Como deve ser feita a reposição de vitamina B12?

Publicado em 09/04/2018

Não há um esquema único de tratamento preconizado para reposição de vitamina B12. Mais de um esquema de tratamento comprovou-se eficaz em estudos controlados.

Via de administração:

A via parenteral é especialmente indicada em pacientes com dificuldades de absorção gastrointestinal, como nas seguintes situações: anemia perniciosa, história de cirurgia bariátrica, gastrectomia prévia, doença de Crohn, doença celíaca. Em idosos, a gastrite atrófica e hipocloridria (por uso prolongado de omeprazol) reduz a acidez gástrica e também dificulta a absorção. A via parenteral, por sua rápida absorção e melhor adesão, também é preferida em pacientes com anemia sintomática, sintomas neurológicos ou neuropsiquiátricos, em crianças e em gestantes.

Estudos mostraram que a via oral é igualmente efetiva na correção da anemia e de sintomas neurológicos em pacientes com boa adesão, apesar de ter custo maior. Pode ser usada naqueles pacientes assintomáticos com deficiência leve a moderada.

Posologia:

  • Adultos:
    –  Assintomáticos: 1000 mcg de vitamina B12, intramuscular, 1 vez por semana, até que a deficiência seja corrigida (em geral 6 a 8 semanas). Após, para casos com indicação de reposição por toda a vida, 1 vez ao mês (cianocobalamina) ou 1 vez a cada dois meses (hidroxicobalamina). A dose oral de 1000 mcg, 1 vez ao dia, é igualmente efetiva.
    Sintomáticos: 1000 mcg de vitamina B12 em dias alternados (dia sim, dia não), por 2 semanas, seguido de 1 vez ao mês (cianocobalamina) ou 1 vez a cada dois meses (hidroxicobalamina).
  • Crianças: 50 a 100 mcg, intramuscular, 1x/semana até que a deficiência seja corrigida. Após, para casos com indicação de reposição por toda a vida, 1 vez ao mês (cianocobalamina) ou 1 vez a cada dois meses (hidroxicobalamina). Doses orais em crianças não são bem estabelecidas.

Situações especiais:

  • Anemia perniciosa (gastrite autoimune): 1000 mcg, 1 vez por semana, por 4 semanas, seguido de 1000 mcg 1x mês. A terapia deve ser continuada indefinidamente.
  • Dietas deficientes em vitamina B12: Indivíduos com dietas deficientes em vitamina B12 (veganos, vegetarianos, bebês exclusivamente amamentados por mães deficientes em B12) tem absorção normal por via oral e podem ser tratados desta forma.
  • Sintomas neuropsiquiátricos: Avaliar a melhora clínica após 2 a 3 meses de tratamento. Se paciente referir melhora parcial, considerar estender a terapia mensalmente até 6 meses após melhora dos sintomas.

Acompanhamento:

Se a alteração é permanente (anemia perniciosa, gastrectomia), o tratamento segue indefinidamente por toda a vida. Se a causa da alteração é revertida (deficiência na dieta), pode-se interromper o tratamento quando a deficiência for corrigida. Neste caso, é recomendado dosar a vitamina B12 em 3 a 12 meses após o término do tratamento. A dosagem de vitamina B 12 durante a terapia não é útil, pois ela aumenta com a reposição, independente da eficácia do tratamento. O monitoramento deve ser realizado por meio de resposta clínica e da solicitação de hemograma. A resposta hematológica é rápida, com aumento de reticulócitos em 1 semana e correção das alterações hematológicas em 6 a 8 semanas. A melhora dos sinais e sintomas neurológicos inicia-se em uma semana, mas pode demorar até 6 meses para resolução. Naqueles pacientes que não tiverem resposta clínica ou hematológica com 2 meses de tratamento, o nível de vitamina B12 pode ser medido em 1 mês após o término da terapia proposta.

 

Formulações disponíveis no Brasil:

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REFERÊNCIAS:

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Teleconsultoria respondidada por:
Ana Cláudia Magnus Martins, Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/5934617595641346
Revisão:
Carolina da Fonte Pithan, Médica Hematologista – http://lattes.cnpq.br/7148797543514894
Elise Botteselle de Oliveira, Responsável Regulação e Teleconsultoria e Médica de Família e Comunidade – http://lattes.cnpq.br/8444756167343059
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