Como fazer a limpeza de superfícies possivelmente contaminadas por coronavírus?

A inativação do vírus pode ser alcançada após 1 minuto com o uso de desinfetantes como álcool 70% ou hipoclorito de sódio, principal componente da água sanitária. Recomenda-se uso de álcool 70% para desinfecção de equipamentos de uso comum (como termômetro, estetoscópio) ou pequenas áreas, e de hipoclorito de sódio a 0,1% para desinfecção de grandes superfícies. Se as superfícies contiverem sangue ou fluidos corporais em serviços de saúde, a concentração de hipoclorito de sódio deverá ser 0,5%. Caso a superfície esteja suja, a limpeza deve ser realizada primeiramente com água e sabão ou detergente, seguida de um dos desinfetantes mencionados acima [1,2,3]. A concentração de álcool tolerável e efetiva para desinfecção é de 60 a 80% [1,4]. Outros desinfetantes alternativos com potencial para desinfecção de superfícies incluem o quaternário de amônio (por exemplo cloreto de benzalcônio 0,05%), ácido peracético 0,5% e peróxido de hidrogênio 0,5%  [1,4,5,8].

Não é recomendado o uso de esterilizante químico, desinfetantes de alto nível (por exemplo, glutaraldeído, ortoftaldeído) ou antissépticos (por exemplo, clorexidina, iodófor) para desinfecção de superfícies e equipamento de uso comum [5].

Para a limpeza doméstica recomenda-se a utilização dos desinfetantes contendo hipoclorito de sódio a 0,1%.    

Cuidados e diluição da água sanitária:  a solução deve ser utilizada imediatamente à diluição, pois é degradada pela luz. Caso não seja totalmente utilizada deve-se armazená-la em frasco opaco. Essa solução não deve ser misturada com outros produtos devido às potenciais reações químicas que possam ocorrer. A água sanitária é um desinfetante e alvejante que pode danificar tecidos, principalmente coloridos, e ser corrosiva com metais. Se usada em superfícies metálicas, enxaguá-la com água após o uso. A água sanitária pode causar irritação na pele, por isso deve-se utilizar luvas e realizar a limpeza preferencialmente com ambiente ventilado [2,4].  

Para obter a concentração de 0,1%, deve-se diluir 2 colheres e meia de sopa de água sanitária em 1 litro de água [1,4]. A fim de obter a concentração de 0,5%, deve-se diluir uma parte de água sanitária (250 ml) em 3 partes de água (750ml) [1,4].

Para locais com circulação de pacientes suspeitos de COVID-19, usar Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado para realizar a limpeza e desinfecção do ambiente [5].

Desinfecção de equipamentos de proteção individual em serviços de saúde:

A OMS recomenda que luvas resistentes ou não descartáveis e aventais de plástico devem ser limpos com água e sabão e após descontaminados com solução de hipoclorito de sódio a 0,5% [1]. Os óculos de proteção e protetores faciais devem ser exclusivos de cada profissional e devem ser limpos imediatamente após o uso e desinfetados com álcool líquido a 70% (se o material for compatível), hipoclorito de sódio ou outro desinfetante na concentração recomendada pelo fabricante [6]. Já as luvas de nitrilo ou látex e os aventais descartáveis devem ser descartados após a cada uso e não reutilizados [1]. 

Lavagem de roupas: 

Não sacuda a roupa suja a fim de evitar a dispersão do vírus. Ao manusear as roupas sujas use luva descartável ou lave as mãos imediatamente após o contato com as mesmas [3].

As roupas de pacientes suspeitos de infecção por SARS-Cov 2 devem ser lavadas na máquina com água morna, a 60-90ºC com sabão em pó ou detergente para roupa. Se não for possível uso de máquina, pode-se colocar a roupa em água quente e sabão em recipiente adequado e após embeber em hipoclorito de sódio a 0,05% por 30 minutos. Por fim, lavar com água limpa e deixar secar à luz do sol [1].

Aparelhos para procedimentos:

A limpeza de aparelhos utilizados para procedimentos, como espirômetro, nebulizador, endoscópio, entre outros, deve seguir a recomendação do fabricante com produtos destinados para este fim [5,7]. A limpeza de ambientes hospitalares deve seguir o protocolo de cada instituição. Estetoscópio, termômetro e outros equipamentos de uso comum podem ser higienizados com álcool a 70% [5].

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Referências:

  1. World Health Organization. Department of Communications. Water, sanitation, hygiene and waste management for the COVID-19 virus: interim guidance. Geneva: WHO; 2020 Apr 23 [citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/water-sanitation-hygiene-and-waste-management-for-covid-19
  2. World Health Organization. Home care for patients with suspected novel coronavirus (nCoV) infection presenting with mild symptoms and management of contacts: interim guidance. Geneva: WHO; 2020 Mar 17 [citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/home-care-for-patients-with-suspected-novel-coronavirus-(ncov)-infection-presenting-with-mild-symptoms-and-management-of-contacts
  3. Centers for Disease Control and Prevention. Your Health. Cleaning and Disinfection for Households. Interim Recommendations for U.S. Households with Suspected or Confirmed Coronavirus Disease 2019 (COVID-19)Georgia; 2020 July 10 [citado em 28 July 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/prevent-getting-sick/cleaning-disinfection.html?CDC_AA_refVal=.
  4. Centers for Disease Control and Prevention, Infection Control Africa Network. Best practices for environmental cleaning in healthcare facilities: in resource-limited settings: version 2. Atlanta, GA: US Department of Health and Human Services, CDC; Cape Town, South Africa: Infection Control Africa Network; 2019 Nov [atualizado em Mar 2020?, citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/hai/prevent/resource-limited/index.html.
  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde. Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde. NOTA TÉCNICA Nº 47/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA.Ementa:  Recomendações sobre produtos saneantes  que possam substituir o álcool 70% e desinfecção de objetos e superfícies, durante a pandemia de COVID-19. Brasília, DF; 24/06/2020 [atualizado em 21 Mar 2020, citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/5923491/NT+47-2020+-GHCOS/2a2e1688-76f2-4de4-a4c8-c050d780b9d7
  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde. Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA nº 04/2020. Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo Novo Coronavírus (SARS-CoV-2). Brasília, DF; 30 Jan 2020 [atualizado em 8 Maio 2020, citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28
  7. Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva. Departamento de Endoscopia da Associação Médica Brasileira. Recomendações SOBED para endoscopia segura durante a pandemia por Coronavírus. São Paulo; 15 Mar 2020 [citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: https://www.sobed.org.br/fileadmin/user_upload/sobed/2020/03/16/RECOMENDAC__O__ES_SOBED_ENDOSCOPIA_SEGURA__001_INTEGRA.pdf.
  8. United States Environmental Protection Agency. Pesticide Registration. List N: disinfectants for use against SARS-CoV-2 (COVID-19). Washington, DC; 2020 July 23 [citado em 28 Jul 2020]. Disponível em: https://www.epa.gov/pesticide-registration/list-n-disinfectants-use-against-sars-cov-2-covid-19.

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