Quais exames solicitar após tratamento de um paciente com sífilis adquirida?

Publicado em 16/11/2018

O monitoramento após tratamento da sífilis deve ser realizado com testes não treponêmicos (VDRL, RPR, TRUST, por exemplo) e sempre com o mesmo método. Deve-se realizar a coleta do teste não treponêmico idealmente no primeiro dia de tratamento, uma vez que os títulos podem aumentar significativamente se ele for iniciado alguns dias após o diagnóstico. Após o diagnóstico de sífilis ser estabelecido, os testes treponêmicos (FTA-ABs, teste rápido, TPPA, ELISA, por exemplo) não devem mais ser solicitados, pois permanecem reagentes para o resto da vida, mesmo após tratamento adequado.

Após o tratamento, os testes não treponêmicos devem ser solicitados:

  • População geral: a cada três meses, no primeiro ano, e a cada seis meses, no segundo ano;
  • Gestantes: mensalmente até o parto.

Mesmo que ocorra resposta adequada ao tratamento, o seguimento clínico deve continuar, com o objetivo de monitorar possível reativação ou reinfecção.

A queda adequada dos títulos é indicativo de sucesso do tratamento. Na sífilis primária, secundária e latente recente e, principalmente, com títulos mais altos antes do tratamento, ocorre diminuição da titulação em duas diluições em 3 meses e em quatro diluições em 6 meses. Quanto mais precocemente for realizado o tratamento, maior a probabilidade de negativação dos testes não treponêmicos ou, ainda, sua estabilização em títulos baixos. A persistência de resultados reagentes em testes não treponêmicos após o tratamento adequado e com queda prévia da titulação em pelo menos duas diluições, quando descartada nova exposição de risco durante o período analisado, é chamada de “cicatriz sorológica”, não caracterizando falha terapêutica, podendo persistir por meses ou anos.

Muitas vezes, é difícil diferenciar reinfecção, reativação e resposta imunológica mais lenta, sendo fundamental a avaliação da presença de sinais ou sintomas clínicos novos, reexposição de risco, violência sexual, comorbidades, histórico do tratamento (duração, adesão e medicação utilizada) e exames laboratoriais prévios.

São critérios de retratamento e necessitam de conduta ativa do profissional de saúde:

  • Aumento da titulação em duas diluições (exemplo: de 1:16 para 1:64 ou de 1:4 para 1:16) em qualquer momento do seguimento; OU
  • Não redução da titulação em duas diluições no intervalo de seis meses (sífilis primária, secundária e sífilis latente recente) ou 12 meses (sífilis latente tardia) após o tratamento adequado (ex.: de 1:32 para 1:8, ou de 1:128 para 1:32); OU
  • Persistência ou recorrência de sinais e sintomas de sífilis em qualquer momento do seguimento.

Os testes não treponêmicos não são automatizados. Pode haver, portanto, uma diferença entre leituras em momentos diferentes e quando realizadas por mais de um observador. Por essa razão, variações do título em uma diluição (exemplo: de 1:2 para 1:4; ou de 1:16 para 1:8) normalmente não são levadas em consideração.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral as pessoas com infecções sexualmente transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_diretrizes_terapeutica_atencao_integral_pessoas_infeccoes_sexualmente_transmissiveis.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em adultos. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em:<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2013/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-manejo-da-infeccao-pelo-hiv-em-adultos>. Acesso em: 14 nov. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-prevencao-da-transmissao-vertical-de-hiv>. Acesso em: 14 nov. 2018.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. 2015 STD Treatment Guidelines: Syphilis. Atlanta (GA): CDC, 2015. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/tg2015/syphilis.htm>. Acesso em: 14 nov. 2018.

DYNAMED PLUS. Record n. 115040, Latent syphilis [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 2018. Disponível mediante senha e login em: <http://www.dynamed.com/login.aspx?direct=true&site=DynaMed&id=115040>. Acesso em: 14 nov. 2018.

HICKS, C. B.; CLEMENT, M. Syphilis: Treatment and monitoring [Internet]. Waltham (MA): UpToDate, Inc., 2018. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/syphilis-treatment-and-monitoring>. Acesso em: 14 nov. 2018.

 

Teleconsultoria respondida por: 

Fabiane Elizabetha de Moraes Ribeiro, Enfermeira – http://lattes.cnpq.br/2134072750610976

Elise Botteselle de Oliveira, Responsável Regulação e Teleconsultoria e Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059

Revisão:

Laura Ferraz dos Santos, Enfermeira – http://lattes.cnpq.br/9391494206897397

Alexandre Wahl Hennigen, Médico Clínico Geral – http://lattes.cnpq.br/6176703373604625

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