Quais são os sinais e sintomas de COVID-19?

A COVID-19 tem apresentação clínica variável. Não há características clínicas específicas que possam distingui-la de outras infecções respiratórias virais. Ela pode se apresentar tanto de forma leve (aproximadamente 80% dos casos) como de forma grave (15%), com a minoria dos casos evoluindo com necessidade de cuidados intensivos (5%). [1,2] 

Embora casos assintomáticos tenham sido descritos na literatura, sua frequência é desconhecida.  A maioria dos casos assintomáticos que foram confirmados em estudos desenvolveram algum sintoma nos dias subsequentes. [1,3] 

De acordo com estudos já publicados, os sinais e sintomas mais comuns são febre, fadiga e tosse seca. Outros menos frequentes incluem cefaleia, dor de garganta, rinorreia e sintomas gastrintestinais (náusea e diarreia). No entanto, esses últimos podem se manifestar como queixas principais em alguns pacientes.

No quadro abaixo está a frequência de apresentação dos principais sintomas descritos em 

séries de casos: [1,2,3,4]

                                 Quadro 1. Sinais e sintomas da COVID-19.

SintomasFrequência
Febre83-99%
Fadiga29-70%
Tosse57-82%
Anorexia40-84%
Dispneia18-55%
Escarro26-33%
Mialgias11-44%
Dor de garganta5-17%
Diarreia3-10%
Náuseas1-11%
Cefaleia6-14%
Tontura9-12%
Rinorreia4-5%

                                Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2020).

Dados nacionais, levantados no primeiro mês da pandemia, são similares aos encontrados na literatura internacional, mas com maior incidência de sintomas de vias aéreas superiores. Em pacientes não hospitalizados, foram encontrados os seguintes achados: tosse (73,7%), febre (68,8%), coriza (37,4%), dor de garganta (36,2%) e dispneia (5,6%); e entre hospitalizados: febre (81,5%), tosse (79,8%), coriza (31,1%), dor de garganta (26,1%) e dispneia (26,1%). [5]

Apesar de a febre ser o sinal mais comum, pode ser baixa (< 38ºC) em até 20% dos pacientes e se apresentar dias após o início do quadro clínico. Em um estudo chinês com 1099 pacientes, 44% deles não tinha febre no momento da admissão hospitalar, mas 89% a desenvolveram ao longo da internação [6]. Dispneia, um marcador de gravidade, apresenta tempo médio de estabelecimento de 5 a 8 dias a partir do início dos sintomas.  Pessoas idosas e com comorbidades podem ter apresentação tardia de febre e sintomas respiratórios. [3] 

Anosmia e disgeusia (alterações do olfato e paladar) também vêm sendo relatadas como sintomas encontrados em pacientes com COVID-19, sendo propostos como possíveis manifestações iniciais da doença [4]. Em um estudo italiano, 34% dos pacientes relataram um destes dois sintomas e 19% relataram ambos os sintomas [7]. No Reino Unido, em 579 pacientes com resultado positivo para a doença, 59% relataram alteração de olfato ou paladar, comparado com 19% com estes sintomas que testaram negativo para a doença, sendo sugerido que estes sintomas são preditores fortes de resultado positivo para a COVID-19 [8]. No entanto, ainda não é possível afirmar que esses achados são característicos de COVID-19, pois a anosmia pode estar presente em outras infecções virais, como por vírus parainfluenza, rinovírus, além de doenças nasais e paranasais, como rinossinusite e pólipos nasais. A Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde e CDC ainda não consideram esse sintoma isoladamente para notificação como caso suspeito. [1,3]

Manifestações cutâneas como rash, petéquias, urticária e vesículas foram descritos em relatos de casos, mas até o momento não há relação causal clara identificada entre alterações de pele e a COVID-19. São necessários mais dados para entender se há relação e qual envolvimento cutâneo na COVID-19. [4,9] 

Referências:

  1. McIntosh K. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): epidemiology, virology, clinical features, diagnosis, and prevention [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 10 Abr 2020, citado em 07 Abr 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19. 
  2. DynaMed. Record No. T1579903929505, COVID-19 (Novel Coronavirus). [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995; [atualizado em 27 Jan 2020, citado em 13 Abr 2020]. Disponível em: https://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T1579903929505.
  3. Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): Interim clinical guidance for management of patients with confirmed Coronavirus disease (COVID-19). Georgia; [atualizado em 6 Abr 2020; citado em 13 abr 2020]. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/clinical-guidance-management-patients.html. 
  4. Beeching NJ, Fletcher TE, Fowler R. Coronavirus disease 2019 (COVID-19) [Internet]. BMJ Best Practice. 2020 Feb [atualizado em Abr 2020, citado em 13 Abr 2020]. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/en-gb/3000168.
  5. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica: emergência de saúde pública de importância nacional pela doença pelo Coronavírus 2019: vigilância integrada de Síndromes Respiratórias Agudas: doença pelo Coronavírus 2019, influenza e outros vírus respiratórios. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 3 Abr 2020. [versão 3, citado em 6 Abr 2020]. Dispoível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/06/GuiaDeVigiEp-final.pdf.
  6. Guan W, Ni Z, Hu Y, Liang W, Ou C, He J, et al. Clinical characteristics of coronavirus disease 2019 in China. N Engl J Med 2020 Fev 28; [atualizado em 6 Mar 2020, citado em 17 Mar 2020]. Doi 10.1056/NEJMoa2002032.
  7. Giacomelli A, Pezzati L, Conti F, Bernacchia D, Siano M, Oreni L, et al. Self-reported olfactory and taste disorders in SARS-CoV-2 patients: a cross-sectional study. Clin Infect Dis. 2020 Mar 26. Doi 10.1093/cid/ciaa330. 
  8. King’s College London. Loss of smell and taste a key symptom for COVID-19 cases. London; 2020 Apr 1 [citado em 13 Abr 2020]. Disponível em: https://www.kcl.ac.uk/news/loss-of-smell-and-taste-a-key-symptom-for-covid-19-cases.
  9. Criado PR. Manifestações na pele devido à Covid-19 causada pelo vírus SARS-CoV-2: uma interpretação dos dados frente à luz dos fatos até o dia 26 de março de 2020. Sociedade Brasileira de Dermatologia, Rio de Janeiro; 28 Mar 2020 [citado em 13 Abr 2020]. Disponível em: http://www.sbd.org.br/noticias/manifestacoes-na-pele-devido-a-covid-19-causada-pelo-virus-sars-cov-2-uma-interpretacao-dos-dados-frente-a-luz-dos-fatos-ate-o-dia-26-de-marco-de-2020/.


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