizados como formas auxiliares de tratamento.

Recomendações e cuidados:

– A depressão é altamente prevalente, com uma tendência de entre as mulheres ela seja duas vezes mais prevalente do que entre os homens;

– A depressão é um importante fator na avaliação do risco de suicídio. Assim, os pacientes com depressão devem ser questionados abertamente sobre ideação suicida ou pensamentos de que a vida não vale a pena;

– O tratamento de manutenção com antidepressivos deve durar pelo menos de 6 a 9 meses em um episódio agudo, após a obtenção de melhora sintomática, com o objetivo de prevenir recaída de sintomas;

– O objetivo do tratamento da depressão é a recuperação plena dos sintomas. Persistência de sintomas depressivos após tratamento é um fator de risco para novos episódios;

– O manejo adequado da depressão na Atenção Primária à Saúde é fundamental para a redução da morbidade causada por essa condição.

Escrito por: Felipe Bauer Pinto da Costa, psiquiatra e teleconsultor do TelessaúdeRS/UFRGS. Mestrando em psiquiatria pela pela UFRGS, especializado em Psicoterapia de Orientação Analítica pela UFRGS, graduado em medicina pela UFCSPA. Lattes:http://lattes.cnpq.br/9516120159361025

Ilustração de Luiz Felipe Telles, Designer Gráfico, Consultor de Comunicação do TelessaúdeRS/UFRGS

Revisão: Lígia Burigo, médica de família e comunidade e teleconsultora do TelessaúdeRS/UFRGS. Graduada em medicina pela UFCSPA.

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Referências:

Fleck MPA e Baeza FLC. Depressão. In: Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ, Duncan MS, Giugliani C, editores. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4a ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. Pág. 1102-1113.

Unipolar Depression in Adults: Epidemiology, pathogenesis, and neurobiology. UpToDate [acesso em 09/04/2015]

Unipolar Depression in Adults: Management and Treatment. UpToDate [acesso em 09/04/2015]

Cordioli AV, editor. Psicofármacos: consulta rápida. 4a ed. Porto Alegre: Artmed; 2011.

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