Quando considerar abandono de tratamento do HIV e qual a conduta?

06/12/2019

Abandono de tratamento no HIV é definido quando o paciente fica um período maior do que 100 dias sem realizar a retirada dos antirretrovirais na unidade de dispensação de medicamentos (UDM). Considera-se adesão insuficiente ao tratamento a tomada de medicamentos com uma frequência menor de 80% das doses, que é a quantidade necessária para alcançar a supressão viral e sua manutenção. A má adesão é uma das principais causas de falha terapêutica.

Tanto nos casos de abandono como nos casos de má adesão, a conduta recomendada é restabelecer o mesmo esquema anterior que o paciente fazia uso (em caso de abandono) ou o tratamento atual (no caso de má adesão), mesmo que este não seja o esquema de primeira linha atualmente. Uma nova carga viral deverá ser solicitada após 8 semanas de tratamento regular com boa adesão. O monitoramento completo da carga viral após reintroduzida a terapia antirretrovirais (TARV) pode ser consultado no fluxograma 1.

Fluxograma 1. Acompanhamento da carga viral em caso de abandono ou má adesão.

Clique aqui para fazer o download em PDF.

 

A troca de TARV será indicada em casos de falha virológica comprovada por dois exames de carga viral, efeitos adversos graves ou intoleráveis, comorbidades que contraindiquem o esquema utilizado, uso de medicações ou outra situação que contraindique o esquema em uso. Quando houver indicação de troca de esquema ou a TARV utilizada não for o esquema de primeira linha, o paciente deverá ser encaminhado ao Serviço de Atenção Especializada (SAE).

Especialmente em casos de abandono por tempo mais prolongado ou na presença de sintomas, verificar a necessidade de novos exames, principalmente CD4, e a indicação de profilaxia para infecções oportunistas. Contudo, a solicitação dos exames não deve atrasar o reinício da medicação.

É fundamental orientar sobre a importância da aderência ao tratamento e avaliar o perfil de vulnerabilidade e as razões que motivaram o abandono. A falha de adesão geralmente dependente de múltiplos fatores, entre eles: efeitos adversos das medicações, dificuldade de aceitação e compreensão da doença e de sua evolução sem tratamento, polifarmácia, uso de drogas e álcool e transtornos psiquiátricos associados. Para auxiliar na adesão, é de extrema importância a compreensão por parte da equipe das razões envolvidas na má adesão ao tratamento e a abordagem de acordo com o caso.

 

Referências:

  1. Ministério da Saúde. Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral das Populações-Chave em HIV, Hepatites Virais e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde; 2018.
  2. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em adultos. Brasília: Ministério da Saúde; 2018. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/tags/publicacoes/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas>. Acesso em: 02 abril 2019.
  3. Sax, PE. Patient monitoring during HIV antiretroviral therapy. Waltham (MA): UpToDate, 2018 [atualizado em 2019 Out].

 

Teleconsultoria por:

Ana Cláudia Magnus Martins

Médica de Família e Comunidade

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Revisão por:

Ana Flor Hexel Cornely

Infectologista

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Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

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Renata Rosa de Carvalho

Médica de Família e Comunidade

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