Qual o tratamento para larva migrans cutânea?

22/11/2019

Embora seja uma infecção normalmente autolimitada, com duração aproximada de duas a oito semanas, o tratamento normalmente se faz necessário para alívio do prurido e redução da chance de infecção bacteriana secundária.

O tratamento de escolha é feito com ivermectina oral para adultos e crianças com mais de 15 kg. A dose única de 200 mcg/kg é bastante efetiva, com taxas de cura de 77 a 100%, e melhora completa dos sinais e sintomas dentro de 7 dias. Em caso de falha terapêutica após 10 dias, deve ser realizada uma segunda dose.

Em caso de indisponibilidade da ivermectina, o tratamento alternativo é feito com albendazol. Para adultos com menos de 60kg, a dose é de 400 mg/dia por 3 dias; para adultos acima de 60kg, a dose é de 400 mg, de 12/12 horas, por 3 dias. Em adultos com acometimento muito extenso, é possível estender o tratamento até 7 dias, com taxas de cura de 92 a 100%.

Em crianças acima de 2 anos, a dose do albendazol é de 10 a 15 mg/kg/dia (dose máxima de 800mg/dia) por 3 dias. Há contraindicação do uso em crianças menores de 2 anos. Entretanto, há relato na literatura de uma série de casos de crianças com idade maior ou igual a 8 meses e menores de 10 kg tratadas com Albendazol 200mg/dia, por 3 dias.

Apesar de efetivo, o uso do tiabendazol oral não vem sendo mais indicado devido ao maior número de efeitos adversos quando comparado às demais opções disponíveis.

Para casos pouco extensos, o uso tópico de tiabendazol 10 a 15% é considerado como uma opção terapêutica. Entretanto, no Brasil não existem apresentações com essas concentrações. Há descrição na literatura de tratamento efetivo de dois pacientes pediátricos com uma preparação alternativa de albendazol a 10%. Para realizar essa preparação, deve-se triturar 3 comprimidos de 400 mg em 12g de vaselina sólida e aplicar no local afetado, 3 vezes ao dia, por 20 dias.

Em crianças menores de 2 anos, como não há alternativas terapêuticas disponíveis, deve-se discutir riscos e benefícios de utilizar albendazol oral ou a preparação tópica de albendazol, sendo essa última opção somente para uso em casos pouco extensos.

 

Referências:

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Teleconsultoria por:

Kelli Wagner Gomes

Dermatologista

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Revisão por:

Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

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Rudi Roman

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