Qual o tratamento para corrimento vaginal em gestantes?

26/05/2017

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Fonte:  Duncan (2013), Brasil (2016).

*Fluconazol em baixas doses (150 mg dose única) é risco C na gestação, pode ser utilizado como segunda escolha para o tratamento de candidíase vaginal, em casos resistentes ao tratamento tópico. Quando usado em altas doses, o fluconazol é teratogênico em estudos com animais. Existem relatos de casos de malformações fetais com o uso de fluconazol em altas doses (400 mg/dia) por períodos prolongados.

** Metronidazol oral é risco B na gestação. Meta-análises não encontraram relação entre uso de metronidazol durante o primeiro trimestre e malformações congênitas. O seu uso em qualquer trimestre não está associado a complicações fetais ou obstétricas, podendo utilizado para tratamento de vaginose bacteriana e de tricomoníase.
O metronidazol via oral pode provocar náuseas e gosto metálico na boca.

***É contraindicado ingerir bebidas alcoólicas até 24 horas após término do tratamento com metronidazol.

A vaginose bacteriana está associada a abortamento, trabalho de parto pré-termo, baixo peso ao peso ao nascer e endometrite pós-parto. Todas as mulheres sintomáticas devem ser tratadas.

A tricomoníase está associada com ruptura prematura de membranas, parto pré-termo e baixo peso ao nascer, portanto deve ser sempre tratada. Como é uma doença sexualmente transmissível, deve-se tratar as parcerias e oferecer rastreamento para HIV, sífilis e hepatites.

Referências:

DUNCAN, B. B. et al. (Org.). Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Protocolos da Atenção Básica: saúde das mulheres [internet]. Brasília: Ministério da Saúde, 2016a. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher.pdf.>. Acesso em: 25 maio 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2016b.

PASSOS, E. P. et al. Rotinas em ginecologia. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

SOBEL, J. D. Bacterial vaginosis: Treatment. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/bacterial-vaginosis-treatment>. Acesso em: 23 novembro 2017.

SOBEL, J.D. Candida vulvovaginitis. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/candida-vulvovaginitis>. Acesso em: 24 maio 2017.

SOBEL, J.D. Trichomoniasis. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em <https://www.uptodate.com/contents/trichomoniasis>. Acesso em: 24 maio 2017.

 

Atualizado em 28/11/2017

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