Mulheres que amamentam devem fazer alguma restrição alimentar?

Publicado em 17/08/2018

Mulheres que amamentam não precisam fazer nenhum tipo de restrição alimentar. Não há evidência de que os alimentos interferiam na amamentação. Também não se recomenda restrição de leite, ovos ou amendoim, pois não há evidência que evitar esses alimentos diminua o risco de dermatite atópica na criança. A alimentação da mulher que amamenta deve ser baseada em uma dieta saudável e equilibrada. No entanto, caso ocorra algum efeito no lactente associado a certos componentes da dieta, pode-se indicar a prova terapêutica:

  • Retirar o alimento da dieta por algum tempo e reintroduzi-lo, observando atentamente a reação da criança. Caso os sinais e/ou sintomas da criança melhorarem com a retirada do alimento e piorem com a sua reintrodução, ele deve ser evitado.

Recomendações que fazem parte de uma alimentação adequada durante a lactação:

  • Não realizar dietas restritivas enquanto o aleitamento materno não estiver bem estabelecido e não ingerir medicamentos para a perda de peso: para a produção de leite materno é necessário evitar dietas e medicamentos que promovam rápida perda de peso (mais de 500 g por semana). Após o aleitamento bem estabelecido, as mulheres com obesidade que desejarem emagrecer podem realizar uma diminuição de 500 kcal/dia na sua dieta habitual, além de exercícios físicos aeróbicos, para promover a perda de peso, (até 500 g por semana).
  • Não ingerir líquidos em excesso: as mulheres que amamentam devem ser encorajadas a ingerir líquidos em quantidades necessárias para saciar a sua sede. No entanto, líquidos em excesso devem ser evitados, pois não aumentam a produção de leite, podendo até diminuí-la.
  • Não consumir peixes ricos em mercúrio: o consumo elevado de mercúrio pode representar risco ao desenvolvimento neurológico do bebê. Peixes ricos em mercúrio são os predadores, como peixe espada e cavala. Peixes com índices menores de mercúrio, podem ser consumidos 2 vezes por semana: anchova, bacalhau, pescada, arenque, salmão, sardinha, tilápia, truta, atum, peixe branco.
  • Limitar o consumo de café e outros produtos cafeinados: é razoável limitar a ingestão até no máximo 300 mg de cafeína por dia (cerca de 3 xícaras de café). Com consumos acima dessa quantidade, algumas crianças podem apresentar irritação ou ter dificuldade para dormir.
  • Evitar o consumo de álcool: a ingestão de 0,3 g/kg de álcool, conteúdo presente em uma lata de cerveja, pode reduzir em até 23% a ingestão de leite pela criança. Há relatos de alteração do odor e do sabor do leite materno após uso de bebidas alcoólicas, podendo levar à recusa do leite pela criança. Quando não for possível evitar o consumo, a lactante deve ser orientada que a cada drink consumido, a amamentação deve ser interrompida por duas horas. Um drink corresponde a 340 mL de cerveja, 141,7 mL de vinho, 42,5 mL de bebidas destiladas.

Além disso, lactantes vegetarianas têm risco potencial de deficiências minerais, proteicas e vitamínicas, dependendo do grau de restrição alimentar (por exemplo, o vegetariano estrito), e dessa forma, deve-se considerar a necessidade de suplementação de cálcio, vitamina D e B12. Mulheres que realizaram cirurgia bariátrica também necessitam manter a reposição vitamínica durante a amamentação, especialmente de vitamina B12.

 

REFERÊNCIAS:

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BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=publicacoes/cab23>. Acesso em: 15 ago. 2018.

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Aleitamento Materno. Uso de medicamentos e outras substâncias pela mulher durante a amamentação [Internet]. Rio de Janeiro: SBP: 2017. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Aleitamento_-__Uso_Medicam_durante_Amament.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2018.

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Teleconsultoria

Gabriela Monteiro Grendene, Nutricionista – http://lattes.cnpq.br/8976555008672594

Laura Ferraz dos Santos, Enfermeira – http://lattes.cnpq.br/9391494206897397

Revisão

Elise Botteselle de Oliveira, Responsável Regulação e Teleconsultoria e Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059

Taiane Sawada de Souza, Médica Dermatologista – http://lattes.cnpq.br/4959579799912344

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