Qual o tratamento para a bromidrose?

Publicado em 01/11/2018

Na avaliação inicial, deve-se certificar que o paciente apresenta bromidrose verdadeira. Se não for identificado odor corporal desagradável ao exame físico ou o odor desagradável não for percebido por outras pessoas próximas ao paciente, deve-se avaliar a possibilidade de outros diagnósticos, como a síndrome de referência olfativa, transtorno delirante do tipo somático ou ainda alucinações olfativas.

Como a bromidrose geralmente resulta da decomposição bacteriana do suor e da queratina, o tratamento consiste principalmente em reduzir a proliferação das bactérias e/ou diminuir a quantidade de suor das áreas afetadas.

Medidas gerais:

  • Otimizar a higiene: as axilas devem ser lavadas com água e sabão diariamente. No entanto, a higiene excessiva deve ser desencorajada pelo risco de irritação da pele. Se houver presença de dermatoses concomitantes (por exemplo: intertrigo micótico, eritrasma), devem ser adequadamente tratadas, pois podem contribuir para o agravamento do quadro;
  • Dar preferência ao uso de roupas e meias de tecidos que mantenham a umidade longe da pele, tais como o algodão ou outros tecidos absorventes;
  • Trocar as roupas e meias diariamente e evitar permanecer com as meias suadas por período prolongado;
  • Usar sabonetes antissépticos nas axilas ou pés durante o banho (por exemplo: sabonete com triclosan 1% ou a base de iodo).
  • Evitar ingesta de alho;
  • Na bromidrose nos pés, é importante adotar medidas para remover o estrato córneo excessivo, orientando a esfoliação suave das áreas hiperceratóticas (por exemplo: lixar suavemente as áreas de pele espessada, após o banho, uma vez por semana);
  • Na bromidrose axilar, realizar a remoção dos pelos da axila, já que podem ajudar a acumular bactérias e odores;
  • Uso de antitranspirantes, especialmente naqueles pacientes que apresentam hiperidrose associada. Por exemplo: cloreto de alumínio hexahidratado a 6,25% a 20% em solução alcoólica, dependendo da gravidade do caso e conforme a tolerância do paciente. A medicação pode ser manipulada e existem formulações comercialmente disponíveis. Orientar a aplicação de pequena quantidade do produto, com a pele bem seca, à noite (esperar secar ou utilizar secador com ar frio). Aplicar por três a cinco noites consecutivas e, após, manter o uso uma a duas vezes por semana, de maneira contínua. A pele tratada deve ser lavada na manhã seguinte para retirada do produto.

Se as medidas acima não forem suficientes, podem ser utilizados:

  • Clindamicina 1% ou eritromicina 2%, sob manipulação em creme, loção ou gel, aplicar duas vezes ao dia, até melhora do odor. Pode ser necessário repetir o curso ou até mesmo manter o uso contínuo da medicação para manutenção da resposta.

Em casos graves de bromidrose axilar, resistentes aos tratamentos acima, deve-se considerar o encaminhamento para atenção especializada, para avaliar a possibilidade de tratamentos mais invasivos, tais como aplicação de toxina botulínica e simpatectomia.

 

Referências

AZULAY, R. D.; AZULAY, D. R.; AZULAY-ABULAFIA, L. Dermatologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. p. 689.

CHAMPION, R. H. et al. Rook’s textbook of dermatology. 8th ed. Wiley-Blackwell, 2010. p. 4420

LUPI, O.; BELO, J.; CUNHA, P. R. Rotinas de diagnóstico e tratamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional, 2012. p. 274.

MILLER, J. L. Bromhidrosis [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, Inc., 2018. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/bromhidrosis>. Acesso em: 31 out. 2018.

RIVITTI, E. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. Porto Alegre: Artes Médicas, 2014. p. 185.

SEMKOVA, K. et al. Hyperhidrosis, bromhidrosis, and chromhidrosis: Fold (intertriginous) dermatoses. Clinics in Dermatology, Philadelphia, v. 33, n. 4, p. 483-491, 2015.

WOLFF, K. et al. Fitzpatrick’s Dermatology in General Medicine. 7th ed. McGraw-Hill, 2008. p. 732.

Teleconsultoria realizada por:

Kelli Wagner Gomes, Médica Dermatologista – http://lattes.cnpq.br/8646319977643885

Revisão

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Fernanda Lucia Capitanio Baeza, Psiquiatra – http://lattes.cnpq.br/0164626065007593

Elise Botteselle de Oliveira, Responsável Regulação e Teleconsultoria e Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059

 

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