Quando indicar rifampicina para tratamento de infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (quimioprofilaxia)?

11/06/2019

O esquema para tratamento de ILTB com rifampicina é a primeira escolha em:

  • crianças menores de 10 anos;
  • adultos com mais de 50 anos;
  • pacientes com cirrose ou doença hepática em atividade (por exemplo: hepatite viral ou alcoólica);
  • contatos de pacientes com tuberculose monorresistente à isoniazida;
  • intolerantes à isoniazida.

A rifampicina é contraindicada nas pessoas que vivem com HIV em uso de dolutegravir e de inibidores de protease (atazanavir, darunavir, fosamprenavir).

A dose indicada em adultos e adolescentes (com idade maior ou igual a 10 anos) é de 10 mg/kg/dia de peso, até a dose máxima de 600 mg por dia. Em crianças (menores de 10 anos), utiliza-se a dose de 15 (10-20) mg/kg/dia de peso, até a dose máxima de 600 mg por dia. Recomenda-se a utilização de no mínimo 120 doses que deverão ser tomadas idealmente em 4 meses, podendo-se prolongar até 6 meses.

Atenção: a rifampicina é um potente indutor de enzimas que metabolizam outros medicamentos, resultando em aumento da excreção, redução da absorção gastrintestinal e diminuição da ação de vários fármacos. A rifampicina pode diminuir a concentração dos seguintes medicamentos: contraceptivos orais, glicocorticóides, ciclosporina, estatinas, antibióticos macrolídeos, tacrolimus, varfarina, anticoagulantes orais diretos (rivaroxabana, dabigatrana), fenitoína, levotiroxina, antifúngicos azólicos agentes, hipoglicemiantes orais de sulfoniluréias, vários antimaláricos, quinidina, verapamil, metadona, betabloqueadores e antirretrovirais (principalmente inibidores de protease, selecionar inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (etravirina e rilpivirina) e inibidores da integrase (raltegravir, dolutegravir e elvitegravir).

Referências

  1. Ministério da Saúde. Protocolo de vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2019 Jun 10]. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/setembro/28/Protocolo-de-vigil–ncia-da-ILTB-2018.pdf
  1. Ministério da Saúde. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado em 2019 Abr 5]. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/marco/25/manual-recomendacoes-tb-20mar19-isbn.pdf
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  1. World Health Organization. Latent tuberculosis infection: Updated and consolidated guidelines for programmatic management. Geneva: World Health Organization; 2018 [citado em 2019 Jun 10]. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/260233/1/9789241550239-eng.pdf?ua=1
  1. Centers for Disease Control and Prevention. Treatment of latent TB infection. In: CDC. Latent tuberculosis infection: a guide for primary health care providers. Bethesda, MD: US Dept of Health and Human Services, CDC; 2013 [atualizado em 2019 Mar 11, citado em 2019 Jun 10]. Disponível em: cdc.gov/tb/publications/ltbi/treatment.htm
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Teleconsultoria por:

Renata Rosa de Carvalho

Médica de Família e Comunidade

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Revisão por:

Elise Botteselle de Oliveira

Médica de Família e Comunidade

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Jerônimo de Conto Oliveira

Gastroenterologista

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