Queilite Actínica

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O que é?  

Desordem potencialmente maligna que atinge o lábio inferior por conta da exposição diária aos raios solares (radiação ultravioleta – UV).

Quais são as causas?

O principal fator é a exposição à radiação UV sem proteção. Evidências indicam que o tabaco também é um fator a ser considerado, já que um grande número dos pacientes com queilite também é fumante.

Quais são as características clínicas?

Perda de nitidez do contorno dos lábios, borrando o limite entre a pele e o vermelhão do lábio, devido à presença de manchas e placas brancas. Também podem ser observadas as seguintes alterações secundárias: áreas descamativas, fissuras, crostas, áreas acastanhadas, áreas erosivas/eritematosas, áreas ulceradas e áreas endurecidas à palpação.

Qual conduta/tratamento deve-se realizar?

Nos casos mais leves, onde os sintomas mais graves não são observados, a biópsia não é obrigatória.

Para que compreendam e adotem as medidas de proteção, aos pacientes deve ser explicado que a presença das lesões indica risco de transformação maligna. Além disso, deve ser prescrita a aplicação do uso de protetor solar labial com FPS 30 diariamente (4 vezes ao dia), mesmo nos dias nublados.

Quando houver áreas de ressecamento ou crosta, devem ser recomendadas medidas para melhorar a hidratação do lábio, sendo o bepantol creme (dexpantenol) uma das alternativas. Os pacientes devem aplicar uma camada fina sobre os lábios, à noite, duas horas antes de ir dormir.

O paciente deve ser reavaliado após 3-4 semanas. Assim que houver diminuição das áreas crostosas/descamativas, o uso do medicamento pode ser interrompido.

Lembre-se: a detecção precoce desta lesão pode prevenir a transformação maligna. Os pacientes precisam estar cientes desse risco e devem ser envolvidos na tentativa de estabilização das lesões. Os sinais de progressão da doença devem ser informados ao paciente. Quando o próprio paciente perceber estes sinais, é recomendável que a consulta de revisão seja antecipada.

Quando encaminhar?

Quando os sinais de agravamento forem observados, como placas brancas espessadas, úlceras, crostas que não regridem após medidas de hidratação, áreas endurecidas e áreas erosivas, a biópsia parcial deve ser realizada. Nestes casos, é indicado o encaminhamento para o especialista. A presença de áreas nodulares requer biópsia parcial devido à possibilidade de tratar-se de carcinoma espinocelular.

Caso haja dúvidas ou frente a casos refratários aos tratamentos recomendados, cirurgiões-dentistas e médicos que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) no Estado do Rio Grande do Sul podem solicitar consultoria/telediagnóstico via Plataforma de Telessaúde do Ministério da Saúde, acompanhada de foto e formulário descritivo da lesão, disponíveis no endereço (http://www.ufrgs.br/telessauders/nossos-servicos/telediagnostico-estomatonet).

 

 

Texto: Hanin Mohammed e Clarissa Simioni

Revisão: Rosely Andrade,  Camila Hofstetter Camini , Otávio Pereira D’Avila – CRO RS: 17387 e Vinicius Carrard – RS-CD-12394.

 

Referências:

LOPES, M. L. D. S. et al. Clinicopathological profile and management of 161 cases of actinic cheilitis. Anais Brasileiros de Dermatologia. Rio de Janeiro, v. 90, n. 4, p. 505-512, 2015. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4560539/>. Acesso em: 28 fev. 2018.

REGEZI, J. A.; SCIUBBA, J.; JORDAN, R. Patologia oral: correlações clinicopatológicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

SAMIMI, M. Cheilitis: Diagnosis and treatment. La Presse Médicale, Paris, v. 45, n. 2, p. 240-250, 2016.

 

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