Deve-se investigar o achado de diverticulose?

Publicado em 10/10/2017

Pergunta-da-Semana

O achado de divertículos em exames de imagem ou exames endoscópicos em pacientes assintomáticos não requer qualquer investigação adicional. Não é necessário repetir o exame ou encaminhar para gastroenterologia ou proctologia.

O termo diverticulose refere-se à presença de divertículos no cólon, sendo uma condição assintomática e sem associação com processo inflamatório, infeccioso ou risco de câncer de cólon. É um achado comum em exames realizados por outros motivos e sua prevalência aumenta com a idade, podendo chegar a 65% em pacientes com 80 anos. A grande maioria dos indivíduos permanecerá assintomática durante toda a vida.

Cerca de 10% a 25% dos pacientes com doença diverticular desenvolverá diverticulite em algum momento da vida, que é caracterizada por dor abdominal (especialmente em fossa ilíaca esquerda) e febre, achados estes que indicam a necessidade de realização de exame de imagem (preferencialmente a tomografia abdominal com contraste), em caráter de urgência. Destes apenas 15% terão a forma complicada da doença, caracterizada por abscesso, perfuração, fístula ou obstrução colônica. Mais raro ainda é a ocorrência de sangramento diverticular, que ocorre em 5% a 10% de todos os casos, havendo aumento de risco após uso de anti-inflamatórios não esteroides.

Evidências indiretas sugerem que dieta rica em fibras e restrita em carne vermelha, controle de peso e realização de atividade física regular podem reduzir a progressão para doença diverticular sintomática. Não há necessidade de evitar grãos como nozes, milho, pipoca ou semelhantes.

 

Referências

CAMPOS, F. G. C. M. de; REGADAS, F. S. P.; PINHO, M. de S. L. Tratado de coloproctologia.  São Paulo: Editora Atheneu, 2012.

DUNCAN, B. B. et al.  Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

DYNAMED PLUS. Record n. 113975, Diverticulitis [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 2015. Disponível mediante senha e login em: <http://www.dynamed.com/login.aspx?direct=true&site=DynaMed&id=113975>. Acesso em: 3 out. 2017.

PEMBERTON, J. H. Colonic diverticulosis and diverticular disease: Epidemiology, risk factors, and pathogenesis [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Acesso em: 08 set 2017.

STEELE, S. R.; HULL, T.L; READ, T.E. (Ed.). The ASCRS textbook of colon and rectal surgery. 3. ed. 2016. p. 645.

Teleconsultoria respondida por: Belisa Muller Conti, Teleconsultora do TelessaúdeRS-UFRGS.

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