Quais são os critérios para realizar a retirada de corticoide inalatório em adultos com asma?

Publicado em 04/05/2017

Pergunta-da-Semana

Pode ser considerada a redução de dose (mínima dose efetiva) do corticoide inalatório em pacientes com asma controlada por pelo menos três meses e desde que haja baixo risco de exacerbações e função pulmonar estável.

  • Quando os pacientes estão utilizando corticoide inalatório isoladamente em doses médias ou altas, uma redução de 50% da dose pode ser tentada a cada 3 meses;
  • Quando o controle é alcançado com baixa dose de corticoide inalatório isolado, duas vezes ao dia, a dose em uso pode ser administrada uma vez ao dia.

Deve-se considerar suspensão do tratamento após controle por 6 a 12 meses, porém com reavaliações periódicas, pois cerca de 60% a 70% dos pacientes necessitam reintrodução do corticoide no futuro.

É preciso escolher um momento oportuno para iniciar a redução de dose ou retirada do corticoide (sem infecções respiratórias, viagens, gestação) e garantir que o paciente tenha medicação de resgaste, caso seja necessário.

Entende-se por asma controlada a ausência dos seguintes fatores:

  • sintomas diurnos de asma mais de 2 vezes por semana;
  • uso de broncodilatador de demanda mais de 2 vezes por semana;
  • despertar noturno por asma;
  • qualquer limitação de atividade diária por asma.

São considerados fatores de risco para exacerbações as seguintes condições:

  • intubação por asma ou internação em UTI alguma vez na vida;
  • uma ou mais exacerbações graves nos últimos 12 meses;
  • sintomas não controlados;
  • uso de grande quantidade de broncodilatador de demanda (mais de 1 frasco ou 200 doses/mês);
  • uso inadequado de corticoides inalatórios: má aderência, técnica inalatória incorreta;
  • baixa função pulmonar, especialmente FEV1 abaixo de 60%;
  • problemas psicológicos ou socioeconômicos importantes;
  • exposição ao tabaco ou alérgenos, se paciente sensibilizado;
  • comorbidades (obesidade, rinossinusite, alergia alimentar comprovada);
  • eosinofilia no escarro.

Teleconsultoria respondida por Felícia de Moraes Branco Tavares, Teleconsultora do TelessaúdeRS-UFRGS,  Médica Pneumologista, Graduação em Medicina pela UFSC,  com Mestrado em Pneumologia pela UFRGS e Residência em Pneumologia e Tisiologia na FFFCMPA.

 

Referências:

FANTA, C. H. Treatment of intermittent and mild persistent asthma in adolescents and adults. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em <https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-intermittent-and-mild-persistent-asthma-in-adolescents-and-adults>. Acesso em: 02 mai. 2017.

GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global strategy for the asthma management and prevention. [S.l]: Global Initiative for Asthma, 2017. Disponível em: <http://ginasthma.org/2017-gina-report-global-strategy-for-asthma-management-and-prevention/>. Acesso em: 02 mai. 2017.

HARZHEIM, E.; AGOSTINHO, M. R.; KATZ, N. (Ed.). Asma [Internet]. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 2015. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/pneumologia_resumo_asma_TSRS_20160321.pdf>. Acesso em: 02 mai. 2017.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o manejo da asma – 2012. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 38, supl. 1, p. s1-s46, abr. 2012. Disponível em: <http://www.jornaldepneumologia.com.br/pdf/suple_200_70_38_completo_versao_corrigida_04-09-12.pdf>. Acesso em 02 mai. 2017.

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