Antioxidantes auxiliam na prevenção e progressão da catarata?

Publicado em 25/10/2017

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Dentro dos nossos olhos há uma lente natural transparente, chamada de cristalino, que ajuda a focar a luz, ou uma imagem, na retina.  Em um olho normal, a luz passa através do cristalino para a retina. Uma vez que atinge a retina, a luz é transformada em sinais nervosos que são enviados para o cérebro. Quando o cristalino estiver opaco, será visto uma imagem borrada ou menos colorida, diminuindo a visão (BOYD, 2017; CBO, 2014).

Em 2013, a proporção de idosos diagnosticados com catarata, em uma ou ambas as vistas, atingiu 28,7% da população brasileira com 60 anos ou mais, o equivalente a 7,6 milhões de pessoas. Ou seja, de cada cem idosos, cerca de 29 apresentavam o problema ocular. As maiores taxas foram registradas nas regiões Nordeste (31,9%) e Centro-Oeste (33,7%) e a menor na região Sul (21,8%) (IBGE, 2015).

Além da visão turva, os sinais e sintomas que podem ser identificados em pessoas com catarata são: vista dupla, excessiva sensibilidade à luz, dificuldade em ver bem à noite ou necessidade de maior luminosidade para ler, visão com cores esmaecidas ou amareladas (BOYD, 2017). Embora existam outros tipos de catarata, a maioria está relacionada ao envelhecimento. A prevalência de catarata devido ao envelhecimento pode comprometer quase metade das pessoas entre 65-74 anos e chegar a 73,3% nos indivíduos acima de 75 anos. (AVILA, 2015). Além da idade, outros fatores – como tabagismo, uso de álcool e exposição excessiva aos raios solares – podem contribuir para o desenvolvimento de catarata, já que o efeito do sol, do tabaco e da bebida alcoólica favorecem a produção de radicais livres, danificando nossas células (BOYD, 2017; CHORILLI, 2007).

(BOYD, 2017). Muitos alimentos são ricos em antioxidantes, porém não há evidências de que a suplementação de vitaminas antioxidantes previne ou retarda a progressão da catarata relacionada à idade (MATHEW, 2012; GRITZ, 2006; AGE-RELATED EYE DISEASE STUDY RESEARCH GROUP, 2001; NATIONAL EYE INSTITUTE’S, 2001).

Entretanto, se sabe que alimentos antioxidantes fazem parte de uma alimentação saudável. Uma alimentação e hábitos de vida adequados são essenciais para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e promoção de um envelhecimento saudável (NEI, 2015). Os antioxidantes podem ser encontrados em frutas e verduras, especialmente aquelas ricas em vitamina A, C e E, selênio e flavonoides, como por exemplo: folhas verdes, frutas, oleaginosas, como as castanhas, aveia, feijões, vegetais alaranjados, avermelhados e roxos e peixes do mar.

A melhor maneira de consumir alimentos ricos em antioxidantes naturais é incluí-los na alimentação do dia-a-dia de forma variada. Vale lembrar que, além da antioxidação, esses alimentos trazem muitos outros benefícios para a saúde, como manutenção e desenvolvimento de tecidos epiteliais, reprodução, desenvolvimento embrionário, crescimento, função imune, retardo do envelhecimento e proteção para doenças crônicas não transmissíveis (SANTOS, 2013). Dessa forma, manter uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, além de obter os nutrientes que esses alimentos possuem, ainda previne diversas doenças (BRASIL, 2014).

Afora a alimentação, o uso de óculos e chapéu ao sair ao sol, a cessação do tabagismo e a redução da ingestão de bebida alcoólica também podem auxiliar na diminuição da formação de radicais livres, (NEI, 2015).

Se você tem mais de 60 anos, é importante que faça exames periodicamente, com o objetivo de rastrear não somente a catarata, mas outras doenças oculares relacionadas à idade. A detecção e tratamento precoce pode evitar a catarata  e a cegueira.

O diagnóstico da catarata e a recomendação do tratamento devem ser feitos pelo médico oftalmologista, através de exames específicos (BOYD, 2017).

Médicos da Atenção Básica/Atenção Primária do Rio Grande do Sul podem contar com o telediagnóstico em oftalmologia do TelessaúdeRS-UFRGS. Através de solicitação, o paciente será avaliado e o laudo enviado pelo oftalmologista ao médico solicitante com orientações de conduta. Saiba mais!

Referências

AGE-RELATED EYE DISEASE STUDY RESEARCH GROUP. A randomized, placebo-controlled, clinical trial of high-dose supplementation with vitamins C and E and beta carotene for age-related cataract and vision loss: AREDS report no. 9. Archives of Ophthalmology, Chicago, v. 119, n. 10, p. 1439-52, 2001.

AVILA, M.; ALVES, M. R.; NISHI, M. As condições de saúde ocular no Brasil. São Paulo: Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 2015. Disponível em: <http://www.cbo.net.br/novo/publicacoes/Condicoes_saude_ocular_IV.pdf>. Acesso em: 23 out. 2017.

BOYD, K. ¿Qué Son las Cataratas? [Internet]. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2017. Disponível em: <https://www.aao.org/salud-ocular/enfermedades/que-son-las-cataratas>. Acesso em: 25 set. 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

CHORILLI, M.; LEONARDI, G. R.; SALGADO, H. R. N. Radicais livres e antioxidantes: conceitos fundamentais para aplicação em formulações farmacêuticas e cosméticas. Revista Brasileira de Farmácia, Rio de Janeiro, v. 88, n.3, p. 113-118, 2007. <http://rbfarma.org.br/files/PAG_113a118_RADICAIS.pdf>

CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA. VejaBem, CBO em Revista, São Paulo, v. 3, n. 2, 2014. Disponível em:  <http://www.cbo.com.br/novo/geral/pdf/revista-03.pdf>. Acesso em: 25 set. 2017.

, D. C.et al. The Antioxidants in prevention of cataracts study: effects of antioxidant supplements on cataract progression in South India. British Journal of Ophthalmology, London, v. 90, n. 7, p. 847-851, 2006.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde: 2013: ciclos de vida: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv94522.pdf>. Acesso em: 23 out. 2017.

NATIONAL EYE INSTITUTE’S. Antioxidant vitamins and zinc reduce risk of vision loss from age-related macular degeneration [Internet]. Bethesda, MD: NEI, 2001. Disponível em: <https://nei.nih.gov/news/pressreleases/101201>. Acesso em: 20 out. 2017.

NATIONAL EYE INSTITUTE’S. Facts about cataract [Internet]. Bethesda, MD: NEI, 2015. Disponível em: <https://nei.nih.gov/health/cataract/cataract_facts>. Acesso em: 20 out. 2017.

SANTOS, M. P. O papel das vitaminas antioxidantes na prevenção do envelhecimento cutâneo. Ijuí: Unijuí, 2013. <http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/1571/TCC-Mirelli-P-dos-Santos.pdf?sequence=1>

MATHEW, M. C. et al. Antioxidant vitamin supplementation for preventing and slowing the progression of age-related cataract. The Cochrane Database of Systematic Reviews, Oxford, 2012, 6: CD004567. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4410744/pdf/nihms511582.pdf>. Acesso em: 23 out. 2017.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global initiative for the elimination of avoidable blindness: Action plan 2006-2011 [Internet]. Geneva: WHO, 2007. Disponível em: <https://www.iapb.org/wp-content/uploads/VISION-2020-Action-Plan-2006-2011.pdf>. Acesso em: 19 out. 2017.

Texto: Andreza Vasconcelos

Revisão: Rosely Andrade, Camila Hofstetter Camini,  Sabrina Dalbosco Gadenz – CRN: 8594D e Carlos André Aita Schmitz  – CRM RS: 25631

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