Quando suspeitar de febre amarela?

Publicado em 01/02/2018

Considera-se caso suspeito de febre amarela indivíduo com até sete dias de quadro febril agudo (febre aferida ou relatada) acompanhado de 2 ou mais dos seguintes sinais e sintomas: cefaleia (principalmente de localização supraorbital), mialgia, lombalgia, mal-estar, calafrios, náuseas, icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, com exposição em área afetada recentemente (em surto) ou em ambientes rurais e/ou silvestres destes, nos 15 dias anteriores, que não tenha comprovante de vacinação de febre amarela ou que tenha recebido a primeira dose há menos de 30 dias.

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A febre amarela pode variar desde infecções assintomáticas até quadros graves e fatais. No entanto, a maioria dos pacientes é assintomático ou apresenta sintomas leves a moderados.

O quadro clássico caracteriza-se pelo início súbito de febre alta, geralmente contínua, cefaleia intensa e duradoura, inapetência, náuseas e vômitos; após período de incubação de 3 a 6 dias. Nas formas leves a moderadas os sintomas duram cerca de 2 a 4 dias e são aliviados com sintomáticos.

Na forma grave, cefaleia e mialgia ocorrem em maior intensidade, acompanhadas de náuseas e vômitos frequentes, icterícia e pelo menos oligúria ou manifestações hemorrágicas, como epistaxe, hematêmese e metrorragia. A maioria dos pacientes apresenta melhora após as manifestações clínicas iniciais, porém cerca de 15 % dos casos evolui para a forma maligna.

Classicamente os casos de evolução maligna podem apresentar um período de remissão dos sintomas, que pode durar de 6 a 48 horas, entre o 3º e 5º dias de doença, seguido de agravamento da icterícia, insuficiência renal e fenômenos hemorrágicos de grande monta. A fase denominada maligna apresenta todos os sintomas clássicos da forma grave, intensificados, incluindo colúria, oligúria, vômitos constantes e sinais de coagulação intravascular disseminada.

Quadro 1: Manifestações clínicas e laboratoriais comuns da febre amarela

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Fonte: SAS/MS

Nas formas leve e moderada o diagnóstico diferencial pode incluir qualquer doença que curse com quadro febril agudo indiferenciado, sobretudo àquelas de maior prevalência e incidência no país como: dengue, malária, influenza e mononucleose infecciosa, com outras causas acrescidas a depender da epidemiologia local.  Formas graves e malignas devem ser diferenciadas de malária, dengue grave, chikungunya, hepatites agudas, leptospirose, riquetsiose, sepse e febre tifoide.

 

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Febre amarela: guia para profissionais de saúde. 1. ed. Atualizada. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/biblioteca_em_saude/124_Guia%20para%20profissionais_febre%20amarela%20MS%202018.pdf>. Acesso em: 1º fev. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de vigilância em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/outubro/06/Volume-Unico-2017.pdf>. Acesso em: 1º fev. 2018.

DYNAMED PLUS.  Record n. 114530, Yellow fever [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 2017. Disponível mediante senha e login em: <http://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T114530/Yellow-fever>. Acesso em: 1º fev. 2018.

GERSHMAN, M. D.; STAPLES, J. E. Yellow fever. In: CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. CDC Yellow Book 2018. Oxford: Oxford University Press: 2018. cap. 3, p. 352-367. Disponível em: <https://wwwnc.cdc.gov/travel/yellowbook/2018/infectious-diseases-related-to-travel/yellow-fever>.  Acesso em: 1º fev. 2018.

MONATH, T. P. Yellow fever. Waltham (MA): UpToDate, 2018. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/yellow-fever>. Acesso em: 1º fev. 2018.

Teleconsultoria respondida por:
Fernanda Melchior, Médica e Residente em Medicina de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/9809531119962553
Revisão:
Elise Botteselle de Oliveira, Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059
Laura Ferraz, Enfermeira – http://lattes.cnpq.br/9391494206897397

 

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