{"id":3117,"date":"2023-10-06T17:19:32","date_gmt":"2023-10-06T17:19:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/temas\/?p=3117"},"modified":"2023-10-06T17:19:46","modified_gmt":"2023-10-06T17:19:46","slug":"pesquisadoras-do-temas-organizam-dossie-sobre-genero-ciencias-e-tecnologias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/temas\/pesquisadoras-do-temas-organizam-dossie-sobre-genero-ciencias-e-tecnologias\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras do TEMAS organizam dossi\u00ea sobre g\u00eanero, ci\u00eancias e tecnologias."},"content":{"rendered":"\n<p>As pesquisadoras do TEMAS Eleandra Koch e Aline Radaelli,&nbsp; juntamente com Fernanda Di Flora (UTFPR), est\u00e3o organizando o dossi\u00ea intitulado &#8220;G\u00eanero, ci\u00eancias e tecnologias&#8221; a ser publicado no Boletim CTS (ESOCITE). O envio de artigos poder\u00e1 ser realizado at\u00e9 o dia 03 de novembro para o e-mail: boletimesocite.br@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p>Link para as diretrizes da submiss\u00e3o: <a href=\"https:\/\/esocite.org.br\/images\/BOLETIM-CTS\/PDF\/Politica%20Editorial.CTS.em.foco.pdf\">https:\/\/esocite.org.br\/images\/BOLETIM-CTS\/PDF\/Politica%20Editorial.CTS.em.foco.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Leia abaixo o texto da chamada para o dossi\u00ea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, a Unesco estabeleceu a data de 11 de fevereiro como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia, cujo objetivo era mobilizar o debate p\u00fablico sobre a presen\u00e7a feminina na ci\u00eancia, de modo a estabelecer a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o das mulheres nas \u00e1reas cient\u00edficas. Essa a\u00e7\u00e3o decorre da percep\u00e7\u00e3o de que, apesar do avan\u00e7o da presen\u00e7a das mulheres na universidade e na pesquisa, elas continuam sendo minoria em certas esferas da ci\u00eancia, tendendo a se concentrar nas ci\u00eancias sociais, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas tecnol\u00f3gicas, engenharias, matem\u00e1tica e computa\u00e7\u00e3o (ou as STEM), as mulheres constituem apenas cerca de 25% do total. Segundo diversas pesquisas recentes, apesar de produzirem metade da ci\u00eancia feita no Brasil, as mulheres ainda s\u00e3o minoria em cargos de lideran\u00e7a em laborat\u00f3rios, institutos de pesquisa e reitorias de universidades. Se olharmos para as interseccionalidades de ra\u00e7a, etnia e classe, a representatividade se reduz ainda mais. A situa\u00e7\u00e3o foi ainda agravada no per\u00edodo da pandemia do Covid-19, que evidenciou tais disparidades de g\u00eanero combinadas \u00e0 sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o feminina em atividades do cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Avan\u00e7amos, ineg\u00e1vel e imprescindivelmente. Em termos de acesso e perman\u00eancia no ensino superior, o cen\u00e1rio nacional se apresenta como progressivamente mais inclusivo: mais da metade dos estudantes do ensino superior em 2020 eram do g\u00eanero feminino (57%). O quantitativo de mulheres pesquisadoras com perfis cadastrados na plataforma Lattes do CNPq saltou de 39% em 1995 para 50% em 2016. Os dados s\u00e3o do movimento Parent in Science (<a href=\"https:\/\/www.parentinscience.com\/documentos\">https:\/\/www.parentinscience.com\/documentos<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ainda h\u00e1 muito o que percorrer em termos de representatividade e equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia e no fazer cient\u00edfico. As cr\u00edticas do feminismo \u00e0 ci\u00eancia moderna debatem que esta se desenvolveu a partir de uma estrutura\u00e7\u00e3o conceitual de mundo que incorporou em seu \u00e2mago ideologias de g\u00eanero historicamente espec\u00edficas e que ainda s\u00e3o evidentes nas pr\u00e1ticas cient\u00edficas (Keller, 1996), ao passo que incorpora, segrega, afasta, desincorpora perspectivas outras que permitem oferecer, segundo Haraway (1995), &#8220;conhecimento potente para a constru\u00e7\u00e3o de mundos menos organizados por eixos de domina\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As teorias feministas concebem a objetividade da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento a partir de pr\u00e1ticas situadas e posicionadas, na contram\u00e3o de abordagens da &#8220;economia das Ci\u00eancias&#8221; (Stengers, 2015) que prometem transcend\u00eancia e neutralidade. Ao contr\u00e1rio, primam por situar significados leg\u00edtimos e objetividades poss\u00edveis, considerando as constru\u00e7\u00f5es dos corpos nos processos do conhecimento. A corporifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre espec\u00edfica, partida e parcial e, portanto, as teorias feministas, ao se contraporem a masculinidades abstratas e naturalmente universaliz\u00e1veis, disputam a necessidade de uma teoria cr\u00edtica em que a constru\u00e7\u00e3o dos corpos seja considerada no processo de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico (Haraway, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 oportuno refletir n\u00e3o somente sobre as barreiras formais e informais que as mulheres continuam tendo que superar para ingressarem, permanecerem, serem reconhecidas e avan\u00e7arem no campo da ci\u00eancia e da tecnologia, mas tamb\u00e9m acerca das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de possibilidade para que a objetividade nas Ci\u00eancias seja compreendida desde racionalidades posicionadas e corporificadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O dossi\u00ea se prop\u00f5e a receber artigos que discutam tais din\u00e2micas, como os efeitos da maternidade nas carreiras cient\u00edficas; a quest\u00e3o do ass\u00e9dio sexual e moral nas institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas acad\u00eamicas; o extrativismo intelectual, entre outros temas que promovam e ampliem o debate no campo dos estudos feministas de ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pesquisadoras do TEMAS Eleandra Koch e Aline Radaelli,&nbsp; juntamente com Fernanda Di Flora (UTFPR), est\u00e3o organizando o dossi\u00ea intitulado &#8220;G\u00eanero, ci\u00eancias e tecnologias&#8221; a ser publicado no Boletim CTS (ESOCITE). 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