É necessário realizar profilaxia para estrongiloides antes do tratamento com corticoides sistêmicos?

Publicado em 25/07/2018

Pelo fato de o Brasil ser considerado uma região endêmica para estrongiloides, está indicada a realização de teste sorológico para rastreamento de infecção por estrongiloides para todos pacientes assintomáticos (sem suspeita de infecção ativa por estrongiloides e sem eosinofilia) antes do início de um curso de corticoide com dose equivalente a prednisona 20 mg/dia ou maior e com expectativa de uso de no mínimo 2 semanas.

Os testes sorológicos (ELISA) para estrongiloides (IgG) são bastante específicos e sensíveis em áreas endêmicas, apresentando um alto valor preditivo negativo, sendo muito úteis para descartar a possibilidade da infecção. Se o resultado do teste sorológico for negativo não é necessário realizar a profilaxia. Em pacientes imunocomprometidos (principalmente por neoplasias hematológicas, infecção pelo HTLV ou em quimioterapia) a sensibilidade é diminuída.

Se for necessário o início imediato do corticoide, não sendo possível aguardar o resultado do exame ou se os exames sorológicos não estiverem disponíveis, está indicado o tratamento empírico.

O medicamento de primeira escolha é a ivermectina na dose de 200 mcg/kg/dia por 2 dias consecutivos, não sendo necessário associar albendazol.  A associação de invermectina com albendazol está indicada apenas para o tratamento da hiperinfecção por estrongiloides.

 

Referências:

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Teleconsultoria

Kelli Wagner Gomes, Médica Dermatologista – http://lattes.cnpq.br/8646319977643885

Revisão

Elise Botteselle de Oliveira, Responsável Regulação e Teleconsultoria e Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059

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