Minha História com o Tele

Publicado em 03/04/17

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Há 10 anos o TelessaúdeRS-UFRGS tem proposto soluções para melhorar os serviços do SUS. A ideia é abreviar o tempo de espera. Diminuir distâncias. Aumentar o acesso a serviços qualificados. Ajudar profissionais de saúde e pacientes.
Mas para não só falar de números, lançamos hoje a #MinhaHistóriacomoTele, uma série de histórias que contam um pouco do trabalho do TelessaúdeRS-UFRGS sob a ótica dos profissionais de saúde que trabalham lá na ponta (postos e unidades de saúde), dos pacientes e dos nossos colaboradores. A primeira história tem como personagens a Paula Bedin Toniazzo, o Jair Teixeira e a Felícia de Moraes, Teleconsultora do TelessaúdeRS-UFRGS. Leia, ouça e veja o que eles tem a dizer.

Confira a história completa:
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Depoimento Dra. Paula

Meu nome é Paula, tenho 28 anos, nasci em Erechim e trabalho no posto Morada Verde, em Igrejinha, desde 2015. Eu me formei na PUCRS, em Porto Alegre, em 2014. Sou a primeira médica da minha família. Sempre quis ser médica porque gostava muito de ajudar as pessoas. Meu sonho sempre foi ser psiquiatra e sou apaixonada pela medicina. É muito bom poder melhorar a dor do outro e amenizar o sofrimento. É uma profissão muito linda, não me imagino fazendo outra coisa.
Lembro quando ainda estava na faculdade, quando passei pela pediatria. Tinha uma mãe com uma criança que estava internada há seis meses. Elas olhavam pela janela e a mãe dizia que a criança olhava para rua como se soubesse que ia sair de lá. Isso me marcou muito. Desde que me formei, amadureci muito. Cresci muito com os pacientes.
Trabalho na unidade desde que me formei. Sou apaixonada pelo meu trabalho e pelo meu posto.Tentamos fazer o máximo pelos pacientes. Às vezes, porém, não conseguimos porque não depende só de nós. Os pacientes julgam que não, mas nos frustramos muito por não poder fazer mais por eles.
Desde que descobri o TelessaúdeRS, uso muito, pois acho uma ferramenta muito boa. Os profissionais são muito bons. Consigo falar com os Médicos da Família e Comunidade e com profissionais especializados como pneumologista, urologista e neurologista. São como meus preceptores. Sou grata pela colaboração. Eu me formei há pouquíssimo tempo e tenho muito a aprender ainda. Sou a única Médica de Família da Unidade.
O seu Jair chegou até mim e começamos a investigar com raio X e depois tomografia. Iniciei a discussão com o TelessaúdeRS e, dentro de seis meses, ele teve uma internação hospitalar. Após a internação, ele fez nova tomografia. Discuti pela terceira vez com o TelessaúdeRS, com a Dra. Felícia, pneumologista, que solicitou que eu encaminhasse o paciente para um especialista. Em menos de dez dias ele já estava consultando em Porto Alegre.
O TelessaúdeRS realmente me ajuda muito, esclarece minhas dúvidas, principalmente no atendimento de crianças e no que se refere à dose de medicação. Acho que todo o médico deveria utilizar o serviço, pois antecipa muito as coisas. Tenho outro paciente que ficaria na fila de espera por dois anos e, como discuti o caso com médicos do TelessaúdeRS, o tempo de espera foi reduzido para quatro meses.
Solicito muitos exames de espirometria. Acho muito boa a forma como vêm os laudos. Sempre fui muito bem atendida e tive muitas informações. Sempre que pedi, os teleconsultores me mandaram artigos. Se não tivesse o TelessaúdeRS, provavelmente o seu Jair estaria cada vez pior. Se fosse encaminhado para um especialista, demoraria muito tempo para ser chamado em Porto Alegre.

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Depoimento Jair

Meu nome é Jair Teixeira Pereira, nasci na cidade de Cruz Alta e tenho 61 anos. Sou aposentado, mas estava trabalhando por conta na construção Civil. Tenho sete filhos.
Na época, estava trabalhando em Santa Catarina, fui internado e me disseram que tinha pegado a doença do rato. Fiz diversos exames e estava tudo normal. Comecei a ficar cada vez pior. Fui embora, pois morava em Igrejinha e aqui tinha mais recursos. Procurei o posto de saúde para consultar. Antes disso, tive dez dias baixado no hospital. Fiquei quatro dias no oxigênio e fiz todos os tipos de exames, como tuberculose e AIDS e não deu nada, só o problema no pulmão.
Os sintomas me atrapalhavam. Depois que fiquei assim, não consegui trabalhar mais, nem pegar a vassoura. Sinto cansaço e falta de ar.
Depois que me aposentei, só trabalhei em obra e carpintaria que é minha profissão, que é o que eu gosto de fazer. Desde janeiro, quando fiquei doente, não consigo mais.
Estava consultando com a Dra. Paula e vi que ela pediu orientação para outro, não sabia que era para o Telessaúde. Achei legal, pois foi uma coisa bem rápida, deram prioridade para mim e talvez para outras pessoas também. Era um caso que não achavam o que eu tinha, me encaminharam para o especialista, foram fazer todos os exames e foi que constataram o que eu tinha.
Eu queria agradecer à Dra. Paula, pois ela me encaminhou, e a vocês. É uma coisa boa para mim e para muitas pessoas que também precisam. É um serviço muito bom.

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Depoimento Felícia

Meu nome é Felícia, sou médica teleconsultora pneumologista. O caso do seu Jair chegou até mim através de uma teleconsultoria atendida inicialmente por um Médico de Família e Comunidade. A doença apresentada pelo seu Jair é uma condição que indica o encaminhamento para pneumologia. Rapidamente, conseguimos regular esse caso e o paciente foi encaminhado para um hospital terciário. O tempo de espera entre a primeira teleconsultoria e a consulta no hospital terciário foi de aproximadamente um mês. É gratificante saber que conseguimos fazer isso no TelessaúdeRS, tanto regular o caso, quanto ajudar o médico assistente a dar o atendimento inicial a esse paciente. Quando ainda não existia a regulação das filas de espera, os pacientes ficavam muito tempo aguardando consulta, tanto em casos menos graves, que poderiam ser tratados na Atenção Primária, quanto em casos de pacientes com doenças mais graves.
Em uma lista de espera com vários pacientes, com tipos de doenças diferentes, vai existir o paciente com a doença menos grave, por exemplo, asma, que provoca crises de vez em quando, e o paciente com uma doença mais grave, um câncer ou uma doença intersticial. O paciente mais grave, precisa rapidamente ser encaminhado para um especialista. O paciente menos grave pode ser atendido na Atenção Primária e, se for necessário, pode ter o auxílio do teleconsultor do TelessaúdeRS no manejo. A regulação busca, através de critérios de prioridade, esse paciente mais grave para que ele consiga consultar antes com um especialista, deixando em menor prioridade o paciente com uma doença menos grave e que talvez não precise do encaminhamento.
Nós conseguimos evitar o encaminhamento em cerca de 30% dos casos encaminhados pelo sistema de regulação. E ainda tem uma outra situação: o paciente que tinha uma condição e, ao longo do tratamento na Atenção Primária, começou a piorar. Neste caso, pode ser encaminhado para o especialista para ter o seu problema resolvido.

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