Microtesauro a caça às bruxas
Thaís Barbosa dos Santos.
Introdução
A caça às bruxas foi um período da história, que teve início na europa que vivia a transição do feudalismo para o capitalismo, final da idade média que durou até a idade moderna, que vivia sob o controle da Igreja Católica, acontecendo de a mesma ditar os limites do convívio social através das leis divinas por ela citadas. A caça também se expandiu para os países colonizados pelos europeus. A pessoa que não seguisse os dogmas religiosos, por exemplo, a não realização do batismo era considerado herege pela estrutura de poder que formou-se e consolidou-se por anos na história da humanidade. Porém, falar de bruxas vai além de um recorte sobre um período da história da humanidade, o qual durou do século XIV ao XVII e chega à história das mulheres, já que foram os principais alvos durante a caçada da instituição religiosa.
A maior parte das pessoas acusadas de bruxaria foram as mulheres, e isso teve apoio de literaturas demonológicas, de cunho misógino, as quais informam que as mulheres são mais fáceis de serem tentadas pelo mau, apoiando-se nas palavras da escritura sagrada, a qual afirma que Eva se influenciou pelo demônio, este na figura de uma cobra, e comeu a maçã, símbolo do pecado. Então, para essas literaturas que fundamentaram a caça, apenas as mulheres poderiam ser tentadas pelo diabo e oferecer a sua alma em troca de poderes terráqueos. Uma das obras que contribuiu em peso para a divulgação da existência de bruxas foi o Martelo das Feiticeiras. Essa literatura afirmava que os tribunais deveriam persegui-las e matá-las para que a maldade não se espalhasse.
Além de perseguir as mulheres, as mais propensas a receberem uma acusação e ser levada a morte foram mulheres da classe desfavorecida, que não possuíam recursos financeiros suficientes para a sua sobrevivência, caracterizando-se como uma mulher pobre e que portanto realizava determinadas atividades sociais que estavam limitadas ao seu contexto histórico em que vivia e ao seu sexo de nascimento, visto que as atividades sociais que exerceram eram limitadas pelo sexo de nascimento, já que a sociedade definia o que poderia ser realizada por uma mulher. O presente trabalho, portanto, tem um objetivo de expor as ideias que surgiram em torno da criação da bruxa pela literatura demonológica através de um recorte histórico que perpassa a história das mulheres, vítimas da crueldade de um tempo em que a razão estava em último plano, podendo levar as pessoas a condenação caso discordasse das regras e dogmas da igreja.
A Caça às bruxas, durante a Inquisição Moderna tentava criar e levar ideias a qualquer custo para todas as sociedades do globo e que felizmente padeceu com as ideias revolucionárias que foram surgindo e o advento da razão, peça chave para o encerramento do caça às bruxas porque não tinha fundamento científico para sua realização. A Inquisição Moderna tinha o apoio da literatura demoníaca para sua instalação. Logo, são apresentadas as seguintes categorias presentes na literatura que poderiam levar a uma mulher ser considerada bruxa e portanto, condenada: Atividade social; Atributo; Castigo; Elemento mágico; Estereótipo da bruxa; Instrumento de tortura; Poder maléfico; Sabá e o Tribunal do Santo Ofício.
À nível de conceituação, podemos definir esses atributos que ocorreram durante a Inquisição Moderna como:
a) Atividade social: função que a bruxa desempenhava na sociedade em que vivia, a qual era de acordo com o contexto do seu tempo;
b) Atributo: característica física e sexual atribuída à bruxa;
c) Castigo: penalidade aplicada pelo Tribunal do Santo Ofício para cessar a existência da bruxa;
d) Elemento mágico: objeto e animal que ajudaram a bruxa a propagar a maldade;
e) Estereótipo da bruxa: imagem amplamente divulgada sobre forma física e estado civil da bruxa;
f) Instrumento de tortura: aplicado quando a bruxa fosse condenada para fazer com que ela revelasse os rituais que praticou com o demônio;
g) Poder maléfico: poder de interferir na realidade com a ajuda do diabo;
f) Sabbat: reunião em que ocorria a adoração ao diabo;
g) Tribunal do Santo Ofício: instituição religiosa instaurada durante a inquisição.
O Microtesauro a Caça às bruxas terá esses elementos para retratar uma das atrocidades praticadas durante o período histórico a respeito da Inquisição Moderna. Ele é Monolíngue e conta com um total de 99 termos apresentados em ordem alfabética – sendo 86 “Preferidos” e 13 “Não Preferidos”. Esse microtesauro é útil tanto para os historiadores que querem estudar os elementos que compõem o universo da bruxa quanto para pessoas do público em geral que tenham a curiosidade de saber o que ocorreu, as causas e a forma como aconteceu a caça às bruxas.
O intuito é levar as pessoas a reconhecerem os discursos mentirosos que foram propagados por uma instituição religiosa, levando à morte milhares de mulheres acusadas de praticarem bruxaria diabólica, por entre outros fatores, o simples fato de existirem e de viverem de determinada forma e com certas condições econômicas já poderiam ser tratadas como alvos da caça. A prática da caça às bruxas consequentemente, pode ser considerada misógina porque envolve uma superioridade masculina sobre a feminina. Logo, o público-alvo são bibliotecários, pesquisadores, estudantes ou qualquer outro grupo que tenha interesse em consultar, conhecer ou utilizar esse microtesauro com algum propósito de desenvolver temáticas semelhantes ou indexar materiais que tratem sobre “bruxas”.
Apesar de haver outras causas para a Caça às bruxas como a Reforma, a Contra Reforma, a erradicação do paganismo, as guerras religiosas e a misoginia, esse microtesauro buscou se concentrar em uma das causas, que seria a Inquisição Moderna.
Metodologia
Durante a construção do microtesauro seguimos um conjunto de etapas que nos levaram ao resultado final, a construção do microtesauro, que são as seguintes:
a) Identificamos o domínio que o microtesauro abrangeu e após isso buscamos interpretar através do contexto a temática selecionada;
b) Analisamos os documentos escolhidos como relevantes, na coleta e análise de dados, e os termos que compôs o microtesauro;
c)Organizamos os termos identificado-os em categorias e em hierarquias dentro das categorias;
d)Determinamos as relações que foram estabelecidas no microtesauro;
e)Convertemos o microtesauro em uma plataforma especializada em tesauro, disponível no formato online.
Para a coleta e análise dos termos usamos as fontes de informação secundária, selecionadas para a construção do microtesauro: artigo, trabalho de conclusão de curso, tese e dissertação. Para a construção desse microtesauro seguimos as seguintes obras de referência em tesauros monolíngues:
a) Diretrizes para Elaboração de Tesauros Monolíngues, do IBICT, publicado em 1984;
b) Manual de Elaboração de Tesauros Monolíngues, de Hagar Espanha Gomes, publicado em 1990;
c) Diretrizes para o estabelecimento e desenvolvimento de tesauros monolíngues, da Unesco, publicado em 1993.
Público alvo
Esse microtesauro é útil tanto para os historiadores que querem estudar os elementos
que compõem o universo da bruxa quanto para pessoas do público em geral que tenham a
curiosidade de saber o que ocorreu, as causas e a forma como aconteceu a caça às bruxas. O
intuito é levar as pessoas a reconhecerem os discursos mentirosos que foram propagados por
uma instituição religiosa, levando à morte milhares de mulheres acusadas de praticarem
bruxaria diabólica. Só pelo simples fato de existirem e de viverem de determinada forma e
com certas condições econômicas já poderiam ser alvos de caça. A prática consequentemente,
pode ser considerada misógina porque envolve uma superioridade masculina sobre a
feminina.
Licença de uso
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