Qual o tratamento para molusco contagioso?

A indicação do tratamento do molusco contagioso é controversa, considerando ser uma doença, na maior parte dos casos, autolimitada. Deve-se indicar tratamento em imunocomprometidos, pelo risco de disseminação das lesões e em adultos ou adolescentes com lesões genitais. O tratamento para crianças imunocompetentes é opcional, já que as lesões tendem a regredir espontaneamente ao longo do primeiro ano. Apesar de ser uma condição benigna, as vantagens de indicar o tratamento são: limitar a disseminação do quadro, reduzir o risco de transmissão, tratar o prurido, se presente, e prevenir possível infecção secundária.

As evidências são insuficientes para considerar um método preferencial. As opções terapêuticas mais utilizadas incluem:

  • aplicação de hidróxido de potássio (KOH) 10% em solução aquosa (sob manipulação);
  • tretinoína (0,05% creme ou 0,1% creme ou 0,025% gel): industrializado ou sob manipulação;
  • associação tópica de ácido salicílico 14-20% e ácido láctico 13-16%: industrializado (P. ex.: Calotrat®, Duofilm®, Kalicid®, Kalloplast®, Verrux®) ou sob manipulação;
  • curetagem;
  • crioterapia.

Para o uso de hidróxido de potássio (KOH) 10% em 10mL de solução aquosa (sob manipulação), deve-se orientar  a aplicação de uma pequena quantidade do produto, com palito de dente envolto com algodão ou cotonete, pontualmente nas lesões, uma ou duas vezes ao dia até irritação local (eritema e formação de crostícula), em geral utilizado por cerca de 2 até 6 semanas. Deve-se orientar cuidado para não aplicar na pele sadia, perilesional. Pode haver sensação de ardência e irritação após a aplicação e discromia pós-inflamatória. Para pacientes com ardência excessiva, com fototipos IV a VI ou com lesões faciais, sugere-se reduzir a concentração de KOH para 5%.

Se for optado pelo tratamento com tretinoína (0,05% creme ou 0,1% creme ou 0,025% gel), orientar aplicar nas lesões, em dias alternados, e aumentar gradativamente a frequência do uso, e/ou a concentração, conforme a tolerância (podendo chegar a 2 vezes por dia). A aplicação deve ser suspensa quando ocorrer eritema. Xerose e irritação são efeitos adversos comuns e esperados. 

Alternativamente pode ser aplicada a combinação de ácido salicílico 14-20% + ácido lático 13-16% em solução ou colódio, industrializado ou sob manipulação, pontualmente nas lesões, 1 vez ao dia, até irritação local ou até seis semanas, cuidando a pele perilesional. Não deve ser utilizada em lesões faciais. Os efeitos adversos são mais comuns com essa opção e  incluem eritema, irritação, ardência e formação de crostículas. Tanto a tretinoína como o ácido salicílico nessas concentrações são contra-indicados na gestação. 

Quando não for indicado tratamento, reforçar medidas preventivas de contaminação como manter as mãos limpas, evitar escoriações, proteger as lesões (com roupas ou curativos) e não compartilhar toalhas e itens pessoais.

Casos com indicação de encaminhamento ao dermatologista:

  • lesões em paciente imunocomprometido, refratária ao tratamento clínico por pelo menos 1 mês ou com progressão rápida no número de lesões; 
  • lesões em paciente imunocompetente, refratária ao tratamento clínico por pelo menos 3 meses;
  • lesões perioculares;
  • lesões faciais em adultos.

 

Referências:

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Como citar: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). Qual o tratamento para molusco contagioso?. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; Maio 2020 [acesso em “dia, mês abreviado e ano”]. Disponível em: xxxxxxx.

Teleconsultoria por:

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Revisão por:

Taiane Sawada de Souza

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Elise Botteselle de Oliveira

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