Semana de combate ao Câncer de Boca

06/11/2020

O câncer de boca está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, sendo o 5º mais frequente em homens. São diagnosticados no Brasil em torno de 15.000 novos casos por ano e a prevalência de mortalidade segue instável ao longo dos anos (aproximadamente 50%)[1], por isso o profissional de saúde deve se preocupar com o câncer de boca. A doença pode acometer lábios, língua, gengivas, palato, mucosa jugal e assoalho de boca [2]. O aspecto clínico do câncer de boca pode ser visto na Figura 1.  Os principais fatores de risco para o câncer de boca são o fumo, consumo de álcool, infecção por papilomavírus (HPV), imunossupressão (HIV) e exposição solar (câncer de lábio) [2,3,4]. 

Uma das causas para a alta taxa de mortalidade para o câncer de boca é o diagnóstico tardio, que quando não causa o óbito, é a causa de tratamentos extremamente mutiladores, como glossectomia (remoção de parte ou toda língua), mandibulectomia (remoção de mandíbula), vermelhectomia (remoção de lábio) [5,6]. Devido a isso, a importância do papel do profissional de saúde da Atenção Primária à Saúde (APS) em identificar e diagnosticar a lesão o mais breve possível. Algumas lesões podem anteceder o câncer bucal, sendo denominadas como Desordens Potencialmente Malignas (DPM)[7,8]. Em relação às DPM destacam-se a leucoplasia, eritroplasia e queilite actínica (Figura 2).

Para ajudar na identificação, diagnóstico e manejo da lesão, o TelessaúdeRS-UFRGS oferece o serviço de Teleconsultoria e Telediagnóstico. Dentistas, enfermeiros e médicos da APS de todo país podem realizar a Teleconsultoria a partir do telefone 0800 644 6543, sendo possível o envio de fotos e discussão de casos clínicos de maneira síncrona. Além disso, os profissionais dentistas e médicos da APS do estado do Rio Grande do Sul podem utilizar o serviço EstomatoNet (serviço de telediagnóstico à lesões de boca). 

Figura 1. Exemplos de pacientes com o mesmo diagnóstico, mas diagnosticados em períodos diferentes, com provável  tratamentos e taxa de sobrevida diferentes.

Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020).

Figura 2. Desordens Potencialmente Malignas: aspecto clínico e definição.

Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS, adaptado de Regezi, Sciubba e Jordan (2017) e Newile et al (2009) [7,8]. 

A prevenção para o câncer de boca consiste fundamentalmente em programas e medidas de combate ao consumo de tabaco e bebidas alcoólicas (veja os links indicados abaixo), educação em saúde (população e profissionais de saúde). Além disso, o exame físico da boca como rotina a fim de detectar precocemente DPM e neoplasias malignas e o rastreamento baseado em risco podem minimizar a incidência e letalidade [3,9]. 

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Referências:

  1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA – Brasil). Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2019.
  2. Colin S Poon CS, Stenson KM. Overview of the diagnosis and staging of head and neck cancer [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 20 Mar 2019, citado em 5 Nov 2020].  Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-diagnosis-and-staging-of-head-and-neck-cancer
  3. Department of Scientific Information, Evidence Synthesis, Translation Research, American Dental Association, Science e Research Institute. Oral Health Topics. Cancer (head and neck). Chicago, IL; 2 Sep 2020 [citado em 5 Nov 2020]. Disponível em: https://www.ada.org/en/member-center/oral-health-topics/cancer-head-and-neck
  4. DynaMed. Record No. T920266, Oropharyngeal cancer [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995 [atualizado em 4 Dec 2018, citado em 5 Nov 2020]. Disponível em: https://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T920266.
  5. Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Brasil). Falando sobre o câncer de boca. Rio de Janeiro: INCA; 2002 [citado em 5 Nov 2020]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/falando_sobre_cancer_boca.pdf.  
  6. Lalwani AK. Current otorrinolaringologia: cirurgia de cabeça e pescoço: diagnóstico e tratamento. 3a ed. Porto Alegre: AHMD; 2013. p. 360-2.
  7. Neville BW, Damm DD, Allen CM, Bouquot JE. Patologia oral e maxilofacial. 3a ed. trad. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.
  8. Regezi JA, Sciubba JJ, Jordan RCK. Patologia oral: correlações clinicopatológicas. 7a ed. trad. Rio de Janeiro: Elsevier; 2017.
  9. Ellington TD, Henley SJ, Senkomago V, O’Neil ME, Wilson RJ, Singh S, et al. Trends in incidence of cancers of the oral cavity and pharynx: United States 2007–2016. MMWV 2020 Apr 17[citado em 5 Nov 2020];69(15);433-8. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/69/wr/pdfs/mm6915a1-H.pdf.  

 

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