Qual a conduta em gestantes com teste rápido positivo para hepatite B ou HBsAg positivo?

Gestantes com teste rápido de hepatite B positivo devem complementar a avaliação com os seguintes exames: HBsAg, TGO, TGP, HBeAg e carga viral do vírus B (HBV-DNA), preferencialmente no primeiro trimestre, e repetidos também na 28ª semana de gestação (exceto o HBsAg). Quando o acompanhamento for iniciado a partir de um HBsAg positivo, não é necessário repeti-lo. 

As gestantes devem ser encaminhadas para infectologia, Serviço de Atendimento Especializado (SAE) que atendam gestantes ou para  gastroenterologia. No entanto, não se deve aguardar essa consulta para solicitar os exames complementares e iniciar a profilaxia antiviral.

A profilaxia é realizada com Tenofovir (TDF) 300 mg ao dia, a partir da 28ª semana, idealmente antes da 32ª semana de gestação, para as gestantes com um ou mais dos seguintes resultados:

  • HBeAg positivo;
  • Carga viral do HBV acima de 200.000 UI/mL;
  • TGP acima de 2 vezes o limite superior da normalidade.

Pacientes com doença hepática ativa ou com suspeita de cirrose devem ser encaminhadas também ao pré-natal de alto risco. Não está indicado investigar cirrose em todas as pacientes com HBsAg positivo devido à baixa prevalência de cirrose nesse subgrupo, além de ser particularmente difícil a avaliação diagnóstica, já que algumas manifestações da cirrose, como eritema palmar e edema, também podem ser devidas a alterações fisiológicas da gestação. A presença de plaquetopenia e icterícia em gestantes com diagnóstico de hepatite B são sinais de alerta e podem indicar hepatopatia grave. Esses casos devem ser avaliados em um serviço de emergência.

Manejo do recém nascido:

Todos os recém-nascidos de mães com hepatite B devem receber vacina para hepatite B e imunoglobulina específica (IGHAHB) ainda na maternidade, ambas idealmente nas primeiras 12 horas de vida e no máximo em até 24 horas após o parto. As demais doses da vacina devem ser realizadas aos 2, 4 e 6 meses. A avaliação da soroconversão deve ser realizada mediante anti-HBs e HBsAg entre 30 a 60 dias após a última dose da vacina para hepatite B.

Amamentação:

A amamentação não está contraindicada, desde que a criança tenha recebido a vacina e a imunoglobulina específica para hepatite B logo após o nascimento.

Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020).

Faça o download do fluxograma aqui

 

Referências

  1. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde; 2019. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-prevencao-da-transmissao-vertical-de-hiv&sa=D&ust=1579185208751000&usg=AFQjCNG7wEysgV9hQZ_rpf5SKP0dcTIlLw
  2. TelessaúdeRS-UFRGS. Protocolo de encaminhamento para Obstetrícia (Pré-Natal de Alto Risco). Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 2019. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/protocolo_encaminhamento_obstetricia_TSRS20190821.pdf&sa=D&ust=1579185208749000&usg=AFQjCNE8cOFDXXetTHAh_u_Lv4DdHIsOqQ
  3. Ministério da Saúde.  Nota Informativa Nº 35/2019-CGIST/.DCCI/SVS/MS. Dispõe sobre a disponibilização de tenofovir (TDF) para gestante com hepatite B nas Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) para a prevenção da transmissão vertical da hepatite B. Brasília, 12 de julho de 2019 [citado em 2019 Nov]. Disponível em http://azt.aids.gov.br/informes/Informe%2017_19%20-%20NI%2035_19%20-%20Dispensa%C3%A7%C3%A3o%20TDF%20para%20gestantes%20com%20hepatite%20B.pdf
  4. Lee H, Lok ASF. Hepatitis B and pregnancy. Waltham (MA): Uptodate; 2019 [citado em 2019 Nov 04]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/hepatitis-b-and-pregnancy
  5. European Association for the Study of the Liver. EASL 2017 Clinical Practice Guidelines on the management of hepatitis B vírus infection. J Hepatol. 2017 Aug;67(2):370-398. Disponível em: https://easl.eu/wp-content/uploads/2018/10/HepB-English-report.pdf
  6. Terrault NA, Bzowej NH, Chang KM, Hwang JP, Jonas MM, Murad MH. American Association for the Study of Liver Diseases. AASLD guidelines for treatment of chronic hepatitis B. Hepatology. 2016 Jan;63(1):261-83. Disponível em: https://www.aasld.org/sites/default/files/2019-06/HBVGuidance_Terrault_et_al-2018-Hepatology.pdf
  7. Vittal A, Ghany MG. WHO Guidelines for Prevention, Care and Treatment of Individuals Infected with HBV: A US Perspective. Clin Liver Dis. 2019 Aug;23(3):417-432. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1089326119300212?via%3Dihub
  8. Ministério da Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde; 2015. Disponível em:  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf

Teleconsultoria por:

Jerônimo de Conto Oliveira

Gastroenterologista

ver Lattes

Laura Ferraz dos Santos

Enfermeira

ver Lattes

Revisão por:

Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

ver Lattes

Renata Rosa de Carvalho

Médica de Família e Comunidade

ver Lattes

Outras Perguntas

Qual a recomendação para a vacinação contra a febre amarela?

5 min leitura ler mais

Qual o tratamento para impetigo?

4 min leitura ler mais

Como realizar o diagnóstico e a avaliação complementar de doença de Chagas crônica?

6 min leitura ler mais