Como deve ser feita a prescrição de meias elásticas?

Publicado em 04/01/2017

A prescrição de meias de compressão varia conforme os sinais e sintomas da doença venosa e fatores do paciente. O grau de compressão e o comprimento da meia devem ser especificados na receita.

Grau de compressão: As meias de compressão estão disponíveis em diversos gradientes de pressão. A prescrição varia conforme o objetivo para o paciente:

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Fontes: Armstromg D., Meyr A. J. (2017); Borges (2011)
*O emprego de compressão com níveis de pelo menos 40 mmHg promove a cicatrização de úlceras de forma mais eficiente. Se uma úlcera estiver presente, usar as meias de compressão sobre um curativo simples cobrindo a úlcera e, se possível, utilizar meia elástica com zíper.

Comprimento:

  • Até o joelho (infra-condilianas): São as mais usadas, são tão efetivas quanto as de comprimento até a coxa. São suficientes para a maioria dos pacientes e geralmente bem toleradas.
  • Até a coxa: São ocasionalmente prescritas após cirurgia venosa, para edema acima do joelho e também podem ser úteis para fornecer um nível adicional de suporte durante períodos de viagem prolongada.
  • Meia-calça para gestantes: Disponíveis em diferentes graus de compressão. Pode ser usada desde o começo da gestação para alívio de sintomas como dor nas pernas e edema e também para tratamento de varizes pélvicas.

Medidas: A meia deve ser compatível com as medidas do membro inferior de cada paciente. Existem várias marcas e modelos, com variação nas medidas de circunferência do tornozelo e da panturrilha e do comprimento. Realizar as medidas com uma fita métrica, preferencialmente pela manhã. São necessárias 3 medidas para as meias abaixo do joelho e cinco medidas para as meias até a coxa, conforme mostra a figura:

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Fonte: Borges (2011)
Locais das medidas da perna: circunferência do tornozelo no ponto mais estreito acima do maléolo medial (A), comprimento da base do calcanhar até abaixo do joelho (B), circunferência da panturrilha no seu ponto mais largo (C); para meias de compressão até a coxa, medir também: circunferência da parte mais larga da coxa (D) e o comprimento da base do calcanhar até a dobra glútea (E).

 

Forma de uso: As meias devem ser colocadas pela manhã, logo após acordar, quando o edema é mínimo; e após a colocação dos curativos de úlcera, se houver. Se houver uma demora após levantar da cama (por exemplo, tomar banho), é útil elevar as pernas por 20 a 30 minutos antes de colocar as meias. Alguns fabricantes disponibilizam uma calcadeira junto ao par de meias para facilitar o uso. Remover as meias à noite ou até o horário máximo de tolerância do paciente durante o dia. As meias absorvem oleosidade da pele e podem deixar a pele mais ressecada. Por isso, após a remoção das meias à noite, hidratar a pele. É necessário trocar as meias de compressão a cada 6 meses devido à perda de pressão com o uso.

Contraindicações: Antes da prescrição, verificar se o paciente apresenta alguma contraindicação à prescrição, como doença arterial periférica, índice tornozelo-braquial ≤ 0,9, fase aguda de trombose venosa profunda, insuficiência cardíaca, celulite, infecção aguda ou tecidos necróticos na pele.

 

Referências:

ARMSTROMG, D.; MEYR, A. J. Compression therapy for the treatment of chronic venous insufficiency. Waltham (MA): UpToDate, Inc., 2017. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/compression-therapy-for-the-treatment-of-chronic-venous-insufficiency>. Acesso em: 03 jan. 2018.

BORGES, E. L. Feridas: úlcera dos membros inferiores. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

DYNAMED PLUS. Record n. 115785, Venous insufficiency. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 2016. Disponível mediante senha e login em: <http://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T115785/Venous-insufficiency>. Acesso em: 4 jan. 2017.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR. Projeto Diretrizes SBACV. Insuficiência venosa crônica: diagnóstico e tratamento. São Paulo: SBACV, 2015. Disponível em: <http://www.sbacv.com.br/lib/media/pdf/diretrizes/insuficiencia-venosa-cronica.pdf>. Acesso em: 4 jan. 2018.

Teleconsultoria respondida por: Ana Cláudia Magnus Martins, Médica de Família e Comunidade, Teleconsultora do TelessaúdeRS-UFRGS. Medicina na UFRGS, residência em Medicina da Família e Comunidade no GHC e Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFRGS.

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