Como iniciar tratamento para HIV na APS?

01/08/2019

Pessoas vivendo com HIV (PVHIV) virgens de tratamento devem iniciar terapia antirretroviral (TARV) de primeira linha, com o esquema:

Tenofovir 300 mg (TDF) + Lamivudina 300 mg (3TC) + Dolutegravir 50 mg (DTG)*

A TARV de primeira linha é composta por 1 comprimido (“2 em 1” TDF+3TC) e 1 comprimido de DTG, utilizados juntos, em tomada única diária (no horário de preferência do paciente, sempre no mesmo horário, com ou sem alimentos).

Situações de exceção a este esquema têm indicação de avaliação na atenção secundária:

  • gestantes;
  • mulheres em idade fértil sem contracepção eficaz (em uso de contracepção hormonal sem boa aderência ou apenas em uso de preservativo) ou tentando engravidar;
  • coinfecção HIV e tuberculose;
  • insuficiência renal crônica (TFG < 60 mL/min);
  • uso de anticonvulsivantes (fenitoína, fenobarbital, oxicarbamazepina e carbamazepina).

Gestantes e pacientes com tuberculose ativa devem ter priorização de acesso ao atendimento pelos serviços da rede de assistência à PVHIV, pois são situações que indicam início da TARV com celeridade.

Clique aqui para ler sobre o tratamento de HIV na gestação

Clique aqui para ler sobre o tratamento da coinfecção HIV e tuberculose

A prescrição de antirretrovirais é realizada em formulários específicos, disponíveis através do link Formulário de Solicitação de Medicamentos.  No formulário de prescrição, deve ser informado o valor do último exame de carga viral, a data de realização e se foi realizado na rede pública ou privada. Este campo é de preenchimento obrigatório para a dispensação de TARV.

Na consulta, é importante explicar os efeitos adversos mais comuns (náusea, diarreia, cefaleia, cansaço, sintomas alérgicos leves), que em geral são temporários e cessam após o primeiro mês de uso. Também deve-se orientar sobre a importância do uso regular da medicação e verificar interações com outros medicamentos que a pessoa já faz uso. Após o início da TARV, é importante assegurar ao paciente o retorno breve à unidade para avaliação de adaptação ao tratamento, em cerca de 15 dias, ou antes, se necessário.

Cada usuário pode cadastrar-se em apenas uma Unidade Dispensadora de Medicamento (UDM), que lhe for mais conveniente. O link de contato das farmácias de dispensação de antirretrovirais no Rio Grande do Sul pode ser acessado aqui. O médico definirá o tempo de validade do formulário (de 30 a 180 dias) e a UDM avaliará a possibilidade de dispensação da medicação para períodos entre 30 dias e 90 dias.

*O DTG aumenta a concentração plasmática da metformina. Para manter o controle glicêmico, recomenda-se um ajuste na dose da metformina (dose máxima: 1g/dia) e acompanhamento clínico do diabetes e monitorização dos efeitos adversos da metformina. Antiácidos contendo alumínio ou magnésio e suplementos de cálcio ou ferro devem ser tomados 6 horas antes ou 2 horas depois da tomada do DTG.  Quando acompanhado de alimentos, o DTG pode ser administrado ao mesmo tempo que esses suplementos.

Referências:

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em adultos. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de-saude/hiv/protocolos-clinicos-e-manuais
  2. Rio Grande do Sul. Secretaria Estadual da Saúde. Unidades dispensadoras de medicamentos ARV [Internet]. Porto Alegre: Secretaria Estadual da Saúde; 2017 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/26144122-unidades-dispensadoras-de-medicamentos.pdf
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Controle Logístico de Medicamentos. Formulário de solicitação de medicamentos. Brasília: SICLOM; 2019 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: http://azt.aids.gov.br/documentos/siclom_operacional/F_Solicitacao_Medicamento.pdf
  4. TelessaúdeRS-UFRGS. Protocolos de regulação ambulatorial: infectologia adulto [Internet]. Porto Alegre: UFRGS; 2017 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/protocolo_ses_infectologia_20170911_v012.pdf
  5. Sax PE. Patient monitoring during HIV antiretroviral therapy [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, Inc.; 2018 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/patient-monitoring-during-hiv-antiretroviral-therapy
  6. Sax PE. Selecting antiretroviral regimens for the treatment-naïve HIV-infected patient [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, Inc.; 2018 [citado em 2019 Jul 15]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/selecting-antiretroviral-regimens-for-the-treatment-naive-hiv-infected-patient
  7. DynaMed Plus. Record nº T905771, Initiating antiretroviral therapy in adults with HIV infection; [atualizado em 2018 Dez 03, citado em 2019 Jul 15]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services; 2018. Disponível mediante login e senha em: http://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T905771/Initiating-antiretroviral-therapy-in-adults-with-HIV-infection#How-to-cite

 

Teleconsultoria por:

Ana Cláudia Magnus Martins

Médica de Família e Comunidade

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Ana Flor Hexel Cornely

Infectologista

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Revisão por:

Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

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