Quais são as contraindicações para realizar vacina contra febre amarela?

São contraindicações para realização da vacina contra febre amarela:

  • Crianças menores de 6 meses de idade.
  • Pessoas com história de anafilaxia comprovada em doses anteriores ou relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina ou a outras).
  • Crianças menores de 13 anos vivendo com HIV com alteração imunológica grave.
  • Adultos vivendo com HIV com a contagem de células CD4 < 200 células/mm³ (<15% do total de linfócitos).
  • Pessoas submetidas a transplante de órgãos sólidos.
  • Pessoas com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).
  • Pessoas com imunodeficiências primárias graves.
  • Pessoas em tratamento com drogas imunossupressoras:
    • corticoesteroides (prednisona 2 mg/kg por dia nas crianças até 10kg, por mais de 14 dias ou 20mg por dia, por mais de 14 dias em adultos);
    • quimioterapia;
    • radioterapia;
    • imunomoduladores (Infliximabe, Etarnecepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Rituximabe, inibidores de CCR5 como Maraviroc).
  • Pessoas com neoplasia maligna.
  • Pessoas portadores de doença falciforme em uso de hidroxiureia e contagem de neutrófilos <1500 células/mm³.
  • Gestante que nunca foram vacinadas ou sem comprovante, a vacinação está contraindicada. Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, devem ser avaliadas individualmente.

Precauções para a vacinação contra febre amarela:

  • Pessoas com histórico de evento adverso grave em familiares próximos (pais, irmãos, filhos) após a vacina febre amarela, devem ser avaliadas individualmente devido a maior risco de também apresentarem evento adverso pós vacinação.
  • Pessoas com doenças de etiologia potencialmente autoimune devem ser avaliadas individualmente, tendo em vista a possibilidade de imunossupressão e maior risco de eventos adversos pós vacinação.
  • Pessoas com história pessoal de doença neurológica de natureza desmielinizante (Síndrome de Guillain-Barré, encefalomielite aguda disseminada e esclerose múltipla) devem ser avaliadas individualmente antes da vacinação.
  • Pessoas transplantadas de células tronco hematopoiéticas (medula óssea) devem ser avaliadas individualmente antes da vacinação, considerando o risco epidemiológico. Caso se decida pela vacinação, deve ser respeitado o período mínimo de 24 meses após o transplante.
  • Pessoas vivendo com HIV:
    • Crianças menores de 13 anos assintomáticas e sem alteração imunológica devem ser vacinadas.
    • Crianças menores de 13 anos assintomáticas e com alteração imunológica moderada, devem ser avaliadas individualmente antes da vacinação, considerando parâmetros clínicos e risco epidemiológico.
    • Adolescentes e adultos com a contagem de células CD4 > 350 células/mm³ (≥ 20% de linfócitos) devem ser vacinados.
    • Adolescentes e adultos com a contagem de células CD4 200-350 células/mm³ (15% a 19% de linfócitos), devem ser avaliadas individualmente antes da vacinação, considerando parâmetros clínicos e risco epidemiológico.
  • Pessoas com 60 anos ou mais, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação, devem ser avaliadas individualmente antes da vacinação, considerando parâmetros clínicos e risco epidemiológico. Para mais informações sobre a contraindicação da vacina febre amarela em idosos, clique aqui.
  • Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de vida, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação, devem ter a vacinação adiada até a criança completar 6 meses de vida. Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, devem ser avaliadas individualmente.
    • Caso se decida pela vacinação ou a lactante receba a vacina inadvertidamente, o aleitamento materno deve ser suspenso por no mínimo 10 dias (Ministério da Saúde sugere 28 dias). O serviço de saúde de referência deve garantir orientações à mulher, a fim de manter a produção do leite materno e garantir o retorno à lactação. Para orientações sobre esse suporte acesse o TeleCondutas Aleitamento Materno.

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Referências:

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Ofício Circular nº 136/2019/SVS/MS. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 17 dez. 2019 [assinatura digital em 19 dez. 2019, inclui anexo].
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção à Saúde. Febre amarela: guia para profissionais de saúde. 1. ed. Atualizada. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 24 Ago 2020]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/biblioteca_em_saude/124_Guia%20para%20profissionais_febre%20amarela%20MS%202018.pdf
  3. Ministério da Saúde (Brasil). Manual de normas e procedimentos para vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2014.
  4. Ministério da Saúde (Brasil). Manual de vigilância epidemiológica para eventos adversos pós-vacinação. 3. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2014.
  5. Wilder-SmithA. Yellow fever: Treatment and prevention [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 5 Ago 2020, citado em 24 Ago 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/yellow-fever-treatment-and-prevention?topicRef=3032&source=related_link#H792171363. 
  6. Dynamed. Yellow Fever Vaccine [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995 [atualizado em Jul 2020, citado em 24 Ago 2020].  Disponível em: https://www.dynamed.com/drug-monograph/yellow-fever-vaccine#GUID-3DD6D134-466E-4A8D-BB3B-D3EDF667338F
  7. Centers for Disease Control and Prevention.  Traveler’s Health. Yellow Fever [Internet]. [atualizado em 02 Ago 2019, citado em 24 Ago 2020]. Disponível em: https://wwwnc.cdc.gov/travel/yellowbook/2020/travel-related-infectious-diseases/yellow-fever

 

Teleconsultoria por:

Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

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Revisão por:

Laura Ferraz dos Santos

Enfermeira

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