Gestantes podem viajar de avião?

15/02/2016

As gestantes podem viajar de avião, as viagens aéreas são seguras até 36 semanas de gestação. As viagens em aeronaves adequadamente pressurizadas não oferecem qualquer risco, não alterando os sinais vitais da gestante e do bebê. O voo também não está relacionado ao aumento da incidência de ruptura prematura de membranas ou ao descolamento prematuro de placenta. Os níveis de radiação recebidos durante uma viagem aérea não causam efeitos ao feto.

Entretanto, as regulamentações e decisões de viagens aéreas para gestantes são determinadas pelas próprias companhias aéreas, cujos limites de idade gestacional para viagens, bem como outras restrições, estão disponíveis para consulta em suas respectivas páginas na internet. O tempo de gestação é o considerado na data de embarque e não o da data de reserva ou compra da passagem.

A maioria das companhias aéreas exige atestado médico a partir da 28ª semana para gestações simples e a partir da 26ª ou 28 ª semana para gestações múltiplas. A partir da 32ª semana, é exigido o preenchimento de um formulário específico fornecido pelas companhias aéreas (MEDIF).O formulário deve ser enviado com antecedência mínima de 72 horas do horário previsto de partida do voo. A partir da 38ª semana, o embarque é permitido apenas em casos de extrema necessidade com acompanhamento médico.

 

Recomendações:

  • Antes do voo:
  • consultar as regras de transporte da companhia aérea às gestantes;
  • realizar avaliação médica, buscando a compensação de possíveis anemias antes da viagem;
  • evitar dieta produtora de gases nos dias anteriores à viagem.

 

– Durante o voo:

  • evitar o uso de roupas apertadas;
  • manter o cinto afivelado e posicionado sobre a pelve logo abaixo da barriga durante toda a viagem (preferência pelo cinto de três pontos);
  • manter-se bem hidratada;
  • nos voos com duração superior a quatro horas, fazer exercícios leves com as pernas a cada hora para evitar a imobilidade prolongada; podem ser utilizadas meias elásticas;
  • embora haja compensação fisiológica em ambientes pressurizados e de altitude elevada, oxigênio suplementar deve ser administrado às gestantes que não tolerarem as alterações do ambiente da aeronave (gestantes com anemia falciforme, anemia severa ou insuficiência cardíaca, por exemplo).

 

Restrições:

  • mulheres com gestações de alto risco que podem apresentar complicações durante o voo devem evitar viajar de avião;
  • a viagem deve ser evitada caso a gestante apresente dores ou sangramento antes do embarque;
  • as viagens longas não devem ser realizadas por pacientes com gestações múltiplas, incompetência istmo cervical, atividade uterina aumentada ou com história de parto prematuro prévio;
  • viagens para regiões de grandes altitudes (acima de 2400 metros) podem trazer problemas aos mecanismos de adaptação à hipóxia e devem ser evitadas, principalmente em gestações de alto risco;
  • gestação ectópica é contraindicação para o voo;
  • não há restrições no pós-parto imediato ou tardio para a mãe. no entanto, recomenda-se adiar a viagem do recém-nascido na primeira semana de vida, em vista da sua fragilidade inerente ao período.

 

Teleconsultoria respondida por: Marcos Vinícius Ambrosini Mendonça, Médico de Família e Comunidade e Teleconsultor do TelessaúdeRS/UFRGS. Especializado em Medicina de Família e Comunidade pelo HCPA e Graduado em Medicina pela UFCSPA.

 

REFERÊNCIAS:

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Conselho recomenda medidas para dar segurança a passageiros e tripulantes [internet]. Brasília: CFM, nov. 2010. Disponível em:<http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21107%3Aconselho-federal-de-medicina-recomenda-medidas-para-dar-seguranca-a-passageiros-etripulantes&catid=3%3Aportal&Itemid=1>. Acesso em: 15 fev. 2016.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA; FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO. Doutor, posso viajar de avião?  Cartilha de Medicina Aeroespacial. Brasília: Conselho Federal de Medicina, 2011. Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/stories/pdf/cartilha_medicina_aeroespacialfinal2.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2016.

CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. 23. ed.  Porto Alegre:  AMGH, 2012.

DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. l.; GIUGLIANI, E. R. J. (Org.). Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA. Tudo o que você precisa fazer para ter uma boa viagem: guia do passageiro. Brasília: Infraero, 2014. Disponível em:
<http://www.infraero.gov.br/images/stories/guia/2014/guiapassageiro2014_portugues.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2016.

FREITAS, F. et al. Rotinas em obstetrícia. 6. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2011.

LOCKWOOD, C. J.; MAGRIPLES, U. Initial prenatal assessment and first trimester prenatal care. Waltham (MA): UpToDate, Inc., 2016. Disponível em:
<http://www.uptodate.com/contents/initial-prenatal-assessment-and-first-trimester-prenatal-care?>. Acesso em: 12 jan. 2016.

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